O corredor principal da base estava praticamente vazio. Yoongi caminhava por ele sem pressa, o olhar distante, como se ainda não tivesse acordado direito.
— Ei. — Hoseok apareceu ao dobrar o corredor oposto, com uma caneca de café na mão e os cabelos ainda úmidos. — Sobreviveu a ontem?
— Acho que estou ficando velho, Hobi. As ressacas estão ficando cada vez pior. — Yoongi esfregou a testa com a ponta dos dedos. — A gente deveria ter ido embora junto com o Jungkook.
— Ah, que nada. Era cedo, eu tinha acabado de sair do expediente. Foi uma noite dura, o bar estava cheio de cliente chato. Eu precisava beber um pouco para relaxar.
— Só sei que misturar soju com aquele whisky barato não foi uma boa ideia. Minha cabeça está explodindo.
— Passa na enfermaria e toma um analgésico. Um cafezinho também ajuda.
— É... pode ser. Mas me diz uma coisa, como anda a circulação de informações lá no bar? Alguma pista?
— Sobre as armas... nada ainda. A maioria que passou por lá eram estivadores rotineiros do Porto. Tudo o que consegui tirar deles foi que um navio atracou de mal jeito e alguns contêiners quase caíram no mar.
— Mas eles são seus maiores informantes, não?
— São! Tudo, ou quase tudo, passa por eles. Se eles estranharem alguma movimentação, vão acabar me contando.
— É, o jeito é continuar de olho.
— E o que é isso aí na sua mão. — Hoseok apontou para um envelope branco que Yoongi carregava.
— Ah, isso? — Ele levantou o envelope. — É lição de casa que Jungkook me passou, ontem a noite mesmo.
— E do que se trata?
— Prefiro não dizer. Ele me pediu umas informações do banco de dados da polícia.
— Entendi. — Hoseok deu de ombros. — Segredinhos do chefe. Ele saiu bem puto ontem do bar, né?
— Dava para sentir o cheiro de queimado que saia dele. — Yoongi riu. — Até me assustei na hora que ele voltou, jogando o dinheiro da conta na mesa e dizendo que estava indo embora.
— Bom, certamente tem dedo do Jimin nisso aí. — Hoseok deu um gole no café. — Esse loirinho é fogo no palheiro. Certeza de que ele foi atrás do Jungkook no banheiro, né?
— No banheiro e depois para fora do bar... O que será que aconteceu para ele ficar transtornado daquele jeito?
— Ah, Jungkook é pura gasolina. E Jimin é um isqueiro ambulante. Essa mistura é um perigo! — Hoseok riu, cruzando os braços.
— Você acha que está rolando alguma coisa entre eles? — Yoongi falou mais baixo, olhando para os lados, com medo de que alguém escutasse.
— Onde tem fumaça tem fogo, meu caro. Só espero que ninguém saia queimado.
— Jimin que se cuide...
— Jimin? Quem tem que se cuidar é o Jungkook. Aquele ali parece ser encrenca das boas!
— Bom... — Yoongi deu de ombros. — Deixa eu ir entregar isso logo para o capitão. Te vejo mais tarde, Hobi.
— É, boa sorte para eles. — Deu mais um gole no café, o vapor passando rápido entre os dois, e seguiu o corredor, deixando no ar um leve cheiro de xampu misturado com cafeína.
Yoongi ficou por um instante olhando as costas do amigo, antes de seguir em direção à sala de reuniões.
O policial parou diante da porta com o envelope ainda firme em mãos. Não havia identificação do lado de fora, apenas o peso discreto de algumas folhas.
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Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
