Capítulo 41

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Eleanor Quinn

Mesmo na escuridão, ele ainda estava lá. Eu ainda podia sentir seu cheiro. Seus toques por toda minha pele. Seu olhar quase abrindo um buraco em mim.

Acho que nenhuma droga acabaria com essas sensações, nenhuma droga tiraria ele da minha mente, porque ele, por si só, já é uma droga que eu nunca deveria ter experimentado.

Então, depois de Deus sabe quanto tempo, acordei. Percebi que ainda estava em meu quarto, mas agora tinha uma bolsa de soro ao lado da minha cama conectada à minha veia e meu pai estava dormindo no sofá embaixo da janela.

Toda aquela raiva por ele voltou. Como ele conseguia dormir tão pacificamente tendo feito o que fez? Sem arrependimento? Sem culpa? Enquanto tudo isso me consumia até os miolos?

Com raiva, tirei o acesso da minha mão e levantei, o que o fez acordar.

- Eleanor? - sentou-se.

Meu nome em sua boca me doía os tímpanos.

Seus olhos percorreram meu corpo, o sangue da veia escorrendo até o chão.

- Está maluca? Primeiro tenta se matar e agora... - ficou de pé, mas não se aproximou. - Isso é tudo culpa daquele desgraçado, eu sempre te avisei para ficar longe dele, porra!

Se ele dissesse isso dias atrás, eu até poderia concordar, como uma idiota, porque, esses anos todos, eu realmente acreditei nele. Mas, agora? Tudo que mais quero é que ele pague pelo o que fez.

- Eu não tentei me matar.

- Ah, claro, tomar vários calmantes certamente não é suicida. - A zombaria me fez respirar fundo para não gritar. - O que eu faço com você, hein? O que mais posso fazer? Fiz aquele garoto ir para a cadeia por você, para te manter protegida, mas, depois que ele saiu, você insistiu em ir até ele e deu no que deu. Ele é uma má influência, Eleanor, igual o idiota do pai. Nenhum naquela família presta.

- Cala a boca! - o alívio foi súbito em minha mente por finalmente dizer essas palavras. - Você o odeia, mas é mais filho da puta do que ele jamais foi, pai!

Nunca em minha vida gritei assim com meu pai. Sempre mantive a calma, conversava ao invés de brigar, mas, cacete, a cada palavra que passa pela boca dele a mentira parece crescer mais.

Odeio a forma que ele age, como se fosse santo, como se não fizesse nada de errado, como se fosse inteiramente perfeito.

- Você... sua vagabunda! - a ardência foi instantânea em meu rosto e meus olhos se arregalaram.

Ele me bateu?

- Eu sabia que tinha transado com aquele filho da puta, e agora acha que pode gritar comigo, vadia? Ele te contaminou, Eleanor, te fez fugir, mentir e me desobedecer! - os fios ruivos entrelaçaram em seus dedos e foram puxados, fazendo-me olhar diretamente para ele. - Quer ser uma vadiazinha para ele, Eleanor? Quer destruir tudo que te resta por causa de um merda que nem ele, Eleanor? É isso que você quer, hum? Acha que sabe de tudo, quer crescer pra cima de mim, então vamos.

Ele me tirou da cama de repente, ainda me segurando pelos cabelos. Fui arrastada aos gritos até o banheiro, o sangue escorrendo da minha veia deixando um rastro pelo caminho. Quando chegamos, ele simplesmente me jogou dentro do banheiro, passando por mim para ir até a banheira e começar a enchê-la.

- Pai... - sussurrei.

Minha cabeça doía tanto pelo puxão de cabelo quanto pela tontura. As paredes começaram a se misturar e girar ao meu redor, mas meu pai não pareceu se importar com o meu estado; pegou os comprimidos que eu tomei e jogou todos na banheira, gritando palavras confusas demais para que eu conseguisse entender nesse momento.

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