cap 7

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Os dias seguintes foram vividos no modo automático. Se arrumava, chegava ao escritório na hora de sempre, cumprimentava os colegas com os mesmos sorrisos educados por fora. Nada parecia diferente.

Ele também parecia ter escolhido o silêncio como estratégia. Nos dias que seguiram à festa, manteve a mesma autoridade de sempre: cobrava prazos, dava orientações, conduzia reuniões. A voz firme, os gestos contidos, como se estivesse blindado contra qualquer deslize.

Mas havia detalhes que a denunciavam aos olhos . Ele evitava contato visual por tempo demais. Sempre que falava diretamente , o tom saía um pouco mais curto, objetivo, quase mecânico. Era como se temesse deixar escapar qualquer traço de lembrança.

Nas conversas informais com a equipe, parecia mais rígido que o normal, como se compensasse a própria culpa com disciplina.

Para os outros, era apenas o chefe de sempre, talvez mais sério que o habitual, era impossível não perceber que havia um esforço constante em manter a fachada.

O silêncio entre os dois, porém, se tornava quase um pacto. Nenhum deles queria dar espaço para comentários, nenhum deles ousava tocar no assunto. Fingiam que nada havia acontecido, mas o peso daquilo estava sempre ali, rondando, escondido sob a normalidade.

E, quanto mais os dias passavam, mais ficava claro: o beijo não tinha sido esquecido, apenas enterrado.

Era um dia de folga, e  decido almoçar em um restaurante próximo, tentando fugir da rotina do trabalho. Mal entro, e la esta  Miller sentado , ao seu lado Ágata, sua suposta a noiva.

Quando o nosso olhar se encontrou, congelo por um instante. O sorriso que surgiu foi contido, educado, eu o respondo da mesma forma, tentando disfarçar o choque.

Ágata, percebendo a tensão, sorriu de forma amistosa, mas com aquele toque possessivo que sempre a acompanhava.
— Senayd! Que bom te ver aqui! — disse ela, acenando e gesticulando para que se aproximasse. — Vem sentar conosco!

hesito por alguns segundos, analisando a mesa. Miller apenas lança um olhar rápido, e acena com a cabeça , antes de se virar ligeiramente, como sinal de que não se opunha.

— Claro… — disse , aproximando-se e sentando-se.

O ar ficou pesado. Ágata falava animadamente, como se quisesse preencher cada espaço de silêncio, mencionando detalhes do casamento que eu conhecia apenas de ouvido.
— Estamos organizando os convites… é tão cansativo! Mas Miller parece não se importar com nada disso — disse Ágata, rindo de forma leve, olhando para ele.

Miller forçou um sorriso. — Bem… você sabe que não sou de grandes festas — disse de forma seca, evitando qualquer contato visual comigo.

mantevi o tom neutro, tentando não se deixar levar. — Imagino… Mas deve ser bom ver tudo tomando forma.

Ágata lançou um olhar curioso para mim, talvez percebendo algo na troca de olhares silenciosa entre nos dois.

— Então, Senayd, como vão as coisas no escritório? Você sempre parece tão organizada .

disse, tentando puxar conversa casual, mas o tom carregava uma pitada de teste.

— Tudo certo… estou mantendo tudo em dia.

respondi firme, medindo cada palavra.

Miller se manteve em silêncio a maior parte do tempo, o rosto impassível, mas por dentro, cada gesto de Ágata e cada palavra de Senayd faziam seu peito apertar. Ele não queria o casamento, não tinha apreço por Ágata, e ainda carregava a culpa silenciosa do beijo recente. A tensão era invisível para Ágata, mas sentida profundamente por Senayd e por ele.

O almoço prosseguiu com conversas superficiais, risadas contidas e olhares velados, como se todos tentassem provar que estavam no controle, enquanto o passado recente pairava sobre a mesa, silencioso e pesado.

Ágata se levanta para atender um telefonema, deixando eu e Miller a sós na mesa. O silêncio caiu pesado por alguns segundos, carregado daquilo que nenhum dos dois queria dizer.

Senayd respirou fundo, sentindo , manteve a postura firme.

— Bom… eu vou indo

disse, levantando  tentando soar natural.

Miller olhou para mim, o olhar pesado, mas não falou nada. Apenas assentiu levemente, contido.

— Até mais, senhor Miller

disse  forçando um sorriso curto e educado.

— Até, Senayd

respondeu ele, a voz baixa, mas firme. O silêncio entre mois dizia mais do que qualquer palavra poderia expressar.

Mim afasto da mesa, mantendo o passo calmo, mesmo com o corpo ainda tenso. Miller ficou sentado, mim observando sair, sentindo o peso da culpa e da lembrança do beijo, mas sem dizer nada.

Ágata voltou segundos depois, sorrindo e retomando a conversa como se nada tivesse acontecido. A normalidade aparente voltou à mesa.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora