Mas antes de ser feliz, você precisa sofrer.

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Larissa e Alice foram à festa na casa de Alex, a faculdade inteira (praticamente) estava lá.

- Ah, vocês chegaram! – exclamou Pedro assim que viu as meninas.

Alex ao notar Alice a puxou de canto. Ao notar que Alex estava sério, ela ficou espantada. Não haviam se falado desde o dia que dormiram juntos e fazia uma semana que aquilo havia acontecido.

- Que saudade de você!

Alice o abraçou. Ele a soltou hesitante.

- O que eu tenho de bom? – perguntou Alex.

- Você me faz feliz.

- Ah, é?

- Sim, senhor.

- Eu preciso falar sério com você.

- Alice... – chamou Larissa.

- Oi

Larissa a puxou, levando-a para a cozinha. Pegaram cerveja e saíram.

- Por que me puxou? – perguntou ela.

- Eu te ajudei, meu amor – disse Larissa, segurando a mão dela. – Ele vai terminar com você.

- Ai, meu Deus, Lari! Para de falar bobeira. Você era a que mais apoiava agora está insinuando que ele é um cafajeste e que irá terminar comigo depois de dormimos juntos. Ele não faria isso.

- Posso te garantir que sim. Eu escutei ele falando para o Pedro, ontem a tarde na faculdade.

- Como é?

- Eu sei. Eu sinto muito.

- Ele é um cretino. – Ela começou a chorar. – Mas eu nunca deixaria um menino me dar um pé na bunda.

Alice foi na direção de Alex, nervosa. Quando ela chegou perto, pegou o braço dele e o puxou para o fundo do quintal.

- Vem – Alice puxou. – Não quer conversar sério comigo? Vamos conversar!

- É, Alice, precisamos e logo!

Ao chegarem Alex hesitou, mas começou a falar.

- Sei que o nosso namoro era bom e que nos divertimos muito, mas acontece que somos diferentes um do outro, e não fique chateada mas...

- Está tudo acabado, eu estou terminando com você – interrompeu Alice. – ACABOU, SEU IDIOTA!

Ela saiu correndo e chorando. Puxou Larissa e saiu correndo em direção ao carro. Quando entraram Alice deu partida.

(~)

Na manhã de domingo, um pouco depois das oito horas, o celular de Rafael vibrou. Depois de hesitar, finalmente abriu a mensagem. Parte dele ficou confusa... mas o outra sabia exatamente quem era.

"Olá Rafael. O que está fazendo de bom?"

Ele mal podia acreditar, era ela... a garota que ele tanto esperou. Mas se ela veio atrás significa que o pior havia acontecido. Haviam magoado o coração dela. Depois de três meses sem contato algum, significa que demorou um pouco para ela superar, se é que ela já superou.

"Preciso falar com você."

Ela mandou. Rafael resolveu responder.

"Claro, pode falar. Estou sempre aqui!"

"O que houve?"

Enquanto esperava ela responder, se sentou no sofá e deu um gole em sua cerveja.

"Como você sabia?"

"Quero dizer, que eu ia precisar de você... eu tenho a Fran, mas algo maior que eu chamava por você."

Ele sorriu ao ler e ficou pensando numa resposta que justificasse com ele sabia.

"Porque você precisava se machucar para que isso acontecesse. Eu sou o único que nunca seria capaz de lhe machucar. Mas antes de ser feliz, você precisa sofrer. Não irá valorizar a felicidade, caso contrário."

Ela demorou uns vinte minutos para responder.

"O único que nunca seria capaz de me machucar? Eu preciso sofrer? Não sei aonde você quer chegar. Mas a única pessoa que nunca seria capaz de me machucar, sou eu mesma; e antes de falar que nunca sofri, me conheça direito. Eu já sofri muito, não preciso mais sofrer."

Rafael leu e maneou a cabeça de leve.

"Então quer dizer que não é a primeira vez que sofre por desilusão?"

Alice respondeu na mesma hora.

"Qual é cara? Por que vocês homens acham que nós mulheres só sofremos de verdade por garotos idiotas? Nós não somos dependentes de vocês, apenas machuca, mas passa. Agora nosso 'sofrimento de verdade', é um trauma para a vida toda."

Rafael ficou confusa. O que ela estava tentando dizer com aquilo, é o que ele se perguntava.

"Desculpe... aconteceu algo com você? Eu não quis te ofender, mas é que eu pensei que sua primeira desilusão te afetaria intensamente."

Alice demorou um pouco.

"Não interessa! Você não está me ajudando então vou sair. Não me chame mais, seu idiota!!!"

Rafael leu e riu alto.

"Mas... foi você quem me chamou."

Alice mandou duas mensagens ao mesmo tempo.

"Quê?"

"Ah, é mesmo. Foi mal, não vou chamar mais. E me esqueça. Tchau."

Rafael ficou olhando para o celular, pensando se seria errado insistir, mas se lembrou de uma frase. "Largue o orgulho, ele é como uma faca afiada". Então resolveu insistir.

"Alice... você não quer isso. Eu quero você, e não estou disposto a deixar você ter a segunda decepção amorosa não. Então você trate de parar com essa marra e fica comigo, porque é de mim que você precisa."

Alice respondeu na mesma hora.

"O que você quer? Cara, você mora do outro lado do mundo, mas deixe em paz!"

Rafael sabia que era verdade, mas isso não o impediria.

"Não é um problema. Posso ir ao Brasil. Meu primo mora aí."

Ele aguardou a resposta, que demorou cinco minutos.

"Quem é seu primo? E onde ele mora?"

"O nome dele é Caíque, e ele mora em Brasília. Ele namorou sua amiga."

Ela respondeu no mesmo momento.

"O quê? Você é primo daquele lixo? Nossa, apaga meu numero e nunca mais me procure!"

Rafael ficou pensando porque ela e Fran odiavam o primo dele. será que havia acontecido algo e ele não ficou sabendo, provavelmente sim.

"Calma Alice... Aconteceu algo? Por que você e a Fran odeia ele? Eu não tenho noticia dele há três anos. Eu só soube esse ano que ele está preso e fiquei preocupado."

Ela demorou um pouco.

"Se aconteceu algo? Sim, seu primo foi responsável por um trauma meu. Ele fez um inferno na minha vida. Agora não me procure mais, adeus."

Ele ficou boquiaberto. Ele não iria desistir dela, ainda não.

"O que ele fez? Por favor Alice, não vai embora. Não me peça para te deixar, não sou capaz de fazer isso. Não me deixe! Por favor! Volte, você é meu maior motivo para sorrir!"

Ele esperou, meia hora e nada. Provavelmente dessa vez não teria resposta. Ele confuso, triste e ao mesmo tempo nervoso. Saiu porta a fora para espairecer. Acendeu um cigarro e saiu andando sem rumo.



Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora