O comboio seguiu em silêncio, deslizando pelas ruas industriais como sombras treinadas para não chamar atenção. Jin e Hoseok ocupavam o carro de apoio, discreto e funcional. Já Jungkook dirigia o segundo veículo, com Jimin ao seu lado, os dois envoltos num silêncio espesso. O rádio estava ligado no canal principal, mas quase não havia trocas. Yoongi mantinha o drone em voo à distância, monitorando as imagens com precisão cirúrgica.
— Caminhão-alvo em movimento. Três minutos de atraso. Rumo norte. — informou a voz arrastada de Yoongi, abafada por chiados esparsos.
Jimin, com o tablet no colo, verificava os pontos da rota projetada. Seus olhos se moviam entre a tela e o retrovisor. Observava, também, pelos cantos dos olhos, Jungkook. O capitão segurava o volante com uma das mãos. O braço esticado, os olhos duros como se pudessem atravessar os vidros escurecidos do carro e ver além da curva seguinte. Seu torso estava coberto pelo colete tático, robusto e à prova de balas.
— Atenção. — Voltou Yoongi. — Estou detectando interferência. Se perdermos sinal, sigam para o ponto de interseção dois. Está marcado no mapa secundário, coordenadas 39º19'.
Um ruído agudo cortou a frequência. Depois, silêncio.
— Yoongi? — Jin chamou no rádio. Nenhuma resposta.
Jungkook apertou os dedos no volante e reduziu a velocidade, os pneus deslizando com cautela sobre o asfalto rugoso.
— Vamos aguardar. — disse, mas seus olhos já buscavam algo fora do roteiro.
— Ele desviou. — Jimin apontou para a tela. — O caminhão virou na lateral. Não estava na rota. A seta acendeu, mas a curva não constava no plano.
— Pode ser um desvio de rotina. — Jungkook considerou, mas a dúvida já roía seus instintos.
— Ou pode ser o momento. — Jimin disse, como quem provoca um cabo exposto de tensão elétrica.
Jungkook hesitou por meio segundo. Então virou o volante.
— A gente vai com cautela.
— Uau — murmurou Jimin, com um sorriso enviesado. — Improvisando?
— Não se acostume.
A entrada do galpão surgiu por trás de um paredão enferrujado. As luzes amareladas mal iluminavam o letreiro antigo, quase ilegível, coberto por trepadeiras.
Jungkook encostou o carro em local mais escuro, o motor silenciado com precisão.
— Vamos a pé. Sem comunicação, seguimos protocolo B.
— Finalmente alguma ação! — disse Jimin, empolgado, descendo do carro enquanto ajeitava o pesado colete em seu corpo.
— Cautela, Park. Nada de heroísmo.
— Heróis só existem nos quadrinhos, capitão.
Avançaram lentamente entre pilhas de contêineres desgastados, o cheiro de óleo e ferrugem impregnando o ar úmido. O chão, irregular, silenciava seus passos com uma camada de poeira e areia.
Dentro do galpão, o caminhão estacionara sob uma plataforma de carga. Homens descarregavam caixas com rapidez. Três estavam aparentemente armados. Dois deles vigiavam a entrada com olhos atentos, os dedos inquietos nas coronhas de rifles automáticos.
Jungkook levantou o pequeno binóculo tirado de um dos bolsos.
— Três homens armados. Um com colete. Provavelmente segurança da carga. E essas caixas... Não parecem estar tão pesadas.
Jimin, agachado ao seu lado, observava por cima do ombro do outro.
— Estão movimentando a carga depressa. Parece que sabem que não têm muito tempo. — murmurou.
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Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
