Samantha conteve a respiração
observando como a luz matinal
transformava os cabelos ruivos de Olivia em fogo líquido sobre o travesseiro. Seu braço direito permaneceu imóvel sob a
cabeça da garota, adormecido há horas, mas a dor era insignificante comparada ao privilégio de testemunhar aquela rara paz...
Foi então que sentiu: uma pequena mudança no ritmo respiratório. Olivia despertava lentamente, cada músculo descontraindo-se em pequenos estágios. Samantha mordeu o interior da bochecha, reprimindo o impulso de afastar-se. Sua expiração intencionalmente quente no pescoço de Olivia provocou um arrepio que
percorreu ambos os corpos.
Olivia murmurou algo indecifrável contra o travesseiro, suas palavras se perdendo no algodão macio enquanto sentia o nariz de Samantha deslizar levemente pelo seu pescoço. Era um toque tão sutil que poderia ser acidental, mas a deliberação por trás do movimento era inconfundível. O perfume natural de Olivia, indefinivelmente dela, envolveu Samantha como uma armadilha sensorial. Como alguém conseguia cheirar tão bem logo ao despertar? Era quase injusto.
— Você acordou faz tempo? — a voz de Olivia emergiu, ainda sonolenta. Ela não se virou, mantendo-se na posição vulnerável de costas para Samantha, como se o movimento pudesse quebrar a bolha íntima que haviam criado durante a noite.
Samantha sentiu um sorriso se formar naturalmente em seus lábios.
— Alguns minutinhos — respondeu, sua voz ainda rouca pelo sono. — Acho que os passarinhos lá fora querem nos expulsar da cama.
O comentário descontraído de Samantha mascarava a tempestade que se desenrolava em seu peito. Olivia sorriu, e se mexeu, um movimento mínimo que fez Samantha conter a respiração.
— Estou te incomodando? — perguntou, apreciando o bom humor da mulher. Ela sentia o braço de Samantha paradinho abaixo dela, mas não queria sair dali.
— Nunca.
— Hum?
— Você dormiu bem? — murmurou, os lábios tocando a curva da orelha de Olivia. Seu dedo indicador traçou a espinha dorsal exposta, parando milímetros antes da bandagem mais baixa. — Não doeu..?
Olivia arqueou as costas, o cabelo derramando-se sobre o travesseiro em fios desobedientes.
— Não. Você me segurou forte a noite toda... não deu nem pra virar — a mão encontrou a de Sam sob os lençóis guiando-a até o corte raso na barriga. — Além disso, sua mão aqui... fez melhor que analgésico.
A mão de Sam pairou sobre os cortes, seus dedos tremendo antes de se aquietarem na pele quente. Ela mal havia conseguido dormir. Por mais que tivesse mantido os olhos fechados em alguns momentos, o corpo repousado contra o de Olivia, a mente não parava. Uma parte dela dormia com o corpo, a outra permanecia em constante vigília. A cada suspiro mais profundo, cada mexida inquieta, ela acordava. Às vezes, só para ajustar o travesseiro de Olivia, reposicionar o cobertor sobre os ombros dela, checar se o curativo ainda estava no lugar. Outras vezes, apenas para observar. Para garantir que ela ainda respirava tranquila.
Não era medo. Ou talvez fosse. Mas não um medo comum. Não o que se grita ou se confessa. É um medo mudo que se instala e dói no peito, como se ela estivesse sempre à beira de perder alguma coisa que ainda nem tinha de verdade.
— E agora? — questionou, voz sussurrada. — Como se sente?!
Olivia inspirou fundo, virando-se de frente num movimento que fez o lençol deslizar sobre seu torso. Um resmungo escapou-lhe dos lábios quando o tecido áspero roçou a ferida, mas antes que Samantha pudesse recuar, os dedos de Olivia entrelaçaram-se aos dela.
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𝗗𝗜𝗩𝗜𝗡𝗘 𝗟𝗢𝗩𝗘; 𝗦𝗔𝗠 𝗖𝗔𝗥𝗣𝗘𝗡𝗧𝗘𝗥
ФанфикшнA obsessão de Olivia Bowen por Samantha Carpenter começa de forma inofensiva, mas cresce rapidamente em uma necessidade insaciável de ser notada. Assumir a identidade do mascarado que a atormenta parece uma boa ideia de chamar sua atenção. Mas quand...
