Pov Harry
Os dias que se seguiram foram insuportavelmente silenciosos. Cada canto de Hogwarts parecia mais frio, mais vazio, como se a ausência de Draco tivesse sugado não apenas o calor do castelo, mas também a minha vontade de estar ali. Eu o evitava nos corredores, e ele fazia o mesmo. Não havia mais olhares trocados à distância, nem provocações sutis, nem encontros escondidos na Torre de Astronomia. Era como se tudo que tínhamos vivido tivesse sido enterrado debaixo da pedra fria da última briga. Mas o problema é que eu não conseguia esquecê-lo. A voz dele ainda ecoava nos meus pensamentos, cada frase, cada palavra, cada ferida aberta. A verdade é que eu dormia menos, comia pouco e, quando estava com Rony e Hermione, fingia um sorriso que nem eu acreditava. Eles sabiam que algo estava errado, mas não perguntavam — talvez por respeito, talvez por medo da resposta. E, mesmo que perguntassem, eu não saberia o que dizer. Porque, no fundo, eu não fazia ideia de como colocar em palavras o que estava me destruindo por dentro.
Voltar à rotina de aulas era como viver no automático. Cada feitiço, cada transfiguração, cada treino de Quadribol... tudo parecia mecânico. Draco não havia aparecido nas aulas de Poções desde aquele dia. Snape dissera que ele estava "resolvendo assuntos familiares" — a desculpa padrão quando qualquer coisa relacionada aos Malfoy exigia sigilo. Mas eu sabia que ele apenas precisava de distância. E talvez, mesmo não admitindo, eu também precisasse. Só que distância não é o mesmo que esquecer. E esquecer Draco Malfoy era uma tarefa impossível.
Numa noite qualquer, quando já passava da meia-noite, me peguei vagando pelos corredores, sem rumo. Os retratos cochilavam em suas molduras e o som dos meus passos ecoava entre as paredes de pedra. Acabei indo parar na estufa. Nem sei por quê. Talvez porque ali, onde a vida florescia mesmo sob o frio da noite, eu pudesse encontrar algum tipo de paz. Entrei devagar, me sentando no banco de pedra ao lado das mandrágoras — ainda adormecidas em seus vasos, cobertas por uma manta encantada. Fiquei ali, em silêncio, olhando o céu noturno por entre os vidros embaçados da estufa. Foi então que ouvi passos.
Virei o rosto devagar, sem pressa, já me preparando para ser repreendido por algum monitor ou até pela Professora Sprout. Mas não era nenhum deles.
Era Draco.
Ele estava ali. O rosto mais pálido do que o normal, os olhos com olheiras visíveis, a boca num traço fino e tenso. Por um instante, nenhum de nós disse nada. Apenas nos encaramos, como se aquele momento exigisse silêncio antes das palavras. E talvez exigisse mesmo. Porque havia coisas que só o olhar pode dizer, e o dele dizia muito. Dizia cansaço, dizia raiva contida, dizia... saudade. E o meu, provavelmente, dizia o mesmo.
— Você sempre teve um péssimo hábito de andar por aí de madrugada — ele murmurou, finalmente quebrando o silêncio.
— E você sempre soube onde me encontrar — retruquei.
Draco abaixou o olhar, caminhando lentamente até se sentar ao meu lado no banco. Por um instante, ele não falou. Apenas mexeu nas próprias mãos, inquieto, como se tentasse encontrar coragem dentro dos próprios dedos.
— Eu não devia ter dito aquilo — ele falou, baixinho. — Sobre seus pais.
Fechei os olhos por um segundo, deixando que aquela frase encontrasse um lugar dentro de mim. Um pedido de desculpas vindo de Draco Malfoy era mais raro do que um centauro recitando poesia. Mas ali estava ele. Dizendo o que eu precisava ouvir desde o instante em que ele cruzou aquela linha.
— E eu não devia ter te socado — respondi, com sinceridade.
Draco soltou uma risada fraca.
— Devia sim — ele murmurou. — Eu mereci. E talvez ainda mereça outro.
Olhei para ele. A sombra do roxo ainda estava ali, desbotando no osso da bochecha, um lembrete vivo do quanto as palavras machucam... e o quanto, às vezes, as ações ferem ainda mais. Mas, ao mesmo tempo, algo em mim se abrandou. Algo que gritava por justiça agora só queria paz.
— Não é disso que a gente precisa agora — murmurei. — Nem socos, nem ofensas. Só... de uma conversa decente. Uma que não termine com alguém sangrando.
Draco me encarou. Os olhos dele tinham aquela intensidade que sempre me desarmava. Ele parecia menor do que costumava ser, mais frágil, mais humano. E isso me fez lembrar por que me apaixonei por ele. Não foi pelo sarcasmo, nem pela arrogância, nem pela aparência. Foi por esse lado escondido. O lado que quase ninguém via. O lado que ele escondia por medo de se mostrar fraco.
— Eu tenho medo, Harry — ele confessou, num sussurro. — Medo de mudar e perder quem eu sou. Medo de me transformar em alguém que não é respeitado nem aqui, nem na minha casa. Eu cresci acreditando que sangue, nome e poder eram tudo. E agora... tudo isso parece errado. Mas é tudo o que eu conheço.
Pousei minha mão sobre a dele.
— Mudar não é perder quem você é, Draco. É descobrir quem você pode ser. Eu não quero que você se torne outra pessoa. Só quero que você deixe o que te fere pra trás. Que evolua. Que entenda que não precisa ser a cópia dos seus pais pra ser alguém forte.
Ele olhou para nossas mãos, entrelaçadas, como se aquele simples gesto fosse uma âncora. Como se, por um momento, ele pudesse se segurar ali e respirar.
— E se eu não conseguir?
— Então eu estarei aqui — respondi. — Mesmo assim.
Draco fechou os olhos e inclinou a cabeça até encostar no meu ombro. Ficamos assim por um tempo, em silêncio, ouvindo apenas nossas respirações e o leve ranger da madeira da estufa. E, naquele momento, eu soube: estávamos longe de sermos perfeitos. Mas havia amor. E onde há amor, ainda há chance.
E dessa vez, nenhum de nós fugiu.
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Notas da autora ☆
Gente!! Novidade para vocês, estou escrevendo uma nova fanfic Drarry!! E em breve ela será lançada. Fiquem ligados!
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Querido diário...||DRARRY
FanfictionHarry Potter começa a escrever em um diário, aonde várias das páginas de seu diário são dedicadas à um certo loiro. Que por coincidência, Draco também começa a escrever em um caderno e várias das páginas são dedicadas ao garoto de ouro.
