Capítulo 21 - final

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Pov Autora

O tempo passou. E como tudo em Hogwarts, ele passou como uma estação mágica: silencioso, transformador, inevitável. O que antes era tensão virou ternura. O que antes era conflito, virou cumplicidade. E o que um dia foi proibido, virou poesia. Ninguém conseguia explicar exatamente como ou quando aconteceu, mas aconteceu. As cicatrizes começaram a doer menos. As paredes entre as casas se tornaram mais porosas. E, entre a Grifinória e a Sonserina, algo improvável floresceu como feitiço lançado no coração do inverno: amor.

Harry e Draco deixaram de ser assunto. Pararam de ser "aquele casal que ninguém esperava". As pessoas se cansaram de cochichar, ou talvez apenas perceberam que não havia mais sentido em questionar o que era tão visivelmente real. Eles já não andavam pelos corredores como dois extremos de um duelo antigo. Andavam como iguais. Como parceiros. Como dois jovens que sobreviveram a guerras externas e internas e decidiram que não passariam mais a vida lutando — mas sim amando.

Nos meses finais em Hogwarts, era comum vê-los sentados juntos nos degraus da Torre Oeste, dividindo pedaços de torta de abóbora enquanto Harry lia algum livro de Defesa e Draco rabiscava anotações em seu diário — que, agora, ninguém mais tinha acesso. Ou nos jardins, onde Draco usava a cabeça no ombro de Harry e falava sobre o que pretendia fazer depois da formatura. "Nada que envolva a sombra do meu nome", dizia, e Harry apenas sorria, segurando a mão dele com delicadeza.

Foi num desses fins de tarde dourados que tudo finalmente se encaixou.

O céu estava laranja, pintado com pinceladas suaves que pareciam feitas por Fawkes em voo. Hogsmeade se despedia do sol, e Hogwarts se preparava para acender suas velas. Os jardins estavam vazios, exceto por eles dois, sentados lado a lado sob a sombra de uma macieira encantada. Draco estava com os olhos fechados, sentindo o vento passar pelos cabelos. Harry o observava em silêncio. Observava como alguém que finalmente entende o valor de um momento. De uma presença. De um lar.

— Você lembra da primeira vez que me chamou pelo nome? — Harry perguntou, em tom baixo, quase como se não quisesse quebrar a paz do momento.

Draco abriu os olhos, virando o rosto com um leve sorriso.

— Lembro — respondeu. — Achei estranho. Achei... íntimo demais.

— Era — disse Harry. — Mas também era tudo o que eu precisava ouvir.

Draco ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse tentando memorizar o que sentia para nunca esquecer.

— E você lembra da primeira vez que disse que me amava? — ele devolveu a pergunta.

Harry assentiu, o sorriso aumentando.

— Claro. Você surtou.

Draco riu, balançando a cabeça.

— Eu não surtei. Eu só... congelei.

— Você gaguejou, Malfoy.

— Cala a boca — Draco respondeu, mas seus olhos brilhavam.

O silêncio voltou, mas agora ele estava cheio. Cheio de lembranças. De memórias feitas com beijos roubados, brigas bobas, reconciliações com lágrimas nos olhos, noites em claro, promessas sussurradas entre as cortinas dos dormitórios, cartas escondidas, sonhos revelados.

E então, como se o tempo soubesse que aquele era o momento certo, Harry se levantou e estendeu a mão.

— Vem comigo.

Draco hesitou por meio segundo, como se estivesse prestes a perguntar "para onde?". Mas ao ver os olhos de Harry, não precisou. Pegou a mão dele e levantou-se.

Eles caminharam até o Lago Negro, onde a água refletia o céu como um espelho encantado. As árvores dançavam com o vento, e as criaturas mágicas sussurravam entre os galhos, como se celebrassem aquela cena. Harry parou, virou-se para Draco, e segurou suas duas mãos.

— Eu nunca acreditei que teria isso — começou, com a voz embargada. — Paz. Amor. Um futuro. Eu sempre vivi esperando a próxima batalha, a próxima perda, o próximo peso. Mas com você... com você eu finalmente posso respirar.

Draco não respondeu. Estava com os olhos marejados, tentando segurar a emoção que ameaçava transbordar.

— Você me ensinou a ver beleza na escuridão. A confiar. A sentir. Você me ensinou que eu não precisava ser perfeito pra ser amado. E se existe alguma magia verdadeira neste mundo, Draco... ela está aqui, agora. Entre nós dois.

Harry ajoelhou-se.

O mundo parou.

Draco levou as mãos à boca, os olhos arregalados, o coração disparado.

— Eu sei que ainda temos muito pra viver. E talvez a estrada não seja fácil. Mas se for com você... eu topo tudo. Cada passo. Cada curva. Cada tempestade. Então... Draco Lucius Malfoy... você quer passar o resto da vida comigo?

Draco não conseguiu responder de imediato. Uma lágrima desceu silenciosa pelo seu rosto. Ele puxou Harry para cima e o envolveu num abraço forte, desesperado, cheio de tudo o que ele nunca soube dizer em palavras. E então, entre sorrisos e soluços, ele respondeu ao ouvido dele:

— É claro que sim, Potter. É claro que sim.

Eles se beijaram ali, sob o último raio do sol, enquanto o castelo ao longe acendia suas primeiras luzes da noite. Um beijo calmo, profundo, cheio de promessas. Um beijo que selava não apenas o fim de uma história... mas o início de outra.

E foi assim que terminou — ou melhor, começou — a história de dois garotos que um dia se odiaram, depois se descobriram, e por fim... se amaram.

Com todas as cicatrizes.
Com todas as cores.
Com toda a coragem.
E com toda a magia que só o amor verdadeiro pode ter.

Fim.

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Notas da autora ☆

Quero agradecer a cada um de vocês que acompanham essa história desde o começo. Obrigada a cada um pelo o carinho.
Espero que vocês tenham gostado dessa história! (E em breve, estarei lançando uma nova fanfic Drarry, então, fiquem ligados aqui no meu perfil!).

Desculpe-me qualquer erro de gramática durante a história KAKAKAKA (tô tentando melhorar bastante).

Deixo aqui o meu carinho e gratidão.
Bjs de Bia. ♡

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⏰ Última atualização: Mar 23 ⏰

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