Desde o primeiro momento em que vi Mike naquele corredor da Pearson Hardman, algo em mim sabia que ele não era apenas mais um associado. Ele era meu omega, meu instinto sempre me lembrava disso, mesmo antes de ele saber. Agora, meses depois, essa sensação se intensificava a cada dia. Mas havia regras, havia limites. Ele trabalhava comigo, e isso significava que nossas interações tinham que permanecer, pelo menos superficialmente, profissionais.
Acordei naquela manhã com o som suave do despertador, mas minha mente imediatamente procurou Mike. Ele dormia profundamente, aninhado no canto do sofá, respirando lentamente. Sorri, sentindo um calor que ia além do físico. Meu omega, tão vulnerável e forte ao mesmo tempo, sempre me mantinha alerta, mas também me dava uma paz rara.
Depois do café rápido e algumas mensagens trocadas com clientes, fomos para o escritório. No carro, eu o olhava de relance, admirando a forma como ele se ajustava à rotina, como a camisa levemente amassada não diminuía sua presença, e como sua mente parecia afiada mesmo em um ambiente que poderia ser esmagador para qualquer outro.
— Pronto para enfrentar o dia, meu anjo? — perguntei, um leve sorriso nos lábios.
Ele retribuiu, mas com a tensão de quem sabia que precisava equilibrar seus sentimentos e o trabalho:
— Sempre, Harvey. Mas... eu sei que temos que manter as coisas profissionais aqui. — Sua voz era firme, mas havia um lampejo de vulnerabilidade que me fez apertar a mão dele discretamente.
O dia começou intenso. Reuniões, negociações, ajustes em casos delicados... e em cada momento, eu sentia a presença dele, não apenas física, mas emocional. Ele era meu omega, e ainda assim, dentro da sala de conferências, ele era o associado mais competente que eu já tinha visto. Cada gesto, cada argumento que ele apresentava me deixava orgulhoso, mas também despertava aquela tensão que só nós dois conhecíamos.
Durante a pausa para o almoço, nos isolamos por alguns minutos em meu escritório. Mike sentou-se em frente a mim, o olhar sério, mas seus olhos brilhando de um jeito que me lembrava da noite passada.
— Harvey... — começou, hesitando. — Eu sei que precisamos manter a distância aqui, mas... não consigo parar de pensar em você.
Sorri, aproximando-me da mesa. — Meu anjo, eu também não consigo. Mas precisamos ser cuidadosos. Esse escritório exige disciplina, e nossa relação não pode interferir no trabalho... embora, confesso, seja difícil resistir quando você está perto.
Ele sorriu, e aquela tensão silenciosa entre nós ficou carregada de desejo contido, de pequenas carícias disfarçadas em gestos profissionais, de olhares que falavam mais do que qualquer palavra. Cada toque de mão que "acidentalmente" acontecia, cada encostar de ombro, cada aproximação próxima, era um jogo silencioso entre nós.
O dia continuou assim, alternando entre casos urgentes e momentos de proximidade, até que no fim da tarde tivemos um intervalo mais longo. Mike foi até a cozinha preparar algo para beber, e eu fiquei sozinho, refletindo sobre tudo o que sentia. A ligação com ele, mesmo contida pelo ambiente profissional, era intensa, e minha mente voltava constantemente para o momento em que ele dormia nos meus braços, para a sensação de proteger meu omega de tudo e de todos.
Mas então, algo me chamou atenção: Mike demorava demais na cozinha. Fui até lá e o encontrei apoiado na bancada, o rosto pálido e a respiração irregular. Meu instinto de alfa disparou imediatamente, e a preocupação tomou conta de mim:
— Mike... o que está acontecendo? — perguntei, aproximando-me rapidamente.
Ele desviou o olhar, tentando sorrir, mas não conseguiu esconder a palidez:
— Nada, Harvey... só estou cansado. — Sua voz era fraca, e meu instinto dizia que ele estava mentindo.
Segurei seu rosto entre minhas mãos, inspecionando-o. — Meu anjo... você não está bem. Por que não me disse? — A tensão na minha voz era palpável, e meu corpo inteiro reagia ao perigo sentido pelo meu omega.
Ele respirou fundo, tentando manter a compostura:
— Não quero atrapalhar o trabalho... tudo está sob controle. — Mas o tremor na voz denunciava que não estava mesmo.
Meu lado alfa, instintivo e protetor, não podia aceitar isso. — Mike... você é meu omega. Minha prioridade é você. Trabalho pode esperar. — A firmeza na minha voz não deixava espaço para discussão, mas ele apenas desviou o olhar, tentando ser forte.
— Eu sei, Harvey... mas eu consigo lidar. — Sua mão tremia levemente na minha.
Suspirei, sabendo que ele estava tentando proteger-me de preocupações que não precisavam existir. — Meu doce anjo... você não precisa esconder nada de mim. Eu vou cuidar de você, sempre. — Aproximando-me, pressionei um beijo em sua testa, sentindo o calor dele tentar aquecer a tensão que se instalara na cozinha.
Ele se aninhou levemente contra mim, e por alguns instantes, o mundo exterior desapareceu. A tensão do trabalho, os casos urgentes, as reuniões — tudo se tornou irrelevante. Só nós dois existíamos, o desejo, o cuidado e a conexão profunda que tínhamos.
Mas lá fora, a cidade continuava sua rotina caótica, o perigo e os desafios esperando por nós. Na cozinha, no entanto, naquele momento de pausa, nada mais importava. Mike parecia pequeno e vulnerável em meus braços, e isso despertava ainda mais minha necessidade de protegê-lo, mesmo que ele insistisse em esconder o mal-estar.
E enquanto segurava meu omega, senti novamente aquela ligação intensa entre nós, que transcendia o toque físico, que falava diretamente às nossas almas de alfa e omega. E mesmo que ele tivesse mentido sobre seu estado, meu instinto me dizia que algo estava errado.
Eu teria que descobrir a verdade. E faria isso sem hesitar. Porque proteger Mike, meu anjo, era mais do que um instinto — era minha vida.
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IN YOUR LOOK
FanfictionQuando vc vai fazer uma entrevista de emprego e descobre que seu alfa vai ser seu chefe e o amor da sua vida
