cap 12

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___________________Hanna_____________________

Saí do portão de desembarque antes que Miller percebesse. O movimento da multidão ajudava a misturar-me, enquanto meu coração ainda batia acelerado, misturando raiva, frustração e uma estranha sensação de alívio.

Enquanto caminhava, minha mente voltou à noite passada. Eu ainda podia sentir o toque dele, o calor do corpo, o cheiro que sempre me desarmava. Mas sabia que aquilo tinha sido um deslize. Nada mais do que isso. Nada que mudasse o que ele tinha debaixo do braço, ou os planos do pai dele.

Lembrei de cada olhar escondido, cada toque furtivo, cada risada contida. E, mesmo assim, a lembrança não me enchia de saudade. Era só... um lembrete do que não podia ser.

Então, a cena do aeroporto veio à mente com nitidez: Ágata, com aquele sorriso calculado, se aproximando, beijando Miller como se fosse uma provocação, como se quisesse marcar território bem na minha frente. Eu senti a frustração dele transparecer em cada gesto, cada palavra fria, cada recuo de Ágata.

E foi nesse momento que percebi: não podia mais estar ali. Não podia mais me permitir ser parte do jogo dele, ou do teatro de Ágata.

Enquanto seguia pelo corredor, cada passo me afastava de Miller e daquilo que sentimos na noite passada. Era doloroso, sim, mas também libertador. Eu precisava me proteger, e essa era a única forma.

O silêncio que deixei atrás de mim pesava mais do que qualquer palavra que poderia ter dito. Mas, finalmente, eu me sentia inteira novamente, mesmo que isso significasse deixá-lo sozinho com Ágata.

Eu respirava fundo antes de entrar na sala de reuniões, sentindo aquele misto de nervosismo e determinação. Mas assim que comecei a apresentar os resultados, todas as dúvidas desapareceram. Cada número, cada estratégia que eu expunha parecia capturar a atenção de todos.

O silêncio que se formou enquanto falava me dizia que estavam realmente me ouvindo. E quando terminei, os aplausos vieram, firmes, respeitosos. Um dos diretores se aproximou e me parabenizou, e senti um calor de satisfação percorrer meu peito: eu tinha conseguido, não apenas apresentar, mas me destacar de verdade.

Foi quando percebi o olhar de Miller. Ele não tentava esconder, e nem precisava: havia admiração ali, respeito genuíno pelo que eu acabara de conquistar. Isso me deu uma pontada de confiança extra, mas também manteve meu foco - eu não precisava de aprovação, mas era bom perceber que ele via meu valor.

Saimon, por outro lado, parecia surpreso. Percebi o leve arqueamento de sobrancelhas, a atenção dele desviando para mim algumas vezes, como se tentasse entender a mudança de dinâmica. Eu sabia que ele estava percebendo a forma como Miller me olhava.

Depois da reunião, a sala começou a esvaziar, e eu fiquei ali, tentando organizar minhas ideias enquanto ajustava meus papéis. Miller se aproximou, caminhando devagar, mas com aquele olhar que só ele tinha - atento, admirado, quase íntimo.

- Senayd... - começou, a voz baixa, firme - você realmente se destacou hoje. Não é só o prêmio, não é só a apresentação... é tudo. A forma como você domina cada detalhe, como consegue manter o controle e ainda assim transmitir confiança. É... impressionante.

Senti meu rosto aquecer, mas tentei manter a postura. - Obrigada, Miller... significa muito vindo do meu CEO.

Ele deu um passo mais perto, o suficiente para que eu sentisse a presença dele de forma intensa, mas sem ultrapassar nenhum limite. - É sério. Eu admiro muito o seu trabalho. - acrescentou, e eu pude sentir a sinceridade dele em cada palavra.

Eu sorri levemente, tentando disfarçar o nervosismo. - Eu... faço o meu melhor.

Por um instante, ficamos ali em silêncio, apenas observando um ao outro, e eu sabia que aquele momento era só nosso, uma pequena pausa longe da multidão.

Então, a porta se abriu e Saimon entrou na sala, olhando ao redor com atenção. - Senayd, Miller... achei que ainda estivessem por aqui.

Saimon nos observou por um instante, mas algo em seu olhar mudou. Não era interesse pessoal - era percepção. Ele percebeu a tensão silenciosa, o jeito que nos estudávamos, e o respeito e admiração implícitos no gesto de Miller.

- Ótimo trabalho hoje, Senayd. - disse Saimon, finalmente, quebrando o silêncio. - Você merece o reconhecimento.

Eu assenti, sorrindo de forma contida, e Miller apenas acenou, mantendo o elogio silencioso entre nós. Mas eu sabia que Saimon tinha notado algo, mesmo que não pudesse nomear o quê.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora