Noite, minha Confidente

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Quando a cidade dorme, a noite escuta,Escrevo o que o dia sufoca,Palavras que ecoam na rua deserta,Onde apenas a lua me nota

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Quando a cidade dorme, a noite escuta,
Escrevo o que o dia sufoca,
Palavras que ecoam na rua deserta,
Onde apenas a lua me nota.

A melancolia desliza nas sombras,
nos postes acesos, em janelas fechadas,
mas há o sossego que abraça e acalma,
um tempo suspenso entre madrugadas.

Os passos são leves, os ecos longos,
vento rodopia à minha volta, a dançar.
A noite ouve-me, paciente e discreta,
sem pressa, sem medo, sem me julgar.

Noite, minha confidente,
sussurras o que o dia esqueceu,
trazes no vento versos perdidos,
inspiração que a mim renasceu.

Nas tuas horas o mundo é só meu,
sem vozes, sem pressa, sem multidão.
E as ideias, como estrelas dispersas,
acendem as suas luzes na escuridão.

Permanece, noite, um pouco mais,
dá-me de escrever o que ainda não sei,
pois quando o Sol nascer no horizonte,
apenas restará aquilo que não terei.


~Henrique Oliveira

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