Abro a porta devagar... A casa está escura e tranquila. Bem diferente de quando eu saí. Ao trancar a porta, olho para todos os lados... Nenhum sinal da minha mãe. Mas quando entro em meu quarto... Lá está ela.
Mamãe está sentada em minha cama, com o meu diário aberto em suas mãos.
Droga...
- Teve uma boa noite? - Ela me fita com seus olhos castanhos.
- O que está fazendo com o meu diário? Onde o encontrou?
- Vim limpar o seu quarto... Achei em baixo do colchão.
- Mentira. Você não tinha o direito de lê-lo. - Me aproximo e jogo minha bolsa no pé da cama.
- Sou sua mãe, Jessy. Tenho todo o direito...
- Me dê... - Tento pegar o diário, mas ela se levanta, o afastando de mim.
- É verdade o que escreveu aqui?
- Eu escrevi muitas coisas mãe...
- Me refiro ao fato de você querer transar com aquele garoto. - Ela aumenta o tom de voz.
- Eu não escrevi nada disso.
Ela abre o diário, folheia algumas páginas e começa a ler.
- "COMO SERÁ A MINHA PRIMEIRA VEZ? SERÁ QUE VAI SER COM O PAUL? ELE GANHOU VÁRIOS PONTOS COMIGO SIMPLESMENTE POR TER PEGADO NA MINHA BUNDA."
- Isso não significa que eu quero transar com ele.
- Então o que significa? - Ela grita.
- Não grite comigo, mãe...
Ela respira fundo e me surpreende com um abraço apertado. Afundo a cabeça em seu peito, seus cabelos negros fazem cócegas em meu nariz.
- Está proibida de ver aquele garoto. - Ela sussurra em meu ouvido.
- Não. - Me afasto.
- Filha, só estou protegendo você. - Ela passa a mão em meu rosto.
Recuo.
- Ele não vai me machucar...
- Conheço esse tipo de homem, filha. Eles são perigosos.
- Não... Paul é diferente, especial. Ele é como o papai.
- Não fale do seu pai nesta casa. - A expressão de mamãe muda de compaixão para ódio.
- Por quê? Meu pai deve ter sido o melhor.
- Seu pai era asqueroso... - Ela grita.
- O quê?
- Ele era um bêbado desprezível. Me estuprava quase todo dia... E quando eu contei que estava grávida, ele me estuprou e me espancou até eu não ter mais forças para lutar. Ele só não me matou porque a bebida o matou antes... Ele caiu duro no chão assim que o maldito tumor em seu fígado estourou. Então, não ouse falar deste homem nesta casa. - Ela sai com o rosto molhado pelas lágrimas.
Seus gritos ainda ecoam pelo silêncio da casa.
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Diário De Uma Assassina
Novela JuvenilO que fazer sua do o ar que você respira acaba? O que fazer quando o mundo que você conhece não existe mais? O que fazer quando você está morta? Jessy é uma adolescente normal... Ou melhor... Jessy era uma adolescente normal. Agora, ela é uma Assas...