Mar, vinho, morangos e você

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Não foi difícil conseguir as minhas folgas na ONG e no dojô. Como nunca faltei aos meus compromissos, tive algum crédito.

Meu pai pediu que antes que eu viajasse, nós dois pudéssemos sair para jantar. Algo que há muito tempo não fazemos. E qual não foi a minha surpresa quando descemos no La Pecora Nera, o restaurante favorito da minha mãe.

A mesa reservada é a de sempre, e o Chefe parece feliz ao nos receber. E é exatamente, sentado em frente ao meu pai, comendo a minha culinária preferida, spaghetti all'amatriciana, que me questiono a motivação de Sakumo.

Não somos dois estranhos, mas também não somos exatamente próximos. A última vez que saímos foi logo após descobrirmos o agravamento da doença da minha mãe.

— Então esse ainda é o seu prato favorito. — Paro o garfo a meia boca, surpreso pela lembrança, mas percebendo que essa é a desculpa que encontrou para começar um diálogo.

— Não sou uma pessoa que muda as minhas preferências facilmente. — Talvez tenha sido um pouco seco. — Mas sinto-me surpreso por ver que lembra.

— Eu me afastei do que me importa após a morte da sua mãe. Infelizmente pago por isso ao ver que o meu próprio filho não sente conforto em conversar comigo.

— Como você mesmo disse, se afastou, mas não fez isso sozinho, apenas não soubemos lidar com a perda.

Ele coloca os talheres sobre a mesa e toma um gole da sua taça de vinho.

— Quando você amadureceu, Kakashi? — Sorri após engolir todo o líquido vermelho.

— Quando você não estava vendo. — Pisco e pego a minha taça de água. Como estou dirigindo, apenas meu pai está tomando bebida alcoólica.

— Eu quero mudar isso, filho. Será que é possível?

Escoro-me na cadeira e cruzo os braços olhando bem para o homem no qual, fisicamente somos parecidos. Não só nisso. Ambos reservados, só que meu pai exerce um poder com a sua presença, enquanto eu tento ser mais discreto.

Será que é possível? Não é que eu não queira, ou não confie nele, mas me parece estranho tentar.

— Não é que eu não queira, apenas não sei como.

Sim, seria ótimo reaproximar-me dele. Mas será incômodo se for forçado.

— Começamos conversando. — Leva uma mão ao queixo e sorri. — Não peço que me veja como o seu melhor amigo, apesar de querer isso. Mas tudo leva tempo. Eu quero apenas que você me deixe ser o seu pai. Não há nada que eu não faça por você, Kakashi.

Deixar que ele seja o meu pai. O que devo fazer? Confiar os meus problemas a ele? Pedir a sua opinião sobre as coisas que tenho dúvidas e inseguranças? Ele vai me ouvir se eu for contra ao que pensa?

— Bom... Se eu dissesse que quero voltar para Stanford? — Vejo os olhos da cor dos meus brilharem. — Mas não para voltar para o meu curso.

Agora é ele quem se escora no encosto da cadeira e cruza os braços. Suspira olhando para mim e faz um sinal para que eu prossiga. Sei que não é o que pretende, porém percebo o esforço em me escutar, quem sabe me entender.

— Não desejo a carreira jurídica, nunca quis. Fiz apenas para agradá-los.

— Não tem nada a ver com essa cicatriz? — Há muito tempo ele não me pressiona quanto ao que ocorreu, quando me levou para casa após a alta do hospital. Quando eu não quis falar sobre o assunto, disse que foi uma briga. — Nunca acreditei que foi uma briga, você não é disso.

Proposta IndecenteHistórias para pegar e não largar. Descubra agora