Um adeus de fúria

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Capítulo 29

Duas semanas se passou desde o meu término dramático com Angry, quase não saio do quarto desde então. A dor e a culpa tem me corroído por dentro e me torturado lentamente. Minha mãe tem estado vinte quatro horas por dia comigo em casa, temendo que eu tenha outra crise depressiva.

Meu celular toca em cima do criado mudo e estico meu braço para recusar a chamada, sem nem mesmo olhar o nome e isso se repete por três vezes, na quarta vez eu finalmente pego o celular e olho o nome na tela, na intenção de bloquear o número, mas antes que eu faça isso, reconheço que não é um número comum. Sorrio minimamente pela primeira vez desde meu término e atendo.

- Eu devia recusar de novo, ou melhor, atender e depois desligar na sua cara. - me sento na cama, me acomodando - O que quer?

- Você sempre vai me atender assim, sua peste? A tia te educou bem, por que virou essa pirralha mal educada que não respeita o irmão mais velho? - a voz conhecida de Ren se altera divertidamente do outro lado da linha

- Você acha que merece educação? - grito de volta - Tem idéia de quantos meses se passou desde a última vez que deu notícias? Tem idéia... Do que eu passei nesses últimos meses? - minha voz embarga, as lágrimas voltando a molhar meus olhos - E-eu precisei de você e cadê você, REN-KUN?

Um silêncio toma conta e ouço um suspiro dele, imagino o olhar de culpado que ele tem no rosto.

- Eu sei. Me desculpa. - pede, genuinamente arrependido - Eu devia estar aí, você sofreu tanto e eu nem estava contigo para te apoiar. Eu sinto muito, irmãzinha.

Abro a boca e começo a chorar igual uma criança quando quer ser consolada pelo irmão mais velho. Ele ri e eu consigo visualizar na minha mente a expressão amorosa e acolhedora que ele está fazendo.

- Está tudo bem, querida. Vai ficar tudo bem! - me consola, seu tom de voz reconfortante e cuidadoso

- P-por que não me ligou? - pergunto, limpando minhas lágrimas

- Eu liguei, mas seu número estava sempre indisponível.

- Meus pais esconderam meu celular, minha mãe me devolveu a pouco tempo. Mas era só você ligar pra ela.

- E eu liguei. - confessa

- O que? - dou um salto na cama, indignada - Ela não me falou nada!

- Eu estive em contato com ela desde o início, mas ela achou melhor eu não entrar em contato diretamente com você, por causa da sua relação turbulenta com seu ex. Vocês já estavam tendo problemas no relacionamento, nós achamos que se ele descobrisse sobre um homem desconhecido na sua vida, tornaria tudo pior.

- Eu entendo... - suspiro - Angry já estava bem calejado, a descoberta repentina da sua existência só deixaria ele ainda mais inseguro.

- Que bom que entende. Mas e você, irmãzinha, como está? A tia me disse que você não sai do quarto.

- Eu estou bem, na medida do possível. Acho que o choque da dor que estou sentindo está me deixando suficientemente desperta mentalmente, então a depressão não tem espaço pra me atormentar. Uma doença mental por vez, né? Tantos sentimentos ruins de uma vez eu não aguentaria.

- E ele? - meu coração dá um salto - Vocês... Já se falaram desde... Enfim, tudo?

- Não. Ele me liga todo dia, mas eu não atendo. Eu bloqueei o número dele, mas ele me liga pelo número dos meninos da gangue, então toda hora estou recusando ligações. Por isso que recusei sua primeira chamada, achei que fosse ele.

Nossa História - Souya Kawata (Angry)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora