80 - Fim

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Cinco anos se passaram como um suspiro de alívio após a tempestade. A primavera trazia o perfume das flores silvestres. Anya observava, encostada na cerca de madeira do estábulo, enquanto Milla guiava Luna, a égua branca, pequena e doce. No lombo do animal, uma garotinha de cabelos escuros e olhos determinados segurava as rédeas com uma confiança que não pertencia a uma criança de sua idade.
​- Mantenha as costas eretas, pequena Alteza - instruía Milla, que agora agia mais como uma mentora para a menina do que apenas uma dama de companhia. - Luna sente quando você hesita.
​- Ela não sente hesitação, Milla, ela sente fome! - respondeu Helena. - Se eu não der a maçã logo, ela vai me levar direto para a cozinha e não para o campo.
​Anya riu baixinho, mas o riso logo deu lugar a uma pontada de saudade melancólica. Olhou para as próprias mãos pálidas e pensou no filho que nunca pôde tocar, o menino que se perdeu em meio ao caos e ao sangue naquele altar profano. A dor de uma mãe que perdeu uma parte de si mesma ainda ecoava, uma ferida que nem mesmo o tempo ou o pacto poderiam cicatrizar completamente.
​Suspirou e então sentiu um calor familiar envolver seus ombros antes mesmo de ouvir os passos pesados.
​- Ele seria um montador terrível, sabe?- murmurou Jack ao pé do seu ouvido, a voz rouca e vibrante enviando os habituais arrepios por sua nuca. - Tão teimoso e atrevido quanto a mãe. Provavelmente tentaria apostar corrida comigo antes mesmo de aprender a trotar.
​- Ou seria arrogante como o pai e acharia que o cavalo é quem deveria pedir licença para ser montado - retrucou Anya, virando-se nos braços dele.
​Jack sorriu, aquele sorriso possessivo que ainda fazia o coração dela dar cambalhotas. Ele a apertou contra o peito, ignorando a luz do dia e os servos que fingiam não olhar.
​- Senti sua falta no café - disse ele, roçando os lábios no pescoço dela. - O castelo parece vazio demais quando você decide fugir para os estábulos.
​- Eu não fugi, Jack. Só queria ver nossa filha superar o pai no treinamento - ela provocou, passando as mãos pelos ombros largos dele.
​- Superar? Ela tem o meu sangue, bonequinha. A excelência é o ponto de partida. Mas se você quer falar de falta de atenção... - Ele baixou a voz, tornando-a perigosamente sedutora. - Podemos discutir isso no nosso quarto. Tenho alguns métodos de punição para esposas negligentes.
​- Você é ridículo! - Anya riu.
​- Sou? E você adora quando eu exerço minha autoridade real sobre você.
​Anya revirou os olhos.
- Cala a boca...
Um gritinho de Helena fez os dois olharem, agora Milla corria atrás da égua que começou a correr em círculos com Helena nas costas. Anya sacudiu a cabeça rindo.
​- Falando em autoridade... - Ela mudou de assunto. - Adam já retornou da visita à sua mãe?
​- Ainda não - Jack suspirou, um lampejo de irritação cruzando seus olhos cinzentos. - Samantha tem a mania de prolongar os "negócios reais" quando ele está por perto. Ela diz que ele é o único humano com quem consegue ter uma conversa decente, mas sabemos que a "conversa" dela costuma deixar o idiota exausto por dias. Ele é o meu regente oficial, mas no castelo dela, ele é apenas o brinquedo favorito de uma deusa sanguinária.
​Outro grito agudo vindo da pista de treino interrompeu a conversa.
​- LUNA! Se você não parar de me girar, eu vou transformar você em sopa!
​Milla imediatamente parou a égua, com as mãos no quadril e uma expressão de horror.
- Alteza! Não se fala assim com os animais, e muito menos com a montaria da sua mãe. Peça desculpas à Luna agora.
​- Ela começou! - a menina respondeu com toda a inocência do mundo, enquanto a égua bufava.
​- Definitivamente sua filha - Anya murmurou entre risos.
​- Definitivamente SUA filha.- ele corrigiu indignado. - Bem... Voltando aos assuntos reais, recebi os relatórios dos reinos vizinhos. Villena está próspera sob nossa regulamentação, e as seitas que sobraram foram caçadas até os confins das cavernas do sul.
​- E a regulamentação sobre a caça aos remanescentes das seitas? Você garantiu que nenhum inocente seja atingido?
​Jack a puxou mais para perto, segurando seu rosto com a possessividade de sempre.
- Não se preocupe com isso, bonequinha. Eu cuido dos monstros. Você só precisa cuidar de ser minha.
​Ele se inclinou, a expressão tornando-se intensamente possessiva, desceu a mão, espalmando-a com uma possessividade renovada sobre a barriga ainda plana de Anya, mas que surpreendentemente foi capaz de novamente começar a gerar uma vida, depois de tudo que fizeram com ela.
​- E este mini demônio aqui... - ele sussurrou, os olhos brilhando em um vermelho suave de puro desejo e proteção. - Eu matarei qualquer um que ouse olhar torto para ele. Vou proteger os três com cada gota do meu sangue.
​Anya sorriu.
​- Pobre Adan... Correu para Samantha porquê você o obriga a me seguir cada segundo do dia. Espero que a Rainha seja paciente com ele e o deixe descansar.
​- Paciente? - Jack desceu os beijos pelo pescoço de Anya, fazendo-a estremecer. - Eu espero que ela o deixe tão louco quanto você me deixa. Assim ele para de me cobrar relatórios de guerra enquanto eu só quero carregar minha esposa para o quarto.
​Anya deu um tapinha leve no ombro dele, embora sua outra mão estivesse ocupada demais emaranhando-se nos cabelos dele.
​- Jack Lewis, ainda é dia. E Milla está logo ali.
​- Milla sabe exatamente o que acontece quando eu olho para você. Sabe que sempre te quero. - ele murmurou contra os lábios dela, a voz carregada de uma promessa antiga. - E sempre vou querer a mulher que caiu do céu só para me encontrar.

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Nota da autora: Fim mesmo? Estive sumida, mas preparando uma surpresa pra vocês

Obcecado Por AnyaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora