Conforto de longe

79 8 4
                                    



Sem pensar duas vezes, me despedi de Fran no telefone, peguei minha bolsa e saí correndo, Pedro veio correndo atrás de mim.

— Não precisa ir no estacionamento. Vamos no meu carro, está do outro lado da rua. - Ele disse, com um tom urgente.

Eu assenti.

— Me conte os detalhes. - Pedi. — Suponho que você viu tudo - sibilei assim que entramos no carro. Ele deu partida. Não conseguia digerir, num momento estou feliz, marcando a viagem com ela e a Fran, e agora, ela está internada no hospital. — Comece contando onde aconteceu o acidente.

— Onde ela foi atropelada? - Ele se mantinha focado na estrada.

— Não. - revirei os olhos. — Onde a Lady Gaga fez a última turnê.

Ele acelerou mais o carro, coloquei o cinto me esquecendo completamente que deveria ter feito isso antes. Ele sequer me olhou, quando começou a falar, manteve o olhar na estrada. Sem me encarar nenhuma vez, com o olhar inexpressivo. Ele me contou tudo e eu fiquei perplexa.

— Está brincando - falei. — Ela sofreu o acidente perto da sua casa?

— Ela foi até minha casa, querendo reatar o namoro. Eu estava com uma garota. Quando abri a porta, a garota apareceu por trás de mim e agarrou meu pescoço. Eu tentei me desvencilhar, foi tarde demais, Larissa já havia saído correndo e chorando. E foi atropelada. - Enquanto ele contava, uma linha de tristeza passava pelo rosto dele. Eu deveria ter pena, mas só conseguia sentir uma raiva incontrolável, afinal, a culpa de ela estar no hospital era toda dele.

Dei um tapa no braço dele, foi o máximo que pensei para descontar a raiva. Ele não parecia bravo pelo tapa. Pelo contrário, parecia que ele já entendera que a culpa era dele. Ele reduziu um pouco a velocidade, e só então percebi que já tínhamos chegado.
Desci do carro e saí correndo para dentro do hospital, como previsto Pedro atrás de mim.
Na recepção, uma moça com um olhar cansado sorriu fraco.

— Em quê posso ajudá-la? - perguntou.

— Larissa. Larissa Vanchoug. Acabou de chegar, acidente. - falei, desesperada.

Ela digitou o nome no computador, fez algumas perguntas comum pra confirmar se era a mesma ficha, e por fim assentiu.

— Ficha 26479. Ela está na UTI, estado grave. Foi ficha de emergência, senhora. Vocês podem aguardar na sala de espera, nem os parentes podem vê-la ainda.

Pedro se afastou bufando, encostou na parede e enterrou o rosto nas mãos.

— O estado dela é grave, e a culpa é minha. O filho da puta do motorista passou por cima dela ainda e fugiu. E se ela estiver entre a vida e a morte? É tudo culpa minha, Alice.

— Eu queria poder te consolar - falei. —, mas a culpa é sua mesmo, Pedro. É o fato. Torça para ela ficar bem...

— Ou você me mata - ele me interrompeu.

— Exatamente. - concordei.

————————————————

Porque eu fodi duas vadias
Antes de ver você
Você tem que fazer isso
No meu ritmo
Sempre tentam me mandar
Para a reabilitação...

— Dá para você tirar essa droga de música, Yuri? - perguntei, batendo no volante.

— Eu gosto dessa música, mané. The Weeknd é foda - declarou ele com arrogância e desdém.
Estávamos indo para a faculdade. Ele aumentou mais, quando trocou de música.

Tarde da noite,
Venha pra casa
Trabalho é um saco, eu sei.
Ela me deixou rosas nas escadas
Surpresas me fazem saber que ela
Se importa.

Me dê amorOnde histórias criam vida. Descubra agora