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JM.

O reino dos sonhos é um lugar impressionante.

O ser humano precisa dormir, isto é um fato. Mesmo imerso na água rasa que compõe o meu quase pesadelo, eu não consigo deixar de pensar no Jungkook, e em como ele se privou de suas horas de sono para construir algo tão belo para mim.

Pesadelo. Meu corpo está completamente deitado em um ambiente molhado e quente, mas de certa forma, eu não me sinto assustado. A sensação é familiar, ainda que o breu ao meu redor acelere o meu pulso. Os poros em minha epiderme parecem, ao contrário de minha mente, estarem satisfeitos com o líquido morno.

- Olá?

O eco de minha voz ricocheteia nas paredes invisíveis de meus sonhos, voltando até mim como ecos distantes. Em vez de respostas, tudo o que eu ouço são pequenos risos repletos de sátira.

- Quem está aí?

A água começa a esfriar agora, o que arrepia os pelos finos de meus braços. Os risos somente prosseguem à medida que demonstro meu desconforto. O ambiente não está mais agradável agora do que antes. Embora eu esteja com os olhos abertos, eu não consigo enxergar nada neste breu unanime. A atitude que meu monstro interno expunha já não é mais a mesma.

Há apenas o Jimin, agora. Os flashes do que fiz em meus momentos de ciúme não se parecem nada com o que sou nesse momento de medo.

- O seu cavaleiro negro não vai vir te salvar, pequena criatura.

Uma voz feminina e arranhada surge ao pé de meu ouvido, e ainda que quase toda a lateral de meu rosto esteja imersa na água, eu posso sentir como se o ar gélido daquela que fala atingisse meu lóbulo sensível.

- Quem é você? - levemente desesperado, tento levantar os meus braços molhados de água da poça onde estou, porém, não consigo. - O que fez comigo?

- Ora, ora, ora. - em um tom decepcionado, a mulher exprime de forma sarcástica sua opinião. - A pergunta correta seria "o que você fez?". Bem, eu fiz muitas coisas.

A água ao meu redor começa a se mover em pequenas ondas, como se algo - ou alguém - estivesse a nadar ao meu entorno, me tratando como uma presa inofensiva, o que de certo modo, é o que sou agora.

Um pouco de luz surge ao topo, como se eu estivesse no fundo de um baú que começa a ser aberto. A visão de uma mulher de longos cabelos e pálida face se exterioriza sobre mim. Ela está flutuando como um espírito, e a ponta de seus longos seios chegam a tocar os meus. Não havia notado antes, mas agora sei que estou nu. Ambos estamos. Eu paro de respirar.

- Eu fiz você, pequeno, à minha imagem e semelhança. Bem, quase. - a mão fina e fria passa por minha bochecha e desce toda a lateral de meu corpo, sem pressa. - Eu era um pouco mais extrema, no entanto.

- Imagem e... semelhança?

De todo o discurso desconexo e meloso que sai de sua língua lasciva, esta foi a única parte que de fato me interessou. Há um cheiro doce no ar, algo gentil e que volta a me relaxar. Algo úmido e melado, abaixo da água, começa a surgir entre minhas pernas.

- Sim, minha doce criação. Ainda que mal criado, você me pertence. - o ar de sua respiração toca o meu nariz, e o rosto da mulher bela vai, gradualmente, se tornando parecido com o meu. - Você sou eu, e eu sou você.

Doces Óculos; jjk+pjm.Onde histórias criam vida. Descubra agora