cap 15

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a música mudou.
Entrou um ritmo mais lento, cheio de batidas graves que pareciam vibrar direto no peito. Emmy puxou Cleber para perto do balcão, animada, deixando eu e Henrique momentaneamente sozinhos na mesa.

Ele virou o rosto pra mim devagar, como se estivesse esperando justamente esse instante.

- Você tá diferente hoje - ele murmurou.

- Diferente como? - perguntei, tentando manter o controle da voz.

Henrique inclinou-se mais, o suficiente para que eu sentisse a respiração dele roçar minha pele.

- Como alguém... que finalmente desligou do trabalho e resolveu sentir um pouco mais.

O "sentir" dele veio carregado, quase um convite.

Eu segurei o copo com firmeza, mas ele tirou devagar da minha mão e colocou na mesa, sem quebrar o olhar.

- Vem - ele disse, estendendo a mão.

Não era um pedido.
Era uma certeza.

Eu respirei fundo e aceitei.

Ele me guiou entre as mesas até um espaço onde algumas pessoas dançavam. A luz era baixa, avermelhada, e a música tinha aquela batida que parecia acompanhar a pulsação.

Quando parei diante dele, Henrique chegou mais perto... bem mais perto.

Uma das mãos dele deslizou para minha cintura - não puxando, apenas pousando, quente, firme, como se estivesse marcando o lugar exato onde queria que eu ficasse.

A outra ficou suspensa, quase tocando minha bunda.

- Se eu estiver incomodando, você me afasta - ele disse, a voz baixa, grave.

- Se você estivesse incomodando, eu já teria afastado - respondi, num sussurro.

Ele sorriu de lado, satisfeito.

Então a gente começou a se mover no ritmo da música, devagar, nossos corpos se aproximando como se algo estivesse puxando um ao outro sem permissão. Não era dança... era outro tipo de conversa.

A mão dele na minha cintura subiu um pouco, encontrando a curva das minhas costas, e a proximidade fez meu coração errar o compasso.

- Você tá tremendo - ele sussurrou no meu ouvido.
- É a música - respondi, sem convicção.

Henrique riu baixinho, com aquele ar de quem sabe exatamente o efeito que causa.

- Claro que é.

A respiração dele tocou minha nuca, descendo pela minha pele como um arrepio quente. Eu fiquei imóvel por um segundo, sentindo o impacto, antes de levar minha mão até o ombro dele - e só esse contato fez a distância entre nós desaparecer.

Ele deslizou os dedos pela minha coluna, lentos, como se estivesse memorizando cada centímetro. Não havia nada explícito... mas o que ele fazia era muito mais perigoso.

- Hanna... - ele disse do jeito que só ele conseguia.
- O quê? - minha voz saiu fraca.

- Continua perto de mim.

E eu continuei.

Não porque ele pediu - mas porque meu corpo não quis ir pra lugar nenhum.

Eu não estava mas em me meu corpo vibrava. Henrique aproximou a boca do meu ouvido e disse baixo:

- Vamos respirar um pouco... só nós dois.

Eu nem respondi. Só deixei que ele pegasse minha mão, firme, e me conduzisse pelos corredores do bar até uma porta lateral que dava para um lounge quase vazio - luz baixa, sofá macio, e o som abafado depois de tantas paredes.

Assim que a porta fechou atrás de nós, o ar mudou.

Henrique me encostou devagar na parede, mas sem me prender - apenas deixando o corpo dele perto o suficiente para tirar meu fôlego, e sentir-lo hereto

- Eu tentei... - ele disse, olhando nos meus olhos como se estivesse segurando alguma coisa. - Tentei ignorar isso o quanto pude.

- Isso o quê? - minha voz saiu quase um sussurro.

Ele deslizou a mão pela lateral da minha cintura, subindo o meu vestido devagar, até encontrar o ponto exato onde minha respiração falhou.

- Isso que você me faz sentir desde que chegou.
A proximidade queimava.
O olhar dele, então... impossível fugir.

Henrique trouxe a mão para a minha nuca e inclinou meu rosto para cima, guiando meu queixo com o polegar. O toque era suave, mas carregado de intenção.

- Se eu passar do limite, você me corta - ele disse, a voz grave, quente.
- Talvez eu não queira cortar - respondi, sem pensar.

O sorriso dele foi quase perigoso.

Ele encostou a testa na minha, e a respiração dele misturou na minha antes mesmo de me tocar.
O silêncio entre nós ficou pesado, cheio de algo que empurrava de dentro pra fora.

Então ele aproximou os lábios dos meus...
tão perto que eu senti o calor, mas não o toque.

- Me diz pra parar - ele murmurou.
- Eu não vou dizer.

E quando eu terminei a frase, ele finalmente me beijou.

O beijo não foi apressado - foi profundo.
Denso.
Como se ele tivesse segurado aquilo por meses.

A mão dele deslizou pela minha cintura, puxando meu corpo mais perto do dele, e a intensidade do toque fez minhas pernas perderem um pouco da força.

Eu segurei a camisa dele sem perceber, puxando-o mais ainda contra mim.

Henrique sorriu entre o beijo, aquele sorriso quente, perigoso, que eu sempre temi e quis na mesma medida.

- Você não faz ideia... - ele sussurrou contra minha boca - do quanto eu queria isso.

Ele pressionou o corpo no meu de um jeito que deixou muito claro o quanto ele queria.

Minhas mãos subiram pelo peito dele, sentindo a respiração acelerada, sentindo o controle dele se quebrando aos poucos... e, ainda assim, ele mantinha um domínio incrível, guiando meus movimentos com uma gentileza que só piorava o fogo que ele causava.

Henrique deslizou a boca pelo meu pescoço, lento, explorando cada reação minha como se estivesse decorando.

Eu deixei escapar um gemido que ele certamente ouviu - e que só o deixou mais ousado.

A mão dele, que antes estava na minha cintura, subiu um pouco mais, encontrando meu peito com uma segurança que fez meu coração disparar.
E justamente por isso, ainda mais intenso.

Ele voltou a me beijar, mais fundo dessa vez, o corpo colado ao meu, o calor entre nós crescendo com cada segundo.

Entre um beijo e outro, ele disse, com a voz rouca:

- eu posso continuar... eu não consigo parar.

Eu encostei a boca no pescoço dele e respondi:

- Então não para.

A respiração dele falhou contra minha pele, e ali o senti profundamente , cada sentimento que ele entrava eu gemia mas alto e ele entrava com mas força.
E o resto da noite... ficou só entre nós dois.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora