Flashback ( 1 ano atrás)
Ângelo Martinez
Observo o corpo de meu pai no caixão e a única coisa que consigo sentir é NADA. A única pessoa com quem tenho um vínculo não me desperta nenhum sentimento. Tiriel Martinez nunca foi dado a afeição, pelo menos não comigo, e muito menos com minha mãe.
Tiriel se casou com minha mãe logo depois de ficar viúvo, precisava de um herdeiro, o herdeiro que ele mesmo tratou de transformar num MONSTRO. Eu. Ângelo Martinez.
Minha infância e adolescência foram aterrorizantes, armas, torturas, corpos, muito sangue e muito desprezo por parte de meu pai. Não me lembro de um único dia, que ele me olhou nos olhos, nem mesmo no enterro de minha mãe, que ele mesmo matou.
Lembro-me bem do dia em que entendi que odiava Tiriel Martinez, entendi o real motivo de ele ser um maldito bastardo comigo.
Era uma tarde de sábado, acabava de fazer 16 anos, e o meu presente, bom, um corpo para esquartejar, eu como o filho obediente que sempre fui, atendi o desejo de meu pai, eram já 22h14, o quarto de Tiriel Martinez estava entreaberto, entrei e encontrei-o, pela primeira em toda a minha vida, chorando, com uma fotografia na mão. Sua primeira mulher, grávida.
Ele olhava para a fotografia com dor e raiva, o quarto tresandava álcool, muito álcool, assim que ele me vê, o seu olhar transmite nojo e repulsa, mas eu não esboço nenhuma reação, aos 16 eu já tinha matado todos os meus sentimentos.
- O que você está olhando? Ahm? Sai daqui! Seu merdinha. - diz com ódio- você nunca seria como ele! A vadia da sua mãe nunca seria como ela! Eu a amei, amei de verdade! Ela não percebia, ela não entendia a minha forma de amar. - brada - eu odeio ter de viver sem ela, eu odeio que o filho que tanto sonhei, o filho da mulher que eu amava tenha morrido. - suspira - só me resta você, um lunático, psicopata, doente, que mal consegue controlar os instintos.
Dei as costas e saí, sem pronunciar uma única palavra, o pior é que ele tem razão, sou um maldito doente, que ama matar e torturar, um monstro, que Tiriel Martinez criou e não soube lidar.
foi aí que eu percebi que competia com uma lembrança.
Até agora.
Na minha frente está Ellanice, empregada da casa há anos. Acoada e com medo ela me olha, ela sabe o quão cruel eu posso ser. Descobri no seu diário, que ela guardava um segredo de meu pai, o filho morto do primeiro casamento de meu pai, está vivo. No meio das pessoas faço um sinal para que ela me siga até ao escritório. Ela cumpre. Então sento na cadeira antes de meu pai, agora minha.
- onde ele está? - pergunto calmamente
- com o irmão mais novo do senhor Martinez. - diz trêmula
- nome.
- Aaron - diz - Aaron Martinez.
- Alguém mais sabe? - pergunto
- só eu, senhor- respondeu
- que bom. Eu fico feliz. - digo levantando e me aproximando dela - pena que... eu detesto testemunhas- digo e planto um tiro na sua testa. E saio sem me importar com o sangue na minha sala.
Caminhado de volta para a sala, todos me olham com medo, é assim que eu gosto. Eu sou o novo chefe. E ninguém pode sequer imaginar que eu tenho um irmão. E nem vão porque ele morrerá.
- Tirem o corpo do meu escritório- digo e deixo o cômodo
Que comece a caçada ao meu querido irmão, que já odeio pelo simples facto de ter algo que eu nunca tive, o amor de meu pai. Abro o notebook e investigo rapidamente a vida do meu "irmãozinho". Vejo sua vida perfeita, com uma família amorosa e felicidade. Eu vou acabar com ela.
- é pai, eu vou acabar com o seu amado filho.
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um presente do destino
DragosteNídia é uma mulher linda, que perde a sua mãe por conta de um câncer, desolada, ela sai pelas ruas desamparada, onde encontra uma linda bebê, abandonada num caxote de lixo, ela fica encantada e cria a bebê como sua filha. Tudo fica bem, até que ele...
