cap 8

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Alguns dias depois, estava em um museu, vestida com elegância contida, absorvida na atmosfera de protocolos e conversas educadas. A música suave, os risos contidos e os copos tilintando criavam um cenário distante da confusão que ainda carregava dentro de si.

caminhando pelo salão, concentrada em  alguns quadros, quando paro abruptamente. Henrique estava ali, encostado discretamente em uma coluna, vestindo o terno que sempre parecia feito sob medida para ele. O meu coração acelerou imediatamente.

Henrique a reconheceu no instante. Um sorriso que misturava nostalgia e algo se formou em seus lábios.
— Hanna… faz tempo

disse ele, a voz baixa, carregada de lembrança. — Você está… diferente.

senti um misto de emoções: surpresa, lembrança, e uma pontada de alerta.

— Henrique .

respondeo, mantendo o tom calmo, mas os olhos denunciando a tensão. — Sim… faz algum tempo mesmo.

Ele se aproximou, devagar, como se o espaço entre eles fosse apenas um detalhe que poderia ser ajustado.

— Sabe… eu nunca entendi por que as coisas terminaram daquele jeito.

disse ele, a voz carregando leve frustração. — A gente tinha planos… e eu sempre quis que fôssemos juntos.

respiro fundo, controlando cada gesto, cada palavra. Henrique sempre fora possessivo, e por mais que eu tivesse sentido amor por ele, sabia que os caminhos que cada um queria eram diferentes.

— Eu também , Henrique.

disse com firmeza — mas nossos planos eram diferentes. E eu… precisava seguir o meu caminho.

Ele assentiu, mas o brilho nos olhos não desapareceu .

— Eu só queria… que você soubesse 

murmurou, quase como se falasse mais para si mesmo do que para mim.

senti o peso da conversa, mas mantevi a postura distante.

— Eu sei

respondeu, breve. — Mas agora estamos em fases diferentes da vida.

Henrique ficou em silêncio, observando-a

Ao final da visita ao museu,  Henrique e eu caminhávamos pelos corredores iluminados, admirando as últimas obras expostas. O som dos passos ecoava levemente, e o ambiente formal dava lugar a uma sensação de leveza inesperada.

— Eu sempre gostei dessa sala — comentou Henrique, parando diante de uma pintura abstrata. — Tem algo de… tranquilo aqui, não acha?

— Sim — respondi sentindo-se confortável ao lado dele. — É diferente do resto do museu. Dá pra respirar um pouco, sem tanta gente ao redor.

Ele mim olhou , e por um instante, o sorriso dele era genuíno, desarmado.

— Você sempre teve bom gosto

disse, a voz baixa, quase um sussurro.

rir levemente, tentando disfarçar o calor que subiu pelo corpo. — Bom gosto… ou apenas sorte de gostar das coisas certas?

— Talvez um pouco dos dois.

respondeu , com um brilho divertido nos olhos. — Mas sério, é bom poder conversar assim, sem pressa, sem ninguém nos olhando.

saindo do museu, ainda lado a lado, caminhando pelas ruas tranquilas. O ar fresco da noite nos envolvia, e a cidade parecia mais calma, mais leve do que o habitual.

— Quer ir tomar um café? — sugeriu Henrique, casual, sem pressa.

— Por que não? — respondi sorrindo. A simples ideia de continuar a conversa com ele já era agradável.

Enquanto caminhavam juntos pelas calçadas, a conversa fluía fácil, leve, cheia de risadas contidas e comentários sobre as obras que tinham visto. Não havia pressa, nem expectativas. Apenas o prazer de estar lado a lado, redescobrindo uma conexão que, mesmo antiga, parecia confortável e natural.

O museu ficava para trás, mas a sensação gostosa da companhia permanecia, silenciosa, fluida e completamente presente.

Depois de saímos  do café, caminhamos mais uma vez pelas ruas silenciosas, o ar fresco da noite nos envolvendo . Os meus risos saiam leve, e ele se inclinava de leve sempre que falava, aproximando-se mais do que parecia necessário.

— Você sempre encontra uma forma de fazer tudo parecer mais interessante.

disse Henrique, olhando em meus olhos com aquele sorriso quase travesso.

— Ah, é?

respondi, sorrindo de volta, sentindo o coração acelerar. — E você, sempre tão charmoso quanto na época do escritório?

Ele riu baixo, e por um instante, a mão dele roçou a minha. Não havia intenção clara, mas o toque foi suficiente para que ambos sentissem a eletricidade no ar. Eles continuaram caminhando lado a lado, os ombros quase encostando, os olhos constantemente se encontrando.

Chegaram a um ponto mais tranquilo da rua, longe das luzes mais intensas e do movimento do café. Henrique parou, segurando levemente a minha mão, os dedos se entrelaçando quase sem querer.

— É estranho…

disse ele, a voz baixa, cheia de sinceridade — estar aqui com você assim.

— Sim…

respondi, sentindo a proximidade, o calor do corpo dele, o perfume que sempre a fascinou. — Mas… é gostoso, de um jeito que não dá pra ignorar.

Ele se inclinou lentamente, eu senti o seu rosto tão perto que podia perceber cada detalhe, cada respiração. Por um instante, o mundo pareceu desaparecer, e o quase beijo pairou entre nos — os lábios a centímetros de distância, mãos quase tocando o rosto um do outro.

respirei fundo, recuando suavemente, os olhos fixos nos dele.

— Henrique… — disse, a voz firme, mas carregada de emoção — o que tivemos foi intenso, mas acabou.

Ele assentiu, apenas, sorrindo levemente com a mistura de frustração e compreensão. O clima de romance ainda estava ali, pulsante, mas ela manteve o controle.

— Boa noite, Henrique —  soltando a mão dele com delicadeza.

— Boa noite, Hanna Senayd — respondeu ele, com aquele sorriso triste, mas sincero, enquanto ela se afastava.

O quase beijo permaneceu como uma lembrança quente na mente de ambos, uma mistura de atração, nostalgia e consciência, mas também da certeza de que o passado não voltaria.

Henrique  megalos

Henrique  megalos

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Por Uma Decisão Histórias para pegar e não largar. Descubra agora