As mãos de Jungkook, antes presas nos pulsos de Jimin, deslizaram pelo corpo dele com uma pressa quase bruta, descendo pela cintura até encontrar o quadril. Puxou-o mais contra si, colando os corpos sem espaço algum entre eles.
Jimin em êxtase, arqueava levemente as costas, oferecendo-se àquela força. Jungkook passou a palma aberta pelas costas molhadas, sentindo cada músculo definido sob a pele quente, até alcançar a curva da lombar.
— Ah, capitão... — Escapou manhoso da boca de Jimin entre um beijo e outro.
A mão do loiro subiu pela nuca de Jungkook, puxando os fios úmidos de suor, prendendo-o ainda mais ao contato.
Mas então, um barulho. Um estalo metálico, seguido de passos abafados no corredor.
Jungkook congelou. O coração disparou com a mesma intensidade de um tiroteio.
Sem pensar, agarrou Jimin pela mão e o puxou bruscamente para a cabine mais próxima. A porta de metal rangeu baixo quando ele a fechou, trancando-os no espaço estreito.
O capitão encostou Jimin contra a parede fria, o corpo inteiro colado ao dele. Levou um dedo aos lábios do loiro, o olhar duro, ordenando silêncio.
Jimin apenas sorriu contra o toque, os olhos brilhando com a adrenalina, sem o menor sinal de desconforto.
Os passos ecoaram por alguns segundos, depois, silêncio.
Jungkook tirou o dedo dos lábios de Jimin, mas permaneceu próximo demais, o peito subindo e descendo rápido.
— Você quase nos colocou em risco. — Sussurrou, a voz carregada de tensão.
Jimin ergueu o queixo, o sorriso provocador intacto.
— Eu? — Tentou soar inocente. — Mas eu não fiz nada...
O capitão fechou os olhos por um segundo, como se buscasse forças para se recompor. Recuou de repente, abrindo a porta da cabine. Saiu apressado, cruzando o vestiário com passos pesados.
Pegou a mochila no banco, enfiou a camiseta seca por sobre a cabeça e jogou a jaqueta de couro por cima dos ombros. Evitava olhar para trás, como se a simples visão de Jimin fosse capaz de arruinar a última defesa que restava. Precisava ir embora o quanto antes.
Jungkook ajeitava a mochila no ombro, os passos rápidos pelo corredor silencioso, quando quase colidiu com uma figura que vinha no sentido contrário.
— Capitão? — Hoseok ergueu as sobrancelhas. — A essa hora?
Jungkook parou por um instante, o coração ainda acelerado.
— Corrida. — Respondeu seco. — Vim treinar sozinho.
— Corrida... entendi. — Os olhos dele percorreram Jungkook, demorando mais do que deveriam no rosto ainda levemente corado, no cabelo úmido colado à testa. — Engraçado. Você parece muito mais suado e ofegante agora do que quando termina os treinos oficiais.
Jungkook contraiu a mandíbula, desviando o olhar.
— Não enche, Hoseok. Vai logo para o trabalho.
Mas o outro não se moveu de imediato. Apenas cruzou os braços, sorrindo de canto.
— Relaxa, não vou perguntar nada. Só achei curioso. — Deu um passo para o lado, abrindo espaço. — Você não tem cara de quem estava apenas correndo... está mais para fugindo de alguma coisa... de alguém?
Os olhos de Jungkook se ergueram num reflexo, fixando o amigo com firmeza.
— Você anda falando demais.
Hoseok ergueu as mãos, rindo baixo, como quem se diverte mais do que deveria.
— Está certo, capitão. Fico na minha. Segredos não são problema. Eu só observo.
Jungkook não respondeu. Passou por ele sem olhar para trás, cada músculo rígido como se quisesse fugir do alcance daquela provocação.
Desceu os degraus do prédio com passos pesados, cada um acompanhado pelo som insistente da própria respiração. O ar frio da noite lhe bateu no rosto como um tapa bem-vindo. Precisava daquilo, algo que esfriasse o fogo que ainda queimava sob a pele.
Atravessou o estacionamento até onde sua moto o esperava, silenciosa sob a luz amarelada dos postes. A Kawasaki Ninja preta reluzia como uma extensão de si mesmo.
Ele passou o capacete pela cabeça com um movimento rápido, ajustando a tira sob o queixo, e montou no banco com familiaridade. O motor rugiu quando girou a chave, um som grave que quebrou o silêncio da noite.
Sem pensar duas vezes, acelerou.
As ruas de Busan se abriram diante dele. A velocidade era uma fuga. Cada curva fechada, cada reta engolida pelo motor potente, era uma tentativa desesperada de apagar a lembrança da boca de Jimin contra a sua, do peso do corpo dele colado ao seu.
Mas não adiantava. Quanto mais corria, mais sentia o gosto ainda presente nos lábios, a sensação latejante nos dedos que haviam segurado Jimin com força contra o metal.
Os faróis dos carros passavam por ele como riscos de luz. A cidade, grande demais para segredos pequenos, parecia ainda assim conspirar para lembrá-lo do que queria esquecer.
Acelerou mais, como se a máquina pudesse engolir as memórias junto com o vento.
Somente quando as ruas começaram a esvaziar e o caminho se tornou familiar demais, Jungkook reduziu a velocidade. Minutos depois, entrou com a moto no estacionamento do prédio discreto onde morava.
O motor silenciou, mas o coração continuava disparado.
Subiu os andares quase no automático, até destrancar a porta de seu apartamento. Bam o recebeu prontamente, com alegria. Lambeu o rosto de seu tutor como se desse as boas vindas ao lar.
Jungkook afagou as orelhas de seu cão, conseguindo relaxar brevemente. Jogou-se no sofá, sendo seguido por Bam, que deitou ao seu lado.
Esfregou as têmporas com a ponta dos dedos. O beijo ainda queimava em sua boca, mas junto dele crescia a culpa, o arrependimento. Uma lâmina fria que cortava fundo.
Ele tinha cedido. Ele, o capitão, responsável por manter a equipe coesa, por garantir que todos estivessem focados na missão. E em vez disso, havia beijado um dos seus.
Era errado demais. Errado em todos os níveis possíveis.
Jimin estava sob sua responsabilidade, em meio a uma investigação delicada, e ainda assim Jungkook havia perdido o controle. Não apenas como líder, mas como homem, tinha ultrapassado uma linha que não podia ser apagada.
A lembrança do corpo dele pressionado contra os armários, do sabor quente de sua boca, era tão nítida.
Respirou fundo, tentando recuperar o mínimo de clareza. Precisava se lembrar do motivo pelo qual estavam ali. Do perigo real. Do risco de tudo ruir se ele perdesse a disciplina de novo.
E mesmo assim, no fundo, a verdade era cruel: ele queria sentir aquilo outra vez.
******
Deixem comentários, por favor!
Preciso saber o que vcs estão achando!
Até o próximo capítulo!
VOCÊ ESTÁ LENDO
Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
