CAPÍTULO 2 - Nada foi Coincidência

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Dante Montenegro

Mais uma vez acordei com uma mulher cujo nome sequer lembro.

Recordo apenas do pouco tempo de prazer que ela me proporcionou.

Porra... essa noite não tive sorte. Vou ser mais seletivo na próxima.

Abro os olhos com a cabeça um pouco dolorida e vejo um pequeno bilhete sobre o travesseiro ao lado.

"Oi, querido. Você estava tão lindo dormindo que não quis te acordar...
Adorei nossa noite, adorei tudo. Já que ontem você mal me falou seu nome e nem seu telefone me passou, estou deixando o meu. Me liga, gatinho.
Beijos, Jéssica."

Quando termino de ler, só me resta rir.

— Se eu não disse nem meu nome, ela achou mesmo que eu ia dar meu telefone? — solto uma gargalhada.

Vou ao banheiro e faço minha higiene.

— Preciso lembrar de não tomar tanto uísque numa noite só — faço um lembrete mental.

Tomo um banho rápido, volto para o quarto, me visto e logo ouço o celular tocar.

— O que esse cara quer a essa hora da manhã...
— Fala, cara. O que está pegando?

Quando o assunto é Rodrigo, esqueço qualquer etiqueta ou formalidade. Ele é meu primo e temos quase a mesma idade. Também trabalha no escritório e é responsável pelas contratações de estagiários e novos advogados.

— Fala aí, Dante. Temos um problema.

— O que aconteceu? Levou um fora da tua peguete e agora não tem onde dormir? Fica aqui, mas se acostuma com os gemidos que podem vir do meu quarto.

— Não é isso, idiota! — ele respondeu irritado. — Os advogados têm congresso hoje, lembra? Só ficaríamos nós dois no escritório. Eu tinha uma entrevista marcada com uma estagiária nova, mas surgiu um problema. O Dr. Leonardo, seu padrinho, não pode ir por questões pessoais e pediu para eu substituí-lo. Cara, quebra esse galho pra mim e entrevista a garota?

Leonardo era irmão do meu pai. Fizeram faculdade juntos, assim como eu e Rodrigo.

— Você está brincando comigo, né? Você sabe que eu odeio entrevistas. Perguntar expectativas, valores, essas coisas... pelo amor de Deus...
Rodrigo me interrompeu:
— Cara, é o Leonardo. Estou indo representar o escritório. Faz isso por mim.

— Tá bom, vai lá. Eu resolvo do meu jeito.
Desliguei.

Faço um café forte — precisava me recuperar da ressaca. Vou para a garagem e entro no meu novo bebê. Há pouco tempo comprei uma BMW blindada a mando do meu pai. Segundo ele, um criminalista não pode sair por aí dando sopa.

Sigo para o escritório.

Entro pela garagem dos fundos, escoltado pelos seguranças. Só entra ali quem trabalha na diretoria do escritório.

— Bom dia, Rosa. Como está minha agenda hoje?

— Bom dia, Dr. Dante. Temos dois clientes novos pela manhã e, às 11h30, uma entrevista marcada com uma estagiária.

Cláusulas do DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora