🔥 Preparados? 🔥
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O suor ainda escorria pela nuca de Jungkook quando ele empurrou a porta pesada do centro de treinamento. O espaço estava silencioso, quase fantasmagórico sob as luzes frias que permaneciam acesas mesmo à noite.
A corrida havia sido longa, uma tentativa falha de exorcizar os pensamentos que insistiam em retornar como ecos incômodos. Nenhuma velocidade, nenhum quilômetro percorrido foi capaz de apagar a memória. O corpo reagia como se estivesse sendo provocado de novo, a cada lembrança.
No vestiário, ele largou a toalha sobre o banco, puxando a camisa encharcada pela cabeça e deixando o ar frio tocar sua pele úmida. Girou a combinação do armário, já pronto para se despir completamente e mergulhar na água gelada de um banho rápido. Precisava esfriar.
Um som abafado e distante, o ruído contínuo de água batendo contra o piso de azulejo, chamou sua atenção. Jungkook franziu o cenho, os músculos tensos num reflexo imediato. Não esperava ninguém ali. Avançou alguns passos, guiado pelo instinto, até alcançar a entrada da ala dos chuveiros coletivos.
O vapor escapava tomava conta do espaço. O ar quente contrastava com a corrente fria que ainda percorria o seu corpo. Um passo, outro, até que seus olhos finalmente se fixaram em uma silhueta.
E ele parou.
Jimin.
De costas para ele, a água escorrendo pelos fios loiros. O vapor realçava os contornos definidos, o movimento natural de músculos que relaxavam sob o banho. Havia uma harmonia quase cruel naquela imagem, em cada curva desenhada.
O olhar de Jungkook desceu até encontrar a tatuagem que se estendia pela coluna: as fases da lua, do crescente até o círculo pleno, e de volta ao vazio.
Ele ficou imóvel, o ar preso no peito. Não sabia se era pelo impacto estético ou pela violência íntima de se sentir capturado por aquela visão. Tudo nele gritava para virar as costas, para respeitar o espaço, para não permitir que a fronteira invisível fosse ultrapassada. Mas não conseguiu.
Um arrepio percorreu a pele já suada, misto de frio e desejo, de proibição e atração. Ele odiava aquela sensação. Odiava porque era incontrolável. Porque era exatamente o que vinha tentando negar.
E ali, diante dele, Jimin era o mistério e a resposta, a tentação e a ruína, o enigma que Jungkook queria decifrar e destruir ao mesmo tempo.
Jungkook permaneceu ali, estático, como se os pés tivessem fincado no piso frio.
O vapor se adensava ao redor, desfocando os contornos, mas não o suficiente para apagar a visão diante dele.
Cada gota que escorria pelo corpo de Jimin parecia atravessar o próprio Jungkook, marcando seu caminho na memória.
Ele seguiu o traço da tatuagem com os olhos, como se pudesse sentir o relevo da tinta sob a ponta dos dedos. O ciclo lunar gravado na pele do outro era um convite mudo: constante, inevitável, impossível de ignorar.
Jungkook engoliu em seco, o som alto demais em seus próprios ouvidos. O instinto militar gritava que deveria recuar, mas algo, mais algo visceral e indomável, o mantinha ali.
Seus olhos percorriam, contra toda a disciplina, os músculos das costas, o desenho da cintura, o modo como a água se acumulava no arco da lombar antes de descer pelas curvas até desaparecer. E quanto mais tentava desviar o olhar, mais preso se sentia.
Um calor incômodo começou a se espalhar por dentro, não vindo do vapor, mas da reação involuntária que se recusava a admitir. A mesma reação que Jimin parecia despertar com um simples olhar, um sorriso enviesado, uma provocação sussurrada.
Ele fechou os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle da respiração. Inspirou fundo, o ar úmido entrando como se fosse fogo em seus pulmões.
Quando tornou a abri-los, Jimin ainda estava ali, imóvel sob o jato d'água.
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Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
