Capítulo 43

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Maven Dawson

Assim que essas palavras deixaram sua boca, eu congelei.

Primeiro, senti alívio por finalmente ouvir aquilo, alívio por ela finalmente perceber o quão babaca o pai é. Mas, segundo, senti raiva. O que ele fez para que ela me pedisse algo assim? O quão longe ele foi para que ela confiasse em mim?

Um monte de cachos castanhos escuros apareceu ao meu lado e, quando virei o rosto para ver, vi Ivy me encarando.

— Ele tentou matá-la e está foragido. — Esclareceu, mas nada estava claro para mim.

Ele o quê?

Talvez eu estivesse chapado demais para entender uma simples frase direito, porque não é possível que eu realmente tenha escutado essa merda direito.

Ela começou a explicar a situação, meu olhar focado no de Eleanor, mas minha mente já estava planejando a morte daquele infeliz. Arrancar cada unha dele com o isqueiro e deixá-lo sentir a sensação por tempo suficiente até que a única palavra que ele conseguirá dizer será ‘’desculpa’’, mas sabemos que isso não chegaria nem perto do que eu quero que ele sofra. Fazê-lo implorar por piedade, de joelhos, o sangue sujando quem sempre foi ‘’limpo’’, e, então, cortar as mãos cujos dedos feriram a própria filha.

— … mas ele já tinha ido embora quando eu cheguei lá. — Ela suspirou e olhou para a amiga. — Ela estava to…

Peguei meu celular e disquei o número de quem eu sabia que poderia me ajudar e a voz atrás de mim se calou quando percebeu que eu nem prestava atenção. Ivy tinha um certo medo de mim e isso era engraçado. Ou seria se eu não estivesse tão puto.

— Como ela tá?

Então ele já sabia, isso me poupava de ter que ouvir Ivy falando tudo de novo para explicá-lo. Ótimo.

— Vai ter que dar um jeito de achar ele.

Não podia vê-lo, mas sabia que sorria por trás da linha.

— Te ligo daqui uma hora. — Desligou antes que eu pudesse dizer algo em resposta, mas eu sabia que ele conseguiria encontrá-lo.

Não sei aguentaria mais nenhum minuto sem poder fazer tudo o que eu sempre quis com aquele idiota. Ter a satisfação de realizar algo que desejo há muito já não estava tão longe de mim.

— Para quem você ligou? — a voz de Ivy surgiu novamente.

— Um amigo, ele vai me ajudar a encontrar o Hector. — Segurei a mão da ruiva. — Pode me deixar a sós com ela?

Tínhamos muito a conversar, tanto sobre o pai dela, quanto sobre o que aconteceu naquele carro.

Sem dizer nada, a mulher saiu e fechou a porta atrás de si.

A cada dia, os motivos para odiar aquele homem aumentavam. Ele abusou da minha mãe de uma forma absurda, quase matou a própria filha, me fez ir para a cadeia sem ter cometido nenhum crime e, mesmo assim, ficou ileso por anos.

Mas não mais.

— Quer me contar o que aconteceu?

Aqueles olhos verdes encaravam a janela, mas ela começou a falar, sem olhar para mim:

— Ele ficou bravo porque eu… porque nós fizemos aquilo.

É claro que ficou.

— Então eu me tranquei no quarto, porque eu também estava brava comigo mesma, Dawson. — Finalmente olhou para mim, soltando a minha mão. — Me senti suja e usada, queria sumir pra tirar aquela sensação do meu peito e acabar com a vergonha que eu sentia.

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