cap 13

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Eu abri a porta do apartamento com aquele peso familiar do fim de um dia longo. O salto já me incomodava, e tudo que eu queria era um banho quente e silêncio. Deixei a bolsa no sofá, tirei o blazer e soltei um suspiro que parecia carregar a semana inteira.

Mas algo estava diferente.

Percebi de cara — o ar tinha outro cheiro, um perfume leve e doce que não era o meu. E então vi: duas malas ao lado da mesa e uma jaqueta pendurada na cadeira. Meu coração deu um pulo.

— Alô? — chamei, hesitante, o som da minha própria voz ecoando pelo corredor.

Foi quando ouvi.
— Se você gritar, eu juro que saio pela janela!

Congelei. Aquela voz. Impossível confundir.

— Emmy?! — exclamei, ainda sem acreditar.

Ela apareceu no corredor com uma xícara na mão e o mesmo sorriso travesso de sempre.
— Surpresa!

Por alguns segundos, tudo parou. Eu só consegui rir, depois senti as lágrimas querendo escapar. Corri até ela e abracei forte, o tipo de abraço que encaixa o peito e o coração de volta no lugar.

— O que você tá fazendo aqui? — perguntei, rindo e chorando ao mesmo tempo.

— Senti sua falta, — ela respondeu, encostando a testa na minha. — E consegui seu endereço com seus pais. Sua mãe até me ajudou a fazer as malas, acredita?

Eu comecei a rir alto.
— Claro que ela ajudou. Vocês dois são uma conspiração.

Emmy me olhou divertida.
— E deu certo, não deu? Agora me deixa ficar um tempo aqui. Prometo não bagunçar muito… ou talvez só um pouco.

— Quanto tempo é “um tempo”? — perguntei, cruzando os braços.

— O suficiente pra você parar de achar que o trabalho é o centro do universo.

Eu revirei os olhos, mas o sorriso entregava tudo. Eu estava feliz, de verdade. Ela andou pelo apartamento, observando tudo com aquele olhar curioso.

— Seu cantinho é tão você… organizado, silencioso, com cheiro de lavanda. Só faltava eu pra quebrar o equilíbrio.

— E você trouxe tudo mesmo, — apontei pras malas.

— Claro. Espero que o sofá seja confortável.

Rimos juntas. A sensação era tão boa, tão familiar, que por um momento esqueci de todo o resto — das reuniões, das pressões, de Miller. Só existia aquele reencontro, simples e cheio de vida.

Naquela noite, percebi o quanto eu precisava da presença dela. Às vezes, o lar não é um lugar — é uma pessoa que sabe aparecer sem avisar, na hora exata em que você mais precisa.

- oque você acha de sairmos no sábado? Disse ela com aquela cara que me faz ceder a qualquer pedido dela

- sério? Você acabou se chegar aqui!. Disse fazendo um bico.

- combinado !! . Ela fala saindo sem deixar eu falar mas nada.

Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora