Minha garota

125 10 6
                                    


A festa estava entediante e para completar Rafael não me respondia. Será que ele já chegou à festa? E as meninas se insinuaram pra cima dele? Ah, ele não é do tipo que dá moral pra qualquer uma, ou é?

Uma voz me tira do devaneio.

- Pequena...

Só uma pessoa me chama assim, e exatamente essa pessoa que eu não quero ver nem pintada de ouro. Levanto o olhar e o vejo, com o cabelo arrepiado, com muito gel inclusive, e um olhar curioso.

- Não me chame assim, Alex. – disse levantando e saindo de perto dele.

- Alice, me desculpe por ter sido um idiota com você. – disse ele vindo atrás de mim.

- Aquilo não me importa mais, eu já esqueci que um dia te conheci. Pode me deixar em paz?

Ele abaixou a cabeça, antes de começar a falar, recebi uma ligação, era do...

Rafael?

Era a primeira vez que ele me ligava.

Alex me olhou interrogativo, como se perguntasse: "vai ignorar a ligação e me dar atenção?".

- Com licença, por favor. – disse me afastando dele -, preciso atender.

Ele fez como se fosse vir atrás de mim, mas levantei a mão, repreendendo-o para ficar onde estava. Ele hesitou de inicio, por fim desistiu e me deu as costas. Atendi ao telefone e hesitei esperando ele falar.

- Alice...? – a voz dele é linda, é uma mistura rouca com grossa. Uma voz, admito, sedutora.

- O-oi – gaguejei. – Eu mesma.

- Sua voz é linda! – ele exclamou com um tom empolgado, eu corei. Apesar de ele não ver.

- Obrigada. A sua é razoável.

Ele riu. Uma risada gostosa e cheia de vontade. Não era como as risadas forçadas que escutei no Ensino Médio, sempre que tentava ser engraçada.

- Obrigado, Alice. – disse. – A festa está divertida? Algum idiota já mexeu contigo?

- Hã? – perguntei surpreendida. – Isso é ciúme? E não, ninguém me encheu o saco. Só o idiota do Alex.

- Não é ciúme, é curiosidade. Quem é Alex?

- Meu ex. OK então, eu finjo que acredito. – falei.

- A única que me irritou foi a Débora.

- Quem é essa... – hesitei me contendo. – Menina?

Ele riu de novo, isso só me fez ficar mais nervosa. Vontade de entrar no celular, me tele-transportar pra lá e esganar ele.

- É uma moça que tem uma paixonite por mim desde o começo do curso. – explicou ele. – Ah, inclusive eu curso Psicologia.

- Sério? – fiquei surpresa. – Eu também.

- Ah, isso é ótimo. E essa festa ta uma merda. – do fundo deu para ouvir uma música meio abafada, pelo jeito ele havia se afastado um pouco, e a música parecia ser da Nicki Minaj – Quando você vai pra casa?

- Daqui a pouco, preciso acordar cedo. – respondi. – E você?

- Também. Alice, posso fazer uma pergunta?

Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora