Capítulo 9

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O comboio seguiu em silêncio, deslizando pelas ruas industriais como sombras treinadas para não chamar atenção. Jin e Hoseok ocupavam o carro de apoio, discreto e funcional. Já Jungkook dirigia o segundo veículo, com Jimin ao seu lado, os dois envoltos num silêncio espesso. O rádio estava ligado no canal principal, mas quase não havia trocas. Yoongi mantinha o drone em voo à distância, monitorando as imagens com precisão cirúrgica.

— Caminhão-alvo em movimento. Três minutos de atraso. Rumo norte. — informou a voz arrastada de Yoongi, abafada por chiados esparsos.

Jimin, com o tablet no colo, verificava os pontos da rota projetada. Seus olhos se moviam entre a tela e o retrovisor. Observava, também, pelos cantos dos olhos, Jungkook. O capitão segurava o volante com uma das mãos. O braço esticado, os olhos duros como se pudessem atravessar os vidros escurecidos do carro e ver além da curva seguinte. Seu torso estava coberto pelo colete tático, robusto e à prova de balas.

— Atenção. — Voltou Yoongi. — Estou detectando interferência. Se perdermos sinal, sigam para o ponto de interseção dois. Está marcado no mapa secundário, coordenadas 39º19'.

Um ruído agudo cortou a frequência. Depois, silêncio.

— Yoongi? — Jin chamou no rádio. Nenhuma resposta.

Jungkook apertou os dedos no volante e reduziu a velocidade, os pneus deslizando com cautela sobre o asfalto rugoso.

— Vamos aguardar. — disse, mas seus olhos já buscavam algo fora do roteiro.

— Ele desviou. — Jimin apontou para a tela. — O caminhão virou na lateral. Não estava na rota. A seta acendeu, mas a curva não constava no plano.

— Pode ser um desvio de rotina. — Jungkook considerou, mas a dúvida já roía seus instintos.

— Ou pode ser o momento. — Jimin disse, como quem provoca um cabo exposto de tensão elétrica.

Jungkook hesitou por meio segundo. Então virou o volante.

— A gente vai com cautela.

— Uau — murmurou Jimin, com um sorriso enviesado. — Improvisando?

— Não se acostume.

A entrada do galpão surgiu por trás de um paredão enferrujado. As luzes amareladas mal iluminavam o letreiro antigo, quase ilegível, coberto por trepadeiras.

Jungkook encostou o carro em local mais escuro, o motor silenciado com precisão.

— Vamos a pé. Sem comunicação, seguimos protocolo B.

— Finalmente alguma ação! — disse Jimin, empolgado, descendo do carro enquanto ajeitava o pesado colete em seu corpo.

— Cautela, Park. Nada de heroísmo.

— Heróis só existem nos quadrinhos, capitão.

Avançaram lentamente entre pilhas de contêineres desgastados, o cheiro de óleo e ferrugem impregnando o ar úmido. O chão, irregular, silenciava seus passos com uma camada de poeira e areia.

Dentro do galpão, o caminhão estacionara sob uma plataforma de carga. Homens descarregavam caixas com rapidez. Três estavam aparentemente armados. Dois deles vigiavam a entrada com olhos atentos, os dedos inquietos nas coronhas de rifles automáticos.

Jungkook levantou o pequeno binóculo tirado de um dos bolsos.

— Três homens armados. Um com colete. Provavelmente segurança da carga. E essas caixas... Não parecem estar tão pesadas.

Jimin, agachado ao seu lado, observava por cima do ombro do outro.

— Estão movimentando a carga depressa. Parece que sabem que não têm muito tempo. — murmurou.

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