cap 16

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Depois do nosso momento juntos — aquele em que o mundo lá fora simplesmente deixou de existir — eu e Henrique voltamos para festa ainda com aquele ar silencioso de quem compartilhou algo forte demais pra explicar em palavras. Ele segurava minha mão discretamente enquanto caminhávamos, como se ainda precisasse me sentir ali, perto, real.

Quando a gente chegou na porta, Emmy e Cleber já estavam lá, rindo de alguma piada interna. Emmy me olhou de cima a baixo… e o sorriso dela se abriu na hora.

— Dormiram? — ela perguntou com aquele tom que não deixava espaço pra inocência.

Eu só revirei os olhos. Henrique riu baixinho, passando a mão pela nuca.

Cleber deu de ombros, com aquele ar tranquilo dele:

— A gente vai indo. Hanna, te aviso quando eu chegar, tá?

— Quando você chegar, né? —  repeti, com um sorriso que dizia mais do que ela admitia.

Nos despedimos na porta de festa. Cleber abraçou Henrique de lado, Emmy me abraçou forte e depois piscou pra mim. Os dois se afastaram, conversando baixinho, e Henrique ficou parado ao meu lado até eles dobrarem a rua.

Ele então virou pra mim, aproximou o rosto e disse num tom que me fez estremecer:

— Cuida de você, Hanna… e não some.

Eu só consegui sorrir. E ele foi embora, me olhando uma última vez antes de virar a esquina.

Eu dormi tão profundamente que nem ouvi Emmy entrando no quarto. Senti apenas um dedo cutucando minha bochecha.

— Hannaaaaa, acorda. — ela cantarolou, sentanda no meu colchão. — Eu tô com fome e quero fazer piquenique.

— Emmy… pelo amor de Deus — murmurei, enfiando o rosto no travesseiro. — Ainda é cedo.

— É quase meio-dia! — ela riu, puxando meu cobertor sem piedade. — Veste uma roupa. Eu tô inspirada. Cesta, suco, frutas, grama molhada… vamos!

Depois de reclamar um pouco, eu levantei. Me arrumei rápido e desci com ela. Caminhamos até um parque perto, estendemos a toalha e começamos a montar o piquenique improvisado.

Quando sentei, olhei pra Emmy encarando-a com aquele olhar de “vou te arrancar a verdade”.

— Então… —  começei, mordendo uma uva. — Como foi a noite? Assim… de verdade.

Ela respirou fundo, tentando manter a compostura.

— HAnna… foi… bom. Muito bom. — falou, evitando o sorriso que insistia em aparecer. — A gente voltou junto e… aconteceu.

Ela bateu as mãos, empolgada:

— Eu sabia! Eu sabiaaa! — ri alto, jogando a cabeça pra trás. — E você achando que não ia rolar nada!

Eu dei um empurrão nela.

— Para. Não foi planejado.

— As melhores coisas nunca são — eu respondi, mais suave. Depois suspirei.

— E entre nós… eu acho que vou ver o Cleber de novo.

— Vai? — perguntei, já imaginando a cara dela toda apaixonadinha e fingindo que não estava.

— Ele já me mandou mensagem hoje cedo — Emmy respondeu, com um sorriso bobo que ela tentou esconder atrás do copo de suco. — E eu gostei dele. De verdade.

Ficamos ali, as duas, falando sobre a noite anterior, sobre eles, sobre a vida… sol batendo leve, o cheiro da grama, o vento mexendo no cabelo da Emmy. Tudo parecia simples, leve, bonito.

E, por um instante, senti que aquele era o início de algo que mudaria nossas vidas — não só a minha, mas a dela também.

Depois de comer, rir e falar demais, eu e Emmy ficamos deitadas na toalha por alguns minutos, olhando o céu entre as árvores. O sol filtrava pela copa e deixava tudo com um brilho dourado — aquele tipo de momento que faz a gente querer congelar o tempo.

— Tá pensando no Henrique, né? — Emmy perguntou, virando o rosto pra mim.

— Não só nele… — murmurei, sentindo o nome de Miller pesando na mente.

— Ah, então é ele — ela cantarolou, provocando.

Eu dei um empurrão nela, mas ri.

Começamos a juntar as coisas do piquenique: a cesta, os copos, uma toalha que insistia em voar com o vento. Emmy enfiou tudo na sacola e puxou meu braço.

— Vamos dar uma volta antes de ir? — perguntou.

Eu concordei. Caminhamos por um caminho de pedras, margeando um lago raso. A grama estava alta, balançando com o vento, e alguns patos nadavam preguiçosos.

Foi então que eu parei.

Lá adiante, sentado sozinho em um banco de madeira — como se estivesse perdido nos próprios pensamentos — estava Derek.

Ou melhor… Miller.

Ele não parecia ter me visto ainda. Estava com um livro na mão, mas o olhar longe, como se a mente estivesse em outro lugar.

Meu coração deu um salto estranho.

-Ihhhh — Emmy sussurrou. — O universo tá de brincadeira contigo.

Eu nem consegui responder.

Respirei fundo e me aproximei. Quando Miller finalmente levantou os olhos, houve um instante… aquele instante em que tudo fica silencioso, mesmo quando o mundo continua se movendo.

— Hanna… — ele disse, fechando o livro devagar. — Não esperava te ver aqui.

— Também não esperava encontrar você — respondi, sentindo a voz sair mais suave do que o normal.

Emmy chegou ao meu lado, animada como sempre.

— Oi! Nós estamos saindo de um piquenique — ela comentou. — Você tá por aqui sozinho?

Miller se levantou, mantendo a postura calma, educada, impecável.

— Estou, sim. Gosto de vir aqui pra ler um pouco. — Ele olhou para mim com gentileza. — Vocês duas parecem ter aproveitado o dia.

— Aproveitamos — Emmy disse, cheia de intenção. — Conversamos bastante… muita coisa interessante aconteceu.

Eu quase dei uma cotovelada nela, mas Miller sorriu, saiu tão natural ele estava mas leve que o normal.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora