Maven Dawson
Não era certo, não era o que eu queria, não era o que eu precisava, mas era o que eu tinha.
A risada de Will ecoou no lugar ao me ver cheirando o pó de uma ponta até a outra na mesa.
Ele estava com uma garota de pele negra, os cachos escuros completamente soltos, sentada em seu colo. Um baseado quase no final em uma mão e um copo cheio na outra era o combo perfeito para ele.
Não importava o quão alto a música estava, eu ainda me encontrava naquele carro.
Perdido naquela maldita garota.
O pensamento é um fluido, desencadeado dos sentimentos mais profundos de um ser, é como uma energia ditada por aquilo que você diz, faz, sente e é. Às vezes é impossível de controlar, impregnando ao redor como uma bolha. O meu pensamento tem nome e sobrenome agora. Sua boca ainda está em todo lugar, seus gemidos ecoando repetidamente em cada mísero segundo, mesmo que eu fizesse de tudo para esquecer.
Era assim sempre. Com ela eu nunca estaria em paz completamente.
Eu estava aqui para simplesmente não estar naquele carro, sentindo os beijos, os toques, os olhares. Queria estar em qualquer lugar para não lembrar daquilo e, obviamente, Will sabia exatamente o que fazer.
Bebidas.
Drogas.
E muito som alto.
- Sabe que isso não te ajuda em porra nenhuma, não é? - Aylin se sentou ao meu lado, trazendo dois drinks.
- Não quero ajuda.
Os olhos claros me encararam enquanto eu tomava a bebida de um dos copos. Se um filho tem uma mãe para mantê-lo na linha, eu tenho Aylin, e, agora, o seu olhar é exatamente o que minha mãe me dava quando eu aprontava.
- Do que você precisa, Dawson?
Esse era o problema.
Eu não tenho ideia do que eu preciso. Há uma diferença enorme entre querer e precisar e, além do mais, há um abismo ainda maior entre poder e ter, um abismo que eu sentia que estava cada vez mais próximo de cair e me perder.
Eu quero ela, mas não posso tê-la. Pelo menos, não ainda.
- Ele precisa curtir essa noite, a próxima e todas as que vierem depois, Lin, deixa ele.
Como se fosse tão simples.
A garota, da qual o nome eu posso até ter ouvido mas não me lembro, riu e beijou o meu amigo já tonto de tanto beber.
O meu celular vibrou em algum lugar e, quando alcancei, quase, por um segundo, pensei que já estava mais tonto que Will.
Ivy Guinevere.
- Mas que porra...? - Levantei, largando o copo na mesa e saindo, por entre várias pessoas aleatórias, em direção à saída. - Ivy?
O que eu ouvi foi apenas um choro fraco na linha.
- Ivy, o que aconteceu?
Ela não respondeu.
Por um segundo.
Dois segundos.
Três segundos.
Quatro segundos.
Cinco segundos.
- É a Eleanor... - meu sangue gelou e tudo silenciou ao meu redor. - Eu senti que você deveria saber.
É óbvio que eu devo saber, porra.
- Onde ela tá?
[...]
"Estou na casa dela, irmãozinho, resolvendo a merda que você fez. Ou talvez piorando ela..."
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Fire Game
RomanceEleanor Quinn Ele voltou, e, se antes ele já era ruim, agora ele é pior. Mas eu não vou fugir como antes, nem vou permitir que ele me veja vulnerável de novo. Você gosta de brincar com chamas e eu quase morri por isso, Maven. Eu não sou a mesma garo...
