Os carros estacionaram lado a lado, faróis apagados, motores desligando devagar. Ninguém falou muito. O cansaço e a tensão pesavam mais do que os coletes.
Assim que os veículos estacionaram, a equipe se dispersou aos poucos, sem muitas palavras.
Hoseok retirou o colete à prova de balas, sentindo o alívio do peso em seu corpo. Jin, ainda fazia anotações sobre o que haviam descobertos, não queria perder nenhum detalhe. Yoongi foi até a sala de vigilância deixar os equipamentos usados na missão, ainda visivelmente irritado com a invasão que não conseguiu barrar.
Jungkook fechou a mala de equipamentos, guardando os rádios de comunicação e levando-os para a área técnica para serem revisados no dia seguinte. Ao voltar para o pátio, cruzou com Hoseok, que jogava a mochila nos ombros, pronto para ir embora.
— Onde está Jimin? — Jeon perguntou notando a ausência dele.
— Acho que o vi indo em direção ao refeitório, mas não tenho certeza.
Jungkook hesitou. Poderia apenas virar as costas e ir embora, mas não conseguiu deixar o centro de treinamento ser ter a certeza de que toda a equipe já havia se retirado.
Deixou o pátio em passos firmes. O corredor que levava ao refeitório estava às escuras, iluminando-se aos poucos através de sensores de presença.
Ao empurrar a porta, encontrou Jimin sentado no fundo do salão, sozinho. Apenas uma lâmpada amarelada estava acesa, lançando um brilho que escorria sobre seus cabelos claros. O dourado captava a luz de um jeito quase irreal, acentuando o contraste com o rosto delicado, que parecia mais jovem do que realmente era.
À frente, um copo fumegava. Ele mantinha as mãos em volta da porcelana, como se buscasse calor. Não parecia cansado, mas distante. Os olhos semicerrados, perdidos em algum ponto do vazio.
Jungkook parou alguns segundos antes de se aproximar. Observou sem querer. Sempre lhe parecia estranho como alguém com feições tão limpas, quase suaves, carregava a função mais precisa e letal da equipe. O rosto que poderia ser confundido com o de um idol, iluminado pela lâmpada fraca, era o mesmo que, poucas horas antes, permanecera impassível atrás da mira de um rifle. De certo modo, aquilo o fascinava.
Enfim, avançou com passos cuidadosos, parando de frente para Jimin.
— Café? Uma hora dessas? — Tentou soar casual. — Não vai conseguir dormir.
Jimin ergueu os olhos, lentos, como se tivesse voltado de muito longe. A voz saiu baixa, neutra.
— Não é café. É chá. — Levou a xícara aos lábios, sorvendo uma pequena porção.
Jungkook franziu levemente o cenho. Reparou então nos detalhes: os ombros um pouco curvados, a rigidez das mãos ao redor da caneca, o olhar que se mantinha firme, mas distante.
E foi nesse instante, quando ajeitou o corpo para se aproximar, que percebeu o pequeno caderno aberto sobre a mesa.
Jungkook inclinou-se um pouco, sem conseguir evitar. O caderno estava aberto na metade, a caneta encostada ao lado. Na página, datas alinhadas em coluna e, ao lado de cada uma, pequenos traços marcados, como quem risca dias de um calendário. Mas não eram dias.
Ele entendeu rápido. Cada risco correspondia a uma vida tirada em combate. E a soma não era pequena.
Deu a volta pela mesa, arrastando a cadeira para se sentar ao lado dele. Jimin não fechou o caderno, não escondeu. Apenas manteve os olhos no vapor que subia do chá.
— Você não vai para casa? — Jungkook quebrou o silêncio, a voz firme, mas baixa.
Jimin demorou alguns segundos para responder.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
