O relógio marcava pouco depois das nove da manhã quando todos se acomodaram na sala de reuniões. Jungkook entrou por último, seu olhar percorreu a mesa rapidamente, parando por um instante em Jimin, já sentado de frente para ele. O loiro sustentou a expressão neutra, como se a noite anterior tivesse se dissolvido no ar. Nenhum traço de provocação à primeira vista.
Namjoon estava presente, o que já dizia muito. Não costumava participar das reuniões operacionais menores, mas o fato de ocupar a cabeceira deixava claro que a conversa teria peso.
— Hoseok, você pediu a palavra. — Jungkook iniciou, cruzando as mãos sobre a mesa. — Vamos direto ao ponto.
O policial ajeitou-se na cadeira, pigarreando antes de começar.
— Ontem à noite apareceu alguém novo no bar. Não parecia da região. Não era coreano. Ele falava o idioma, mas com sotaque carregado, com certa dificuldade na pronúncia das palavras.
— Estrangeiro? — Yoongi estreitou os olhos.
— É. E o comportamento dele não batia com o de um cliente qualquer. Quase não bebeu, ficou observando mais do que participando. No fim, deixou uma gorjeta alta demais para a conta. Mas não foi isso que chamou minha atenção. — Hoseok inclinou-se sobre a mesa. — Quando saiu, discretamente passou um papel para um dos estivadores que costuma aparecer lá.
— Você conseguiu ver o conteúdo? — Namjoon anotava, o rosto impassível.
— Não, estavam muito longe do balcão. Mas não parou aí. — Hoseok respirou fundo. — Eu precisei ir nos fundos do bar por alguns minutos. Foi quando ouvi dois homens conversando baixo, deviam achar que estavam sozinhos. Falaram sobre uma carga chegando em horário incomum, madrugada, fora dos registros. Parecia importante.
Um silêncio pesado caiu sobre a mesa. Jungkook apoiou o queixo na mão, os dedos tamborilando discretamente contra os lábios, processando a informação.
— Uma carga não registrada é prioridade máxima. — disse Jin, direto. — Isso pode ser o que estávamos esperando.
Hoseok assentiu, mas não terminou. Tirou do bolso um guardanapo amassado e o colocou no centro da mesa.
— Encontrei isso entre as contas. Como se alguém tivesse feito questão de deixar.
No papel, rabiscado com pressa, lia-se:
Os navios têm mais olhos do que marinheiros.
Um silêncio caiu.
— Isso é um recado. — Yoongi murmurou, sério. — Alguém está observando a gente. De perto.
Namjoon inclinou-se, analisando as palavras.
— Pode ser código. Ou uma ameaça velada. Seja como for, significa que não estamos trabalhando às cegas. Eles também estão nos vendo.
Jungkook cerrou os punhos sob a mesa. Sentia o peso de uma rede invisível se fechar em volta deles.
Foi nesse momento que seus olhos, por instinto, buscaram Jimin. O loiro estava sentado de frente para ele, a postura tranquila, quase displicente. Jungkook tentou se concentrar no bilhete, mas foi obrigado a engolir seco quando percebeu o movimento sutil. Jimin, devagar, abriu um botão da camisa. Depois outro.
O tecido se afastou levemente, revelando a linha suave da clavícula, a pele lisa e firme sob o tecido. Não houve disfarce. Ele fez aquilo enquanto sustentava o olhar de Jungkook, como se fosse um gesto casual, mas planejado para ser visto.
O capitão desviou os olhos rápido, a garganta seca. Mas tarde demais, já havia fixado a imagem na mente.
Yoongi, sentado ao lado, não perdeu o detalhe. Seus olhos estreitaram-se, avaliando a troca silenciosa entre os dois. Não disse nada, mas anotou mentalmente cada segundo.
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Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
