Epílogo

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O inverno havia chegado com uma força impiedosa, cobrindo o reino com um manto branco que parecia abafar até os sons mais distantes. Helena Heloísa, fugiu da própria festa de dezoito anos e caminhava com dificuldade pelos jardins do castelo, sentindo os flocos de neve derreterem em suas bochechas. Ela tentava localizar Giovane, seu irmão mais novo de treze anos. O garoto, que herdou a brancura quase transcendental da mãe, era um mestre em se camuflar naquele cenário; bastava ele ficar parado entre as dunas de neve para desaparecer completamente. Ambos haviam fugido para brincar, assim que começaram os discursos dos convidados nobres.
— Giovane! Eu vou desistir e deixar você congelar aqui fora! — ela gritou, mas o silêncio foi sua única resposta.
Seus passos a levaram, quase por instinto, em direção ao cemitério real. Anya, sua mãe, sempre dissera que aquele lugar era lindo, uma homenagem solene à memória, mas hoje, Helena o achava assustador. As estátuas de mármore branco pareciam sentinelas geladas a observando, e as árvores sem folhas, cobertas por camadas de gelo cristalino, pareciam a garras estendidas para o céu cinzento.

 As estátuas de mármore branco pareciam sentinelas geladas a observando, e as árvores sem folhas, cobertas por camadas de gelo cristalino, pareciam a garras estendidas para o céu cinzento

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Ela parou diante do túmulo do irmão. Era apenas um memorial, um marco simbólico, já que o corpo do bebê nunca foi recuperado do abismo. Em uma pequena placa de metal polido, a profecia do nascimento de ambos estava gravada logo abaixo de um epitáfio que Jack e Anya levaram meses para escolher. Helena passou os dedos pelas letras frias, sentindo o relevo do metal. Ela conhecia cada detalhe sombrio do seu nascimento; sabia que, enquanto ela chorava nos braços da mãe, seu gêmeo era tragado pela escuridão. "Como ele seria agora?", pensou. "Teria o sorriso de papai ou a calma de mamãe?".
— Helena! Não vai me achar logo? Está ficando frio! — a voz de Giovane ecoou ao longe, vinda de algum lugar perto das criptas.
Helena sorriu e abriu a boca para responder, pronta para dar uma bronca no pestinha, mas o som morreu em sua garganta. Ela sentiu um puxão violento. Seus olhos se arregalaram ao ver o impossível: no reflexo da placa polida, uma mão pálida e forte havia saído do metal e agarrado seu pulso com uma força esmagadora.
— GIOVANE! — ela gritou, mas o nome do irmão foi cortado por um solavanco.
Ela foi puxada para frente. Por um segundo, teve certeza de que esmagaria a testa contra o túmulo de pedra, mas a superfície sólida simplesmente não estava lá. Helena mergulhou no vazio.
"Ótimo, Helena. Primeiro dia com dezoito anos e você é sequestrada por um epitáfio. Mamãe vai me matar se eu morrer antes do jantar", pensou, em um surto de pânico.
A queda não era escura. Era um turbilhão psicodélico de cores, luzes que pareciam fragmentos de arco-íris estilhaçados em alta velocidade. O estômago subiu até a garganta e a sensação de gravidade desapareceu, substituída por um formigamento elétrico que percorria cada centímetro de sua pele. Quando finalmente sentiu o impacto, não foi forte, nem pedra ou terra fria. Ela caiu de barriga em algo plano, liso e estranhamente morno.
Com o coração martelando contra as costelas e os pulmões implorando por ar, ela tentou entender onde estava. O chão sob suas palmas não era mármore; parecia video, e ao redor dela, um salão imenso de diamantes refletia uma luz gélida e infinita.
— O que temos aqui? — Uma voz ecoou pelo salão. Era uma voz profunda, vibrante, carregada de uma arrogância que Helena reconheceria em qualquer lugar do mundo. Parecia com a de seu pai
Ela apoiou as mãos no chão de vidro e levantou o olhar devagar. Seu corpo inteiro congelou. Sentado em um trono de cristal maciço, estava um homem jovem, mas com uma presença que dominava todo o espaço. Ele era alto, com os ombros largos, a pele era pálida como a neve e os cabelos eram longos e prateados. O olhar dele era predatório, perigoso, desprovido de qualquer calor humano.
Era como olhar para uma versão masculina e gélida de si mesma, com cores reversas. Helena não precisou de mais um segundo para saber que era.

 Helena não precisou de mais um segundo para saber que era

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— Irmão? — a voz de Helena saiu em um sussurro quebrado.
O homem inclinou a cabeça para o lado, observando-a como se ela fosse a coisa mais interessante que já caiu em seu reino de isolamento. Um sorriso lento e possessivo curvou seus lábios.


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Nota da autora: Querem a história? Está prontinha aqui. Aviso logo que é polêmicaa

Obcecado Por AnyaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora