O inferno ainda não começou

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Quando eu, Alice e Yuri voltamos a mesa que estava Lari e Samuel, encontramos mais um garoto, um guri alto, cabelo enrolado e branco, mas tipo muito branco. Samuel estava sentado ao lado do guri misterioso, apoiando as mãos sobre as dele, ambos sorrindo. Lari estava quase dormindo, provavelmente de tédio, embora eu pude notar que os olhos dela brilharam assim que viu Yuri, ela ficou bem desperta. Samuel olhou em nossa direção e ergueu as sobrancelhas.

— E aí, se divertiram? Ficaram com medo da montanha russa, meninas?

Eu o olhei severamente. Estava com sono, pois já fazia bastante tempo que estavamos aqui. Apesar de não ser muito tarde. Não sai de perto da Alice em momento algum, melhor eu sair com Yuri amanhã e dar pelo menos uma folga à ela, não sei se ela pensava o mesmo, mas já está decidido.

— Não foi divertido isso. - falei.

— Foi meio engraçado - retrucou Yuri, que estava sorrindo para Lari e piscando, como se estivessem planejando me cutucar pelo restante da noite.

— Não foi - rebati.

— Eu quase ri - provocou Yuri.

— Sinta-se livre para ir ali no canto e rir - falei e entrelacei minha mão à de Alice. - Vamos?

Lari foi até Yuri, dando um bocejo.

— Já vamos? Estou com sono, mas se quiser, eles vão e nós ficamos e depois pedimos um táxi.

— Melhor irmos todos juntos - respondi por ele. — É melhor assim.

Então fomos até o carro e demos partida. O caminho foi silencioso, até Yuri chegar mais perto de Lari.

Eu ouvi Lari, lá do banco de trás, rindo suavemente.

— Boa noite, Yuri e Lari - falei.

Quando olhei pelo espelho os dois estavam deitados no banco de trás, Lari no canto e ele na beirada. O cabelo dela sobre o rosto dele.

— Boa noite - respondeu Yuri, e fechou os olhos, abraçando Lari.

*****

Eu alcancei o carro de Alice facilmente; quem dirigia era o Roberto, o menino que graças a Deus já tinha 18 anos. Eu precisava falar com Alice sem a presença dos amigos, mas eles viviam grudados, então teria de chamá-la de canto aqui e agora, com um sorriso gentil pra ninguém desconfiar...

Roberto, que buzinou assim que estavámos na cola do carro dela, Rafael estacionou no acostamento e fizemos o mesmo.

— Aconteceu algo?

Rafael perguntou descendo do carro.

— Só preciso falar com Alice, é bem rápido.

— Se ela quiser, certo, mas por que não pode ser em minha presença? Vocês nem se conhecem direito.

Alice desceu do carro, se aproximou de mim e saiu me puxando, nos afastando deles.

— Alice, antes de qualquer coisa, só gostaria de dizer que eu também morei em Brasília e soube da sua história, só quero falar com você sobre isso.

Ela soltou Rafael e parou onde estava, ficando intacta, sua respiração ficou presa. Então, ela se virou pra mim e, para minha surpresa, ela começou a chorar. Rafael abraçou ela e a mesma retribuiu, alguns instantes depois ela cochichou algo no ouvido dele e ele se afastou ficando na frente da porta do motorista. E ela veio em minha direção.

— Como você sabe? - perguntou, com os olhos arregalados.

— Além de todos os jornais em Brasília serem sobre você durante uma semana, e você ser super conhecida por lá? Você é tão tola assim, ou está se fingindo de sonsa? - ela ficou tensa. — Você lembra da Dani? A que foi presa por sua culpa? Ela é minha prima, e a fiança foi cara, admito, mas pagamos e queremos vingança. Por isso estamos com sua mãe presa em cativeiro, e temos ajudantes, então não pense em abrir a boca pra ninguém ou sua mamãe morre!

Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora