A Ponte

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Entre nós havia um trilho,tábua a tábua, passo a passo,Um fio ténue, leve sarilho,pequena conexão, frágil laço

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Entre nós havia um trilho,
tábua a tábua, passo a passo,
Um fio ténue, leve sarilho,
pequena conexão, frágil laço.

Ergue-se a noite em véu dourado,
o crepitar da brasa no firmamento.
O que era ponte, agora é fado,
um eco mudo, puro desalento.

Nos pés, o peso do talvez,
As mãos que escrevem o enredo,
E há quem ria, há quem, de vez,
dance nas chamas sem ter medo.

Se a luz encanta e a dor fascina,
quem há de ver a ponte erguida?
Se o quente do fogo é a nossa sina,
esquece a vida e a sina que o decida!
Se a febre queima e o passo inclina,
quem quer uma ponte meio ardida?

Agora há cinza pelo ar,
restos varridos pelo vento.
Se um dia o fogo te faltar,
Ao menos terás o teu lamento.

~Henrique Oliveira

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