Os pesares da vida

57 5 3
                                    




"Deve ter algo para se divertir." Era o que Yuri estava repetindo a horas, desde que Alice chegou ao hospital e pediu para nós dois esperarmos aqui fora. Era difícil concordar com Yuri, pois era um hospital, não um parque de diversão.

— Eu preciso comer alguma coisa – disse ele, me olhando com cara de cachorro sem dono. — Vamos ao shopping vai, por favor cara.

Nunca pensei em seguir conselhos de Yuri, mas também estava faminto. Eu apenas não achava uma situação legal ir ao shopping enquanto a amiga da minha namorada está internada; não podendo andar e Alice triste com tudo isso. Não acho uma situação legal.

— Não acho legal sair daqui – falei, firme. Me encostei mais no banco, apesar de não achar legal sair, precisava admitir que estava agoniado. Logo quando chegamos aqui, vimos um garoto alto, branco e meio fortinho, ele saiu chorando. Alice não quis comentar o que houve. — Só vou sair quando Alice voltar.

Yuri me olhou como se eu fosse um estupido.

— Quero dizer – esclareci –, ela também tem que ir comer com a gente. Afinal, eu vim vê-la, se fosse pra sair só com você, nós ficávamos lá nos Estados Unidos.

— Mas como ela vai com a gente se ela está com a amiga dela? Você é todo bugado. Só fala contradições. — ele revira os olhos.

— E se ela ficar chateada porque fomos? – falei. – Poxa... Quero apoia-la.

Yuri me olhou severamente, depois bufou.

— Que tal avisar a ela? Diz que é rápido, aproveita e pergunta se ela vai querer algo.

Eu fiquei pensativo, Yuri disse entre dentes:

— Não seja obcecado. Ela vai entender.

— Vou tentar. – não falei mais nada, apenas me levantei e fui até a entrada do hospital. Yuri gritou de longe:

— Ô mulherzinha da relação – começou. — Se ela não deixar você ir, eu vou sozinho.

Eu dei de ombros.

— Você que sabe – falei. — Não nasci grudado com ninguém.

— Só com a Alice né? – disse. — Vai lá baba ovo. – vi ele dar risada de longe.

— Você é o mais idiota, mas é meu melhor amigo. – falei baixinho entre risadas e entrei no hospital.


*****



— Você está falando sério? – perguntei. — Você disse isso? Sério?

Lari suspirou, mordendo os lábios.

— Por que ele estava aqui?

Eu me sentei mais próxima da cama dela, eu tinha que ter certeza do que ouvi. O quarto fluorescente se tornou tão pequeno de repente, não podia acreditar que Lari teve coragem de tratar Pedro desse jeito. Eu tinha uma vaga lembrança de como tratei Alex, mas ele mereceu. Ele me magoou, foi meu primeiro amor.

— Isto é... uma loucura – sussurrei cética. — Ele que ligou para a ambulância, ficou aqui com você todos os dias.

— Sou grata a ele – ela revirou os olhos. — Mas era o mínimo, já que estou aqui por causa dele... foi só a consciência que pesou, amiga.

— Alice – a porta se abriu e vi um par de olhos verdes e cabelo cacheado. Rafael. — Eu e Yuri vamos ao shopping comer algo, tudo bem? Vai querer alguma coisa?

— Tudo bem. Não, não vou querer nada. Obrigada. – voltei o olhar para Lari, que observava Rafael.

— Você é o...

Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora