Juízo perdido

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Sakura às vezes tem esses arroubos de humor, só não imagino porque ontem foi dessa forma a ponto de não querer falar comigo a noite inteira, ignorando as ligações ou mensagens. Realmente não posso mudar o fato que trabalho com Hana e temos que manter um relacionamento amigável. Claro, percebo que a Inuzuka tem um olhar diferente, mas contanto que eu não corresponda, está tudo certo para mim.

— Kakashi, vem cá. Vamos demonstrar para turma os exemplos de como podemos usar em uma simulação de combate.

Pisco os olhos ao escutar o chamado de Minato-sensei. Um lembrete para focar na aula e parar de me distrair com situações que não tenho conhecimento para entender.

Levanto-me e dou um nó mais forte no quimono preto. O novo fardamento do Hokage Dojo, além do tradicional branco.

O chão de madeira polida do dojo range levemente sob meus pés. Os seis alunos, sentados em posição de seiza, nos observam atentos. Já me acostumei com esse tipo de atenção e não é algo que me incomode mais, pelo menos não no tatame.

Flexiono os ombros e assumo minha postura de combate. Minato, inclina levemente a cabeça, analisando minha posição antes de se preparar.

No primeiro movimento, o sensei avança com rapidez, aplicando um kizami-zuki, um soco frontal rápido com a mão da frente. Recuo ligeiramente, desviando o golpe e contra-ataco com um mawashi-geri, um chute circular alto. Ele se abaixa com agilidade, o cabelo loiro balança no ar, e tenta um ashi-barai, varrendo minha perna com um chute rasteiro. Salto para evitar a queda e giro o corpo, lançando um uraken-uchi, que é um golpe de costas da mão em direção ao rosto dele. Meu professor bloqueia e sorri.

— Prestem atenção à importância do movimento dos quadris. O poder do golpe vem da rotação e não apenas da força dos braços ou pernas — ele explica, mantendo os olhos fixos em mim.

Com a naturalidade de um mestre no seu domínio, Minato-sensei aplica um gyaku-zuki, um soco reverso potente, e eu defendo desviando seu ataque para fora do meu centro de gravidade. Tento um yoko-geri, um chute lateral, mas ele antecipa o movimento e desliza para trás, contra-atacando com um um chute giratório inesperado por mim, contudo dou um passo para o lado, evitando o impacto, e avanço aplicando um teisho-uchi, que é um golpe com a base da palma da mão em seu peito. Ele se mantém firme, absorvendo o impacto com uma postura bem ancorada.

Sem olhar para eles, sei que os alunos nos acompanham com olhos arregalados. Meu professor recua e lança um golpe lateral com a palma da mão. Bloqueio com firmeza e o impacto ressoa por toda a sala. Ainda escuto algumas respirações interrompidas.

— A defesa deve ser firme, mas fluida. Se forem rígidos demais, perderão mobilidade e vulnerabilidade aumenta — ele instrui, e aproveito a mínima distração para tentar um contra-ataque rápido. Lutar contra Minato-sensei sempre me empolga.

Giro o corpo e lanço um golpe de cotovelo, mas o loiro desvia e me empurra com o antebraço. Recuo, encarando-o e atento para antecipar o próximo movimento, mas enxergo além do meu professor.

Perto da porta do dojo, ao lado de Kushina Uzumaki, Sakura me observa. Seu olhar está fixo em mim. Ela morde levemente o lábio inferior, aparentemente hipnotizada e o brilho esmeralda encontra os meus olhos.

A distração dura um instante. O suficiente para um erro.

O meu oponente percebe minha hesitação e gira rapidamente, aplicando um um chute giratório alto. Percebo o golpe vindo, mas reajo um segundo tarde demais. O impacto ainda atinge meu ombro e me desequilibra. Num instante, estou no chão, deitado sobre o tatame.

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