Capítulo 26: Confrontos e Revelações

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Estava sentado no sofá, encarando o nada, quando Harvey entrou no apartamento. A sua presença sempre preenchia o ambiente, mas dessa vez senti um frio na espinha. Ele franziu levemente a testa ao me observar, e imediatamente soube que ele havia percebido algo.

— Mike... algo está errado — disse ele, a voz firme, mas carregada de preocupação. — Não tente me enganar.

Tentei sorrir, mas era forçado, e ele percebeu imediatamente.

— Estou bem... só cansado — murmurei, desviando o olhar.

— Não, você não está bem. — Harvey se aproximou, a intensidade do olhar dele me prendendo. — Você está me escondendo algo, e eu sinto cada mudança no seu corpo, cada nuance... Você é meu ômega, Mike. Eu sinto quando algo te aflige.

O calor da sua voz, a firmeza nos olhos, e o modo como ele se aproximava fizeram meu coração disparar. Eu queria chorar, admitir tudo, mas o medo me travava. Não queria que ele se preocupasse mais do que já estava.

— Eu... não é nada, Harvey. — Minha voz saiu baixa, quase um sussurro. — Não quero te preocupar.

— Isso não é justo comigo, meu anjo. — Ele disse, a voz agora carregada de frustração. — Eu sou seu alfa. É meu trabalho, meu dever, proteger você. Mas você não me deixa. Você me esconde as coisas.

Senti meu corpo reagir à intensidade dele. Meu lobo interno rugiu suavemente, um lembrete da minha vulnerabilidade e da conexão profunda que tínhamos. Era como se cada fibra de meu ser estivesse sendo examinada, e não havia escapatória.

— Você não entende... — comecei, mas Harvey me cortou, aproximando-se mais, quase tocando meu rosto.

— Então me diga. Me diga agora, Mike. Não posso proteger você se você se fecha pra mim. — Ele disse, cada palavra carregada de exigência e amor ao mesmo tempo.

Respirei fundo, sentindo meu coração bater acelerado, a dor e o desconforto do dia voltando a se manifestar. — Eu... estou me sentindo mal... — admiti, finalmente, mas antes que pudesse continuar, Harvey franziu a testa.

— Mal como? Diga-me exatamente, meu anjo! — Ele se aproximou ainda mais, segurando meus ombros com firmeza.

— É... meu corpo... eu... — As palavras saíram aos tropeços, a ansiedade e a dor aumentando. — E... eu acho... que... talvez... — Parei, com a vergonha e o medo me dominando.

— Talvez o quê, Mike? — Ele insistiu, mas sua paciência estava se misturando com a preocupação.

Meu lobo interno sussurrou, suave e firme, guiando meus pensamentos: Ele precisa saber. Mas você precisa estar certo sobre isso primeiro. Respirei fundo, olhando nos olhos de Harvey, sentindo que a verdade estava prestes a explodir entre nós.

— Eu... posso estar grávido... — finalmente disse, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor.

Harvey arregalou os olhos, o choque evidente. Seu corpo se enrijeceu, e um misto de preocupação e raiva começou a emergir. — Você não me contou antes? — sua voz tremia, mas era intensa. — Mike, isso é sério!

— Eu sei! — exclamei, minha própria frustração explodindo. — Mas eu não queria te preocupar! Eu pensei que podia lidar sozinho!

Ele me olhou, a mistura de raiva, incredulidade e amor transbordando de cada gesto. — Mike... você não precisa lidar sozinho. Nunca. Não comigo. — Sua voz agora estava firme, mas com uma vulnerabilidade que só ele poderia mostrar.

— Eu... não sabia como te dizer... — admiti, sentindo lágrimas começarem a se formar. — Tive medo de que você ficasse bravo comigo, ou... que não conseguisse lidar...

— Bravo? — Ele riu de forma amarga, passando uma mão pelo cabelo. — Mike, meu anjo... eu estou mais preocupado com você do que qualquer outra coisa. — Ele se aproximou e segurou meu rosto com força, os polegares acariciando minhas bochechas. — Mas você precisa ser honesto comigo. Sempre. Sem exceções.

O confronto evoluiu para uma discussão mais intensa, palavras carregadas de emoções que ambos tentávamos controlar. Mas, mesmo na briga, a conexão entre nós era palpável, e cada gesto, cada olhar, mostrava o quanto nos importávamos um com o outro.

Após minutos que pareceram horas, finalmente nos acalmamos. Eu estava exausto, emocional e fisicamente, mas Harvey não me deixou sozinho. Ele me puxou para seus braços, e pela primeira vez naquela noite, me senti seguro para chorar, para admitir meus medos e inseguranças.

Meu lobo interno, ainda firme e presente, sussurrou suavemente: Ele vai proteger vocês, você confia nele. Ele fará de tudo para manter vocês seguros.

Senti um alívio profundo, e enquanto descansava nos braços de Harvey, percebi que, apesar do medo, do desconforto e da dor, havia uma força invisível nos unindo, mais poderosa do que qualquer briga ou segredo.

Lá fora, o mundo podia esperar. Por enquanto, naquele abraço, nada mais importava. Eu estava seguro. Eu estava com meu alfa. E, de alguma forma, apesar do caos interno e externo, tudo parecia certo.


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