Capítulo 38

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Eleanor Quinn

Ele sabia de tudo que eu sentia como se pudesse apenas sentir também.

Amá-lo era compartilhar tudo. Porque é esse o tipo de amor do Maven. Você não o ama pela metade. Você não o ama só em certos momentos. Você se joga naquilo sem nem perceber, sem nem pensar nos perigos e consequências desse amor.

Esse foi o meu erro.

Eu me apaixonei rapidamente, não houve pausa ou sequer um breve momento em que eu simplesmente parei para pensar no quanto eu estava me afundando. Não me culpo por isso, não tinha como eu prever o futuro.

Mas no final, eu me machuquei.

O que no começo era beijos no telhado da escola durante a noite, fugir dos nossos pais, matar aula na biblioteca e trocar olhares nas aulas se tornou fogo. Um fogo vívido e quente que acabou me queimando até virar cinzas.

[...]

Pensei que a verdade era uma das coisas que Maven mais admirava. O que é estranho até você perceber que ele se esconde para não se abrir, mesmo te pedindo para confiar nele. Como se confiar em alguém que não se revela? A base do que temos é a confiança, essa é a base do amor e de praticamente todas as relações. Como se constrói as paredes se essa base não existe? Não há amor se não há confiança.

Eu só queria ajudá-lo. Dizer que eu estaria ali independente de tudo, mas ele não quis.

Não impeço as lágrimas de escorrerem, tampouco o soluço de deixar meus lábios enquanto ando de volta para a casa até sentir meu celular vibrar em minha mão.

''Fiquei sabendo do que aconteceu. Quer dar uma volta?''

Era Matteo.

A última coisa que eu quero no momento é vê-lo; na verdade, não quero ver ninguém. Ainda assim, aceito, porque talvez ele me diga coisas que o irmão não pode, não quis e nem pensou em dizer.

''Me manda a sua localização que eu já chego aí.''

Fiz o que ele pediu, me sentando na calçada.

O céu perto das 19:00 me atraía, até que eu estivesse flutuando nele de volta para todas as vezes que estive vendo-o com Maven. Podia até ouvir, sentir suas palavras logo atrás de mim e, por um momento, penso em me virar para ver se ele realmente estava ali. Mas ali, na calçada, como uma trouxa, eu era a única presente, não havia Maven, não havia beijos, não havia palavras tão bonitas para minha mente se embebedar. Nada que fizesse todo aquele vazio que eu sentia em casa ir embora.

Levanto-me e vou até um pequeno mercadinho do outro lado da rua, indo até o caixa onde sei que teria um maço de cigarro e pego um.

Boa noite. — O senhorzinho do caixa diz.

Oi, boa noite.

Dia ruim? — pegou uma sacola para o maço e me entregou.

É... pode-se dizer que sim.

Bom, não posso dizer que sei de tudo, mas sei que isso vai passar.

— Um isqueiro me ajudaria muito. Tem um para me emprestar? — ele procurou por algo em seu bolso e me entregou um isqueiro preto. — Obrigada.

Abri a caixa de cigarros e peguei um deles. Não sei como fumar, nunca sequer tentei, mas acho que de tanto vê-lo fumando consegui acender o cigarro com certa facilidade, devolvendo o isqueiro para o senhor e indo embora após um "tchau".

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