Capítulo 17: O Incêndio da Alma

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O beijo de Harvey parecia não ter fim. Cada toque, cada suspiro dele me queimava por dentro, como se meu corpo fosse feito de pólvora e ele fosse a chama. Sentado no balcão frio, eu só conseguia me segurar nele, desesperado por mais.

Ele afastou os lábios apenas o suficiente para me olhar, os olhos azuis faiscando como céu antes da tempestade.

— Você não faz ideia do que causa em mim, Mike. — a voz dele soou rouca, carregada de desejo e verdade.

Minha respiração estava descompassada, mas ainda assim sorri, puxando-o mais perto.

— Então me mostra.

Harvey não precisou de mais nada. Suas mãos deslizaram pelas minhas coxas, firmes, possessivas, como se quisesse me marcar. O frio da pedra já não existia mais; tudo que eu sentia era o calor dele, a pele contra a minha, os músculos tensos, o corpo me envolvendo inteiro.

O beijo recomeçou, mais profundo, mais urgente, e minhas mãos percorriam seus ombros largos, a nuca, descendo pelas costas, enquanto ele explorava cada centímetro meu como se fosse território sagrado.

— Meu luce mio... — murmurou contra minha boca, as palavras soando como uma prece.

Aquilo me desarmou de vez. Eu não era só desejo, era entrega. Entrega total, como se meu coração tivesse sido feito para caber dentro do dele.

Nossos movimentos ficaram mais ousados, mais quentes. A cozinha, iluminada apenas pela lua que entrava pela janela, parecia outro mundo — um mundo em que só existiam nós dois, corpos entrelaçados, respirações entrecortadas, beijos famintos e mãos que não se cansavam de explorar.

A cada toque, eu me perdia mais. A cada suspiro dele, me encontrava de novo. Era um ciclo vicioso de fome e saciedade, que se misturava num incêndio que queimava por dentro e por fora.

Não havia espaço para dúvidas, não havia lugar para o medo. Apenas nós, ardendo juntos.

Harvey me ergueu um pouco mais, colando meu corpo ao dele, e sussurrou no meu ouvido:

— Eu vou proteger você, Mike. De tudo. Do mundo, dos inimigos... e até de mim mesmo, se for preciso.

Fechei os olhos, tremendo sob o peso daquela promessa.

— E eu vou lutar por você. Sempre. — respondi, minha voz quebrando, mas firme. — Nem que eu precise incendiar o mundo inteiro.

Ele sorriu contra meu pescoço e me beijou de novo, mais fundo, mais intenso, até que o ar parecia não ser suficiente.

Ali, na cozinha, éramos fogo. Um incêndio impossível de apagar.

E, por algumas horas, esquecemos o resto do mundo. Esquecemos as sombras lá fora, os inimigos que nos esperavam, a escuridão que nos rondava.

Porque, ali, naquela noite, éramos apenas dois corações batendo como um só, dois corpos consumidos por uma paixão que nem o tempo, nem o destino poderiam deter.

Lá fora, o perigo se aproximava. Mas dentro da cozinha, sob a lua testemunha, só havia o calor do nosso fogo.


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