Capítulo 22: Entre Destinos e Responsabilidades

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Quando encontrei Mike pela primeira vez na Pearson Hardman, eu sabia. Não houve hesitação, nem dúvida. Olhei nos olhos dele e disse sem rodeios:

— Mike, você é meu ômega.

Ele congelou, o choque visível, a respiração interrompida. Eu podia ver cada emoção passando pelo rosto dele: surpresa, medo, incredulidade... e algo mais, algo que eu queria explorar, proteger e cultivar. Desde aquele momento, soube que minha vida mudaria para sempre.

A conexão foi instantânea. Cada toque, cada olhar, cada palavra dita ou não dita se transformou em algo mais profundo, algo primitivo e poderoso. Não era apenas atração — era instinto, era destino, era algo que minha própria natureza alfa me dizia para proteger, para não deixar escapar.

Quando decidimos ir para a casa de campo, senti aquela mistura de ansiedade e excitação. Queria que Mike conhecesse esse lugar, que víssemos o mundo fora da cidade juntos. Mas, mesmo em meio à paz aparente, instintos e percepções sempre me mantinham alerta. E não estava enganado. No meio do caminho, fomos emboscados. Meu corpo reagiu antes mesmo de minha mente. Mike estava ao meu lado, sentindo minha tensão, e o lobo interior de Harvey — enorme, de pelagem negra como a noite e olhos que pareciam chamas — despertou, pronto para proteger.

A adrenalina correu pelo meu corpo enquanto enfrentávamos o perigo. Cada movimento era calculado, cada passo pensado para manter Mike seguro. Ele ficou impressionado, mas confiava em mim, e isso me deu força. Saímos da situação intactos, embora com a consciência de que o mundo podia ser cruel, imprevisível.

Naquele fim de tarde, quando finalmente chegamos à casa de campo, pude relaxar um pouco, mas nunca totalmente. Mesmo enquanto Mike descansava em meus braços, eu permanecia atento, cada som, cada sombra, cada farfalhar de árvore analisado. Mas havia algo em seu rosto sereno, em sua confiança em mim, que me permitia respirar mais profundamente.

Durante a noite, tomamos banho juntos na banheira, a água quente envolvendo nossos corpos. Cada toque, cada carícia, cada beijo compartilhado parecia dissolver o medo e a tensão do dia. Ele conversou com seu lobo antes de dormir, buscando conforto e orientação, e eu o observei, sentindo um orgulho silencioso.

— Dorme bem, meu anjo — murmurei, segurando-o firme. — Eu te protegerei... de tudo... até de mim, se for necessário.

Na manhã seguinte, ainda na casa de campo, sentimos a paz. O dia amanheceu perfeito, iluminado, e eu pude vê-lo explorar cada canto, respirar o ar fresco, sorrir como se a vida finalmente tivesse encontrado seu ritmo. Mas então, a realidade nos chamou. Uma ligação urgente de trabalho exigia minha atenção, e sabíamos que precisávamos voltar à cidade.

— Vamos, meu querido — disse, usando o apelido que ele adorava, segurando sua mão com firmeza e carinho. — A cidade nos espera, mas prometo que voltaremos para momentos assim.

O trajeto de volta foi tranquilo, mas minha mente permanecia alerta. Cada sombra parecia potencialmente perigosa, cada curva da estrada me lembrava da vulnerabilidade que sentíamos na casa de campo. Ainda assim, a presença de Mike ao meu lado suavizava a tensão. Ele se aninhava contra mim, e eu sentia o calor dele como um lembrete constante de que valia a pena proteger tudo isso.

Quando chegamos ao apartamento na cidade, a rotina nos engoliu imediatamente. Eu atendi a ligação, respirando fundo enquanto os detalhes do caso urgente eram passados. O cliente precisava de mim na Pearson Hardman imediatamente, e eu não podia adiar.

— Fica aqui, meu anjo — disse a Mike, segurando seu rosto entre as mãos. — Logo volto. Fica bem, tá?

Ele sorriu, confiante, sabendo que eu não apenas falava, mas vivia aquilo. Um beijo rápido, cheio de promessa e calor, e eu saí.

No caminho para o escritório, enquanto acelerava pelas ruas da cidade, pensei em como minha vida tinha mudado. Conhecer Mike, reconhecer minha conexão com ele, assumir o papel de alfa e protetor — tudo isso me trouxe emoções que eu jamais esperava sentir. Mas eram boas emoções, intensas, completas. Ele me mostrava que eu podia ser mais do que apenas Harvey Specter, advogado implacável e alfa supremo; podia ser alguém capaz de amar sem reservas.

Ao chegar na Pearson Hardman, o trabalho me envolveu de imediato. Papéis, reuniões, decisões rápidas. Cada cliente e cada caso exigiam precisão, e eu estava totalmente presente, mas minha mente, em segundo plano, ainda estava com Mike. Cada vitória, cada negociação bem-sucedida, era também por ele, por nós.

Mesmo na correria, mesmo nas pressões, havia um fio constante de paz e desejo que me lembrava: lá fora, o mundo poderia ser imprevisível, perigoso, mas ele estava seguro comigo. E, honestamente, eu faria qualquer coisa para manter isso assim.

Porque Mike era meu ômega, meu equilíbrio, meu anjo... e eu nunca o deixaria cair.


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