Capítulo 39

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Maven Dawson

Eu consegui o que queria. Na verdade, consegui mais do que eu planejava ter, então estou no lucro.

Não posso dizer que não foi bom, porque foi fodidamente incrível. Mas, não era isso que imaginei por quatro anos na cadeia. O que eu tinha em mente era só tirar o pai dela da jogada. Não necessariamente matá-lo, só jogá-lo na cadeia pelo o que fez comigo. Para isso, eu começaria com Eleanor, e, agora, ela não tem ideia no que se meteu, no que confiou.

Você sabe exatamente quando chegou no fundo do poço quando vê que, dentre várias opções, a única que te agrada é aquela que machuca quem está ao seu redor e, ao contrário do que deveria, isso não te deixa mal e sim te agrada, te põe por cima da situação e mostra o quão babaca você é.

Esse é quem eu sou.

Resumidamente, transei com Eleanor e, mesmo que eu tenha gostado disso, vou usar isso para continuar com a minha ideia sórdida, porque esse sou eu. Sou um babaca. E isso vai doer nela tanto quanto doeu em mim.

[...]

Ela respirava pesadamente, sem se mover ou dizer algo. Não a culpei, não queria fazer diferente.

Aproveitei que ela estava parada e peguei um pano no porta-luvas para limpar sua bunda que estava suja com meu sêmen.

Esse momento geralmente é o mais estranho, para ser sincero. O pós sexo, onde paira o silêncio infernal após a barulheira alta repleta de gemidos, suor e beijos. É ainda mais estranho quando se é sua primeira vez com alguém. Já fiz isso várias vezes, mas nunca com ela, então não sei exatamente o que fazer.

Ela virou a cabeça para mim, olhando-me por cima do ombro. Ali eu pensei que ficaria com ela, que esqueceria o plano, que não a soltaria mais, que não iria mais machucá-la. Com apenas um olhar, ela era capaz de me desestabilizar por completo e eu não posso fazer nada contra.

Mas, mais uma vez, eu sou um babaca. Amor não vai fazer o que quero dar certo, então não vale a pena.

Então Eleanor esboçou um sorriso. Um sorriso cansado, mas obviamente satisfeito. Um sorriso que me doeu por saber que nunca mais mostrará a mim. Um sorriso que, mesmo que ainda não sabia, seria o último.

Não sorri de volta, não falei nada, só precisava de um cigarro. Então peguei um no porta-luvas e acendi com o mesmo isqueiro de sempre.

Ela só deitou em meu peito, pegando o cigarro dos meus dedos e lavando a boca para soprar a fumaça ao ar. Pelo jeito que ela fez isso, notei que não era a primeira vez e nem seria a última.

- Vou te deixar em casa. - Quebrei o silêncio.

De resposta só recebi um suspiro. Sei que não era isso que ela esperava, que ele queria, que ela precisava. Mas era isso que eu irei dar. A máxima distância possível para que isso não a machuque tanto, porque, mesmo sendo um babaca, quero ser um babaca empático.

- Sem mais nem menos? É assim que faz com as outras também? - ignorei a dor em sua voz e tomei o cigarro de volta. - Por que está fazendo isso? Desse jeito?

Porque quem eu odeio aqui é seu pai, meu irmão e qualquer um que fodeu comigo. Você já foi uma dessas pessoas, mas o que eu sinto por você agora é maior do que qualquer ódio que sentia antes, mi jeli.

A vontade de dizer isso, de simplesmente deixar tais palavras escaparem pelos meu lábios era forte.

Pensei que podia fazer pior do que um sequestro e eu vou fazer. Mas, diferentemente de antes, no meu peito arde um fogo que piora a cada hora que penso em como essa garota, linda, perfeita, que confiou em mim, que se entregou a mim, irá se machucar. De fato, vou fazer pior do que um sequestro. Vou torturá-la lentamente com uma dor ávida, fazendo-a pensar que a culpa foi dela, que ela foi ingênua demais, que foi apenas usada por mim para destruir seu pai e a empresa dele.

Isso foi um erro.

Não deveria ter feito isso, mesmo que não pude controlar na hora.

Me aproximei demais mais uma vez.

E quem sairá fodido? Eu? Não. Ela.

Então, quanto mais rápido e mais distância eu colocar entre nós, menos pior será para ela.

Por isso mesmo que, exatamente como ela disse, sem mais nem menos, tirei ela do meu colo e a coloquei no banco ao meu lado, ainda nua e perfeitamente linda.

É cruel, eu sei disso desde a hora em que a beijei há alguns minutos atrás. Mas parei de ser um covarde, ou pelo menos tento parar de ser, desde aquele incêndio. Não foi só a mim que ele machucou. Ela não sabe e nem ele sabe que eu sei, mas isso é também pela a minha família. Aquele desgraçado cometeu o pior erro dele e, não é só porque a minha mãe morreu, que esses erros se foram com ela. Infelizmente, Hector Quinn abusou da minha mãe. Soube disso quando ela passou muito mal e teve de ir para o hospital. Fui com ela e lá vi o paizinho de Eleanor, conversando com ela, agradecendo que ela tivesse sofrido um aborto espontâneo. Só quero que o pai dela apodreça na cadeia e pague pelo o que fez tanto comigo tanto quanto com minha mãe e, talvez com outras mulheres, então vou seguir em frente, mesmo que as feridas consequentes sejam tão profundas e irreversíveis.

E aquele silêncio infernal voltou durante todo o caminho até o seu apartamento.

Talvez ela não me perdoe nunca, mas eu realmente sinto muito por isso mesmo antes de fazer tudo que tenho que fazer.

Demorou uns trinta minutos até que estivéssemos em frente ao prédio. Demorou uns 5 minutos para ela me olhar, já vestida, com lágrimas nos olhos.

Lágrimas.

Fazia anos desde a última vez que as vi em seu rosto.

Fazia anos desde a última vez em que as causei.

Eleanor não precisou dizer nada para deixar mais do que nítido que nunca mais me perdoaria, apenas saiu do carro e entrou no prédio.

E isso doeu mais do que eu pensei que doeria.

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