cap 9

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________________MILLER ______________________

Vou ate a casa do piter e ele entro com a confiança de quem já tem posição de poder consolidada na empresa. O ar pesado, o cheiro de couro antigo e a organização impecável da mesa não intimidavam mais como antes. Me se aproximo da escrivaninha com passos firmes, mantendo o olhar fixo em Piter.

— Então, Miller

começou Piter, a voz firme, carregada de soberania — ouvi dizer que você ainda hesita quanto ao noivado com Ágata.

— Piter, você sabe que eu não preciso do seu consentimento para nada na empresa — respondeu Miller, a voz firme, cheia de autoridade. — Não vou me casar por capricho seu.

Piter sorriu, frio e calculista, inclinando-se levemente sobre a mesa. — Ah, eu sei que você tem poder agora. Mas poder não é a mesma coisa que escolha. Os acionistas estão inseguros, Miller. Eles observam cada passo seu, cada decisão… e seu casamento com Ágata vai acalmar essa instabilidade.

— Eles que se acalmem sozinhos — rebateu Miller, impassível. — Meu casamento não é deles, e muito menos seu.

O Piter se levantou, aproximando-se com postura firme, os olhos faiscando desafio.

— Miller, você acha que pode me enfrentar e ignorar a situação? Eu posso tornar isso… complicado para você. Por um tempo, eu posso mover acionistas, influenciar decisões, criar obstáculos estratégicos. Você ainda vai sentir pressão.

respiro fundo, mantendo a calma, mas sentiu a tensão apertar. Eu sei que tenho poder, mas também sei que Piter conhecia todos os pontos frágeis da empresa e da minha posição.

— E você quer que eu aceite…

disse Miller, a voz baixa, calculada — …mas apenas para manter a estabilidade que você manipula?

Piter assentiu levemente, soberano. — Exato. Por enquanto. Um período estratégico, Miller. Depois disso, você tem liberdade para decidir. Mas agora, pelo bem da empresa… você vai me dar essa vitória.

fecho os olhos por um instante, engolindo a frustração. Por fora, continuava firme; por dentro, sentia a mistura de raiva e impotência.

— Um período.

concordo, com a voz firme —. Mas saiba, Piter… eu faço isso apenas pelo negócio, não pelo capricho de ninguém.

O pai sorriu, satisfeito com a aparente rendição, enquanto mim afasto da mesa, mantendo cada passo cheio de autoridade. Eu cederei, mas apenas temporariamente, com consciência plena de que o controle real estava em suas mãos. Apenas ganhando tempo.

O salão do museu estava elegante, cheio de vozes baixas e passos ecoando pelo piso de mármore.  caminhando ao lado de Ágata, que exibia seu sorriso impecável, a postura perfeita de uma noiva que sabia exatamente o lugar que ocupava.

Ela se inclinou levemente contra mim, o perfume intenso envolvendo-a. — Está distraído, Derek. — A voz era baixa, provocadora, carregada de malícia.

— Só estou observando — respondi, seco.

Ágata seguiu o meu olhar  e encontrou Hanna a alguns metros adiante, ao lado de um homem. Ela riu baixinho, venenosa.

— Ah, claro. A funcionária encantadora… Parece que já tem companhia. — Seus olhos brilharam, não de ciúmes, mas de prazer de cutucar-me.

— Curioso como você ainda perde tempo com distrações, quando sabe o que realmente importa.

mantevi a expressão neutra, mas a mandíbula travou. Ágata conhecia minhas fraquezas. E o pior: gostava de usá-las.

— Não me provoque, Ágata — murmurei, firme, sem olhar para ela.

— Quem disse que estou provocando?

retrucou, com aquele sorriso quase cruel.

— Só estou lembrando que você já sabe como é comigo.

Ela deslizou a mão pelo meu braço de um jeito íntimo, quase possessivo. — Não existe surpresa, não existe fragilidade. Apenas controle.

senti o peso dessas palavras. Sim ,o passado: encontros cheios de desejo, com sentimento, sem afeto. Uma relação de conveniência e poder. Ágata sabia se impor, sabia manipular, e agora usava isso para manter a fachada perfeita do noivado.

Mas quando meus olhos voltaram a Hanna… tudo era diferente. Apenas um beijo, rápido, quase um erro. Mas nele havia algo que Ágata jamais despertara: vulnerabilidade. Um espaço perigoso dentro de mim, que insistia em permanecer aberto.

Ágata percebeu a mudança em meu olhar e sorriu, satisfeita.

— Ela não tem ideia do que está enfrentando, não é?

disse, em tom baixo, venenoso. — E você também não.

respiro fundo, recobrando a frieza.

— Cuidado, Ágata .

disse, finalmente encarando-a com seriedade. — Você confunde manipulação com poder.

Ela inclinou o rosto, quase roçando os seu lábios no meu ouvido , e sussurrou: — E você confunde desejo com liberdade.

Por fora, continuavam o casal perfeito, atraindo olhares de aprovação. Por dentro,  sentia a prisão que era Ágata e a inquietação que era Hanna. Entre os dois extremos, eu percebia o abismo que o mantinha dividido.

Dias se passaram A sala de reuniões estava cheia. Papéis organizados sobre a mesa, notebooks abertos, o ar-condicionado jogando um frio quase desconfortável no ambiente.  entro com a postura firme de sempre, terno impecável, olhar sério. A conversa paralela entre os funcionários cessou imediatamente.

— Bom dia a todos — começou, a voz grave preenchendo o espaço. — Temos uma pauta importante. A equipe jurídica foi designada para acompanhar uma negociação internacional. A viagem acontecerá dentro de duas semanas. Preciso que estejam preparados, com todos os documentos revisados e a estratégia ajustada. — Olho ao redor, os olhos frios, avaliando cada rosto. — Será uma oportunidade decisiva para a empresa.

Hanna, sentada entre os colegas, manteve a postura profissional. A caneta em sua mão se mexeu de leve, traçando linhas invisíveis no bloco de anotações, perco um pouco o foco e minha mente já corria em outra direção. Uma viagem. Longe do escritório. Dias inteiros trabalhando lado a lado com ela, inevitavelmente.

não deixo transparecer nada além de atenção. Percebo seus olhos se fixaram nas anotações, e por um instante meu coração batia mais rápido. A lembrança incômoda do beijo no carro voltou, seguida do peso de saber que Ágata existia — e o que isso significava.

continuo falando, agora sobre prazos e responsabilidades. Em nenhum momento olho diretamente para Hanna, mas ela sentia o peso da nossa presença juntos. Como se a cada palavra dita, ela soubesse exatamente o efeito que teria sobre ela.

Quando a reunião terminou, colegas comentavam animados sobre a viagem, já especulando destinos, compromissos, hotéis. Hanna se limitou a recolher suas coisas com calma, o sorriso educado no rosto. Mas por dentro, o conflito crescia: trabalhar tão perto dela seria inevitável… e perigoso.

Do outro lado da sala, eu a observava discretamente, sem permitir que ninguém notasse. A máscara profissional estava firme, mas dentro de mim a decisão do pai, a manipulação de Ágata e o fantasma do beijo pesavam como correntes invisíveis.

A viagem estava marcada. E nada seria simples depois disso.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora