Capítulo 7

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A madrugada se arrastava pelas calçadas vazias quando Jungkook girou a chave da moto. O ronco do motor potente soou alto demais no silêncio do estacionamento do centro de treinamento, ecoando entre os muros altos.

Ao sair pelo portão, notou uma silhueta parada na calçada, a poucos metros dali.

Jimin.

O loiro estava com os braços cruzados, apoiado de leve em um poste de luz, olhando em volta com certa impaciência. O celular estava aceso em sua mão, o que sugeria que estava tentando algum carro de aplicativo.

Jungkook prendeu a respiração por um segundo. Pensou em simplesmente partir. Não era como se Jimin não pudesse se virar sozinho. E ele não devia nada àquele policial atrevido e insolente. Mas algo o incomodava na imagem do outro ali, sozinho, tão deslocado da noite quanto ele próprio.

Droga.

Aproximou-se, ainda com a voz seca.

— Está esperando por alguém?

Jimin se virou devagar, como se já soubesse que era ele.

— Táxi. — Respondeu com um leve suspiro. — Mas parece que a cidade resolveu dormir cedo hoje.

Jungkook olhou em volta. Nenhum farol à vista.

— Meu carro está na oficina. — Jimin acrescentou, antes que ele perguntasse. — Vai demorar uns dias.

Jungkook hesitou, apertando o guidão com mais força do que era necessário. Abriu o baú que ficava na parte traseira da moto, tirando de lá, um capacete reserva que costuma manter para emergências.

— Eu te dou uma carona. — Disse oferecendo o capacete.

— Hm... — Jimin franziu o nariz. — Eu... na verdade, não gosto de motos.

— É uma carona, não um salto de paraquedas.

— Elas andam rápido demais. E são barulhentas. E instáveis. E esse capacete é pouca proteção para o perigo que essas motos oferecem.

Jungkook bufou.

— E você, por acaso, é de vidro?

— Não, mas sou precavido.

— Park, você prefere ser sequestrado por um taxista bêbado às três da manhã ou confiar no seu capitão, que pilota essa moto há anos sem arranhar a pintura? — Deu três tapinhas na lataria da Kawasaki preta.

Jimin o encarou por alguns segundos.

— Você acabou de inventar isso agora, né?

— A parte do taxista? Talvez. A do capitão confiável? Pode apostar que não.

Com um suspiro resignado, Jimin deu dois passos em direção à moto.

— Se eu morrer, a culpa é sua. — Pegou o capacete das mãos de Jungkook.

— Se vier com deboche, te deixo cair.

Jimin não respondeu, apenas pegou o capacete reserva e subiu com cuidado. Colocou as mãos nos ombros de Jungkook com rigidez, como se estivesse lidando com uma superfície escorregadia.

Durante o trajeto, manteve o corpo o mais afastado possível do capitão, o que acabou deixando a viagem ainda mais instável.

Ao chegarem, Jungkook estacionou em frente a uma casa térrea simples, cercada por um pequeno jardim de lírios brancos e arbustos bem cuidados. A fachada era modesta, com uma varanda de madeira e luzes amarelas aquecidas. Jimin desceu com visível alívio.

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