O sangue de um de nós

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Eu levei um susto assim que Alice chegou e limpou a garganta, eu afastei minha cadeira. Eu fiquei vermelho, mas Fran pareceu não se importar. Olhou fixamente para os lanches que Alice trazia consigo, e notando que só havia comida suficiente para duas pessoas me perguntou:

— Eduardo... você não vai comer?

— Eu estou bem, almocei antes de vir - falei, enquanto apertava a manga do paletó. — A empresa pediu todos os seus documentos para confirmar o voo segunda-feira, ah, e antes que eu me esqueça - me lembrei. — Temos que rever o horário da faculdade de Califórnia, afinal, você vai entrar na nova turma. Você vai residir em uma das melhores casas da cidade, já estamos verificando, enquanto não assinamos contrato com nenhuma corretora de imóveis, você ficará no melhor hotel da Califórnia.

— Eu não vou com você, Alice. - comentou Fran. Alice a encarou.

— Como assim?

— Não tenho essa grana toda. Você disse que sua parte seria pela empresa, mas que minha parte seria por sua conta. Não quero que gaste tanto dinheiro assim comigo.

Fran passou as mãos pelos cabelos ondulados.

— Se você não for, eu não vou - falou Alice. — E isso quer dizer que acabou contrato, faculdade na Califórnia e tudo o mais.

— E seu futuro? - perguntei. — A faculdade...

— Minha vida vai continuar sendo a mesma. Vai demorar para eu chegar longe. Essa é oportunidade unica, eu sei. Mas ela e minha mãe são minha família e não se abandona família. - disse Alice, de repente faz menção de chorar, acho que ela se lembrou de algo, não sei. Ela se levanta rapidamente e puxa Fran.

Eu me levantei junto e pedi para elas esperarem.

— Vamos nós três para os EUA. Quer dizer, nós quatro. Eu, você, a Fran e sua mãe. A empresa paga a sua estadia e a da sua mãe. Eu pago a da Fran. - falei por fim e elas voltaram a se sentar. 





*****





Quando chegamos no Shopping, fomos direto à loja de roupas para surfistas. Enquanto escolhiamos bermudas a balconista nos olhava.

— Querem ajuda? - ela perguntou.

— Queremos - falei e mostrei duas bermudas, uma em cada mão. — Qual você acha que minha namorada vai gostar?

Yuri deu uma risadinha. Eu vi o olhar de decepção da balconista. Então ela olhou para Yuri esperançosa. Mal sabia que ele estava tão apaixonado pela namorada quanto eu.

— Eu estava pensando em sair com minha namorada hoje a noite, qual camisa fica melhor? - perguntou ele, e novamente ela murchou, e apontou para a preta da Adidas. Escolhemos as roupas e a seguimos até o balcão.

— Suas namoradas são sortudas - falou ela enquanto fazia a conta da compra. — Vocês aparentam ser excelentes namorados. Eu trabalho aqui tempo suficiente pra dizer que é raro eu não ser paquerada. Acreditam que já aconteceu de meninos com uma baita aliança no dedo, dar em cima de mim? E acreditam que têm alguns que estão com a namorada e piscam pra mim disfarçando? Houve um caso que o rapaz estava assinando a nota fiscal para efetuar o pagamento, atrás estava o número dele.

Eu arqueei a sobrancelha surpreso, e Yuri fez o mesmo. Quando ela terminou de embalar as roupas, nos deu notas fiscais. Yuri que assinou; na parte de trás ele estava marcando algum número... ah, não, pensei, ele não está fazendo isso. Mas quando olhei de novo, percebi que não era o número dele.

— Esse é o número da minha namorada - disse ele —, olha só, ligue para ela e diga o que você nos disse: "vocês são excelentes namorados." - Ele acenou, deixando o dinheiro e a nota em cima do balcão.

Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora