JM.
Qual é a reação natural dos humanos ao se decepcionar?
Eu acho que nunca havia parado para refletir na minha real reação em relação as decepções da minha vida, mas agora, ainda que desacordado, eu consigo refletir no fundo da minha mente o que eu costumo fazer. O meu ciclo vicioso.
Eu fujo. É isso o que eu faço. Eu fugi dos meus pais, do Hoseok, e agora, ainda que com o coração dilacerado implorando para ficar, eu decidi fugir do Jungkook. É isso o que as pessoas fazem quando sentem dor: se afastam daquilo que as machuca. A decepção é a ânsia de que algo dê certo, só que aí, não dá mais. Decepção é como se degolar com faca cega.
Jungkook me decepcionou. No fim, ele existiu de verdade? O homem que cozinhou para mim todas as manhãs, que me pediu em namoro, que penteou meu cabelo durante o banho; ele era real? Eu ainda me recordo da forma como o meu perseguidor agia. Eu sentia
a sombra de sua presença em todos os lugares, me observando como se estivesse colado em minhas costas.
Saber que ele estava lá por mim não me deixava sentir solidão. Afinal, eu não estava sozinho com esse demônio do meu lado. Eu estava apavorado demais para fazer qualquer coisa além de dizer sim. Os bombons, as cartas mórbidas, as fotos assustadoras, os pés sangrentos de passarinhos que ficavam em minha janela junto dos buquês de flores. Isso não é amor, isso é algum tipo de doença.
Eu nunca havia visto o amor antes, então como saberia a diferença? Os meus livros podem ter me ensinado exemplos dignos, mas não me prepararam para a experiência real de entregar meu coração para alguém.
Ninguém me preparou para o momento em que ele seria partido.
Ninguém me preparou para os corredores que sussurram, para os objetos que se movem sozinhos, muito menos para o lunático mentiroso que jurei piamente ser incapaz de me machucar. Jungkook me quebrou mais do que eu já estava antes. Ele me decepcionou.
Eu tentei fugir, mas diferente do cão Pavlov, meu dono não se abate tão facilmente. Não basta apenas morder, é necessário se fazer mais do que isso.
Meu corpo começa a comichar de forma agonizante pelas extremidades. Meus pés e mãos tremelicam como se estivessem recebendo um aviso. "Acorde, por favor, acorde" eu consigo ouvir.
E então, eu acordo. Meus olhos se abrem com dificuldade, e enquanto pisco para recobrar minha noção de espaço, percebo que estou sem os meus óculos. A visão embaçada é notória, mas ainda assim consigo reconhecer o teto rosado acima da minha cabeça. Eu estou deitado.
— O que...?
Minha voz está rouca, e pronunciar as palavras me é dolorido. Assim que engulo minha saliva, o líquido desce como areia. Quando tento levar a mão até minha traqueia, uma dor aguda aflige meu braço direito, e ao tentar erguer a canhota, o mesmo acontece com essa.
— Minnie? Você está com dor?
Jungkook. O tom choroso que nunca ouvi saindo de si traz certa confusão para a minha cabeça. Meus olhos cansados se guiam pela voz embargada do Jeon, e ao pé da cama, próximo a mim, o corpo grandioso encolhido ao meu lado. Seu rosto está molhado por um líquido preto que não identifico.
— O que você fez?
Há mais peso em minha voz do que eu posso administrar. Mesmo com os olhos embaçados para longe, o rosto dele está nítido pela proximidade. Eu nunca vi Jungkook chorando, e se soubesse que a imagem seria tão grotesca, teria me esforçado para não acordar desse maldito sono de morte.
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Doces Óculos; jjk+pjm.
FanfictionJungkook vivia em um mundo de facilidades. Cresceu em uma boa família, sempre teve amor vindo de seus pais e, como todo jovem rico que se preze, cursou uma boa faculdade, tornando-se assim cirurgião geral. Ele nunca teve um motivo real para se ver r...
