Limbo

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Há dias que voltam devagar,como luz a reaprender o lugar,sem ruído, a querer ficar,só passam e ficam no ar

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Há dias que voltam devagar,
como luz a reaprender o lugar,
sem ruído, a querer ficar,
só passam e ficam no ar.

Nada aconteceu, ou quase nada,
só uma pausa mal explicada,
um segundo fora da estrada
onde a vida falhou a fachada.

E foi tão pouco, tão leve, tão vão,
um desalinho na direção,
como se o tempo, por distração,
tivesse esquecido a própria razão.

Mas algo insiste em permanecer,
num gesto que nem o chegou a ser,
num laço difícil de desfazer
que o silêncio prefere esconder.

Não tem nome, nem quer ter,
não pede espaço, nem quer caber,
mas volta sempre, sem dizer,
como tudo o que evita morrer.



Henrique Oliveira

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