A luz fria refletia sobre o tampo metálico da mesa de reuniões. Espalhados por ela, mapas detalhados do porto de Busan se abriam como nervuras de um organismo complexo: rotas de carga, depósitos antigos, vias de acesso secundárias, registros alfandegários, e tudo minuciosamente analisado e marcado por anotações à mão.
Jungkook estava em pé, com os braços cruzados, o cenho franzido, e o olhar fixo num dos mapas como se quisesse antever cada passo do inimigo. Vestia o uniforme escuro, sem colete, mangas dobradas até os cotovelos. Os músculos do antebraço tensionados revelavam a rigidez de quem não relaxava há dias. A mandíbula cerrada e a expressão impenetrável denunciavam que algo em seu interior estava em guerra com ele próprio.
Era uma missão importante. Talvez a mais importante de sua carreira até ali. Não apenas pela relevância da carga, pelas armas que estavam sendo contrabandeadas em solo nacional, mas porque havia olhos observando. Superiores. O governo. A imprensa, em breve.
Ele abaixou-se um pouco, puxando um dos dossiês fotográficos para mais perto. Entre as páginas, imagens noturnas do porto, captadas por drones e câmeras de vigilância. Galpões abandonados, muros cobertos por grafites antigos, luzes artificiais iluminando parcialmente as vias de acesso.
E então, congelou.
Uma das imagens. Um corredor estreito, com o asfalto úmido e irregular. Um poste tombado ao fundo. Um reflexo tênue de luz sobre o chão escuro.
Seu estômago se contraiu.
Aquela imagem. Aquela cena. Era absurdamente parecida com os seus pesadelos. O mesmo corredor, a mesma umidade, a mesma sensação sufocante de estar sendo observado.
Um arrepio percorreu sua nuca.
Jungkook afastou a imagem do restante das folhas, trazendo-a para mais perto. Inclinou o rosto, tentando identificar se sua mente não estaria apenas fazendo associações equivocadas, brincando com ele, alimentada pelo estresse e pelas poucas horas de sono.
Mas não parecia uma coincidência.
Era como se parte do que o assombrava à noite estivesse, finalmente, assumindo forma no mundo real.
— Posso entrar?
Jungkook endireitou o corpo com rapidez. A foto ainda em sua mão, mas já parcialmente coberta por outra folha que ele empurrou por cima com naturalidade.
— General Kim! — Saudou, batendo continência.
Namjoon entrou com passos calmos, medidos. O uniforme impecável, a expressão serena, mas firme. Um homem que parecia carregar cinquenta quilos de responsabilidade com a mesma leveza de quem carrega uma pasta de couro.
— Está sozinho?
— Sim, senhor.
Namjoon caminhou até a mesa, apoiando as mãos sobre um dos mapas.
— Impressionante o nível de detalhamento. — Passou os olhos pelas marcações feitas a caneta. — Eu reconheceria sua letra mesmo de longe.
— Gosto de ter controle sobre o cenário antes de entrar nele. — Jungkook respondeu, direto, recobrando o tom firme.
— E o cenário? — Namjoon o encarou. — Está sob controle?
Jungkook hesitou por um segundo. Depois, assentiu.
— Avançamos consideravelmente. Já confirmamos o trajeto dos caminhões e a localização exata do galpão que tem servido como depósito de transbordo. Conseguimos, com ajuda da equipe de inteligência, dados cruzados de embarques que não constam nos registros oficiais. Eles estão usando containers alterados para transportar armamento.
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Parabellum
RomanceO capitão das forças especiais da polícia da Coréia do Sul, Jeon Jungkook, se prepara para sua mais nova e importante missão de sua carreira. Entre os homens sob o seu comando está Park Jimin, atirador de elite, que vai tirar não só o sossego dos b...
