Beatriz
Depois de pedir para ele ficar, senti algo estranho: alívio... e medo ao mesmo tempo.
Eu mal o conhecia, mas, ainda assim, me sentia segura.
Ele tinha salvado minha vida.
Entrei no banheiro. Minhas pernas estavam machucadas, cheias de arranhões. Quando a água bateu, ardeu muito. Tomei um banho rápido.
Saí, fui até o quarto e vesti uma calcinha e um short folgado para não encostar nos ferimentos. Coloquei uma camiseta larga, um chinelo e tentei ajeitar o cabelo — mas o rosto ainda era o de quem tinha acabado de chorar.
Ouvi Dante falando ao telefone:
— Tudo bem, Ana... já estou levando ela ao hospital... tá... eu sei, eu sei... — ele suspirou. — Tchau, pentelha.
Acabei rindo baixo.
Ele se virou para mim e sorriu.
— A Ana está louca atrás de você. Fez mil perguntas sobre como nos conhecemos e disse que ia ligar para a Débora também.
— Meu Deus... ela vai avisar a cidade inteira — respondi, rindo.
Peguei minha bolsa e saímos.
Na porta do apartamento ele deixou um segurança e deu ordens claras:
— Ninguém entra.
— Dante, não precisa disso tudo...
— Claro que precisa! — respondeu, alterando o tom. Logo em seguida respirou fundo, passou a mão no rosto e me abraçou. — Desculpa.
Sorri. Talvez tivesse ganhado um amigo.
Entramos no carro. Ele olhou o celular.
— O Otávio disse que o cara está na delegacia. Já puxaram a ficha... ele era procurado por estupro e estava foragido.
Meu estômago revirou.
— A Ana me fez prometer que te levaria ao hospital — completou.
— Eu não quero ir... estou bem...
Ele ligou o carro.
Percebi que discutir seria inútil.
Ficamos em silêncio até chegar ao hospital. O carro da Ana e da Débora já estava lá.
— Lá vou eu... — murmurei.
— Não. Você vai entrar pelos fundos. Um médico amigo meu vai te atender.
Horas depois eu estava deitada numa maca, tomando soro. O tornozelo doía muito. O raio-X não apontou nada grave: apenas uma luxação.
Ouvi vozes agitadas do lado de fora.
A porta se abriu.
Dois furacões entraram no quarto.
Ana e Débora correram até mim. Meu pai vinha logo atrás. Abracei as duas enquanto elas falavam ao mesmo tempo.
Dante interveio:
— Deixem ela falar com o pai primeiro.
Contei tudo para meu pai e para o delegado. Dante permaneceu ao lado, em silêncio.
O médico entrou.
— Senhorita Beatriz, não houve fratura, mas o tornozelo precisa ficar imobilizado por cerca de quarenta dias.
— Não... eu não posso! Tenho faculdade, trabalho...
— Se não imobilizar, pode piorar — respondeu firme.
Ana segurou minha mão.
— Você fica lá em casa comigo.
— Ou comigo — disse Débora. — Você não vai ficar sozinha.
Meu pai concordou:
— Já mandei trocar a porta do seu apartamento e reforçar as fechaduras.
Eu só pensava: E minha vida?
Todos começaram a falar ao mesmo tempo até o médico mandar silêncio e pedir que todos saíssem para eu descansar.
Dante
Ver Beatriz contando o que aconteceu me deu um aperto no peito.
Eu não sabia explicar, mas sentia uma necessidade absurda de protegê-la.
Quando Ana ofereceu a casa, achei melhor. Ficaria dentro do nosso condomínio — mais segura.
O pai dela me agradeceu antes de sair.
— Não precisa — respondi.
Fiquei sozinho com ela.
— Obrigada por tudo — disse, sorrindo fraco.
Parecia que nos conhecíamos havia anos. Pouco depois ela adormeceu.
Meu celular tocou.
— Fala.
— O homem deve pegar pena boa, mas pode tentar reduzir — disse Otávio.
Fechei a expressão.
— Faça o necessário para mantê-lo longe dela.
Desliguei quando vi Beatriz se mexer.
Aproximei-me.
— Está tudo bem?
— Só dói um pouco... que horas são?
— Seis da manhã.
— Você devia ir descansar...
Coloquei o dedo nos lábios dela.
— Não vou a lugar nenhum.
O médico entrou logo depois e liberou a alta. A enfermeira colocou a bota ortopédica e ensinou a usar a muleta.
Saímos do hospital.
Ajudei-a a entrar no carro.
— Pode me chamar de Bea — disse ela.
Sorri.
— Vai ter que aguentar a bota.
Ela riu pela primeira vez desde a noite anterior.
Contei sobre a prisão do vizinho. Quando chegamos ao prédio dela, Ana e Débora já estavam lá.
Rodrigo se aproximou para ajudá-la a sair do carro.
Fechei a porta.
No instante em que a vi se apoiar nele e retribuir o abraço, desviei o olhar, entrei no carro e arranquei sem dizer nada.
Beatriz
Observei o carro de Dante desaparecer na rua.
— Ele é assim mesmo — disse Ana. — Explosivo.
Débora me entregou as novas chaves.
Subimos para pegar minhas coisas e seguimos para a casa da Ana.
No caminho perguntei:
— É sempre assim? Segurança, escolta...
Ela riu.
— Bem-vinda à família Montenegro.
Quando chegamos ao condomínio, fiquei impressionada. Casas enormes, seguranças, portões altos.
— O Dante mora aqui também — disse ela, apontando.
Entramos. O pai dela me recebeu com um abraço.
— Como está, Bea furacão?
Ri ao ouvir meu apelido de infância.
Ana me levou ao quarto.
Era enorme.
— Suas coisas estão ali — apontou para o closet.
Abracei-a forte.
— Obrigada.
Ela sorriu.
— Eu sempre vou estar com você.
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Cláusulas do Destino
RomanceEle vive por regras. Ela nasceu para quebrá-las. Quando Beatriz Alcântara começa a estagiar no Escritório Montenegro, descobre que seu chefe, Dante Montenegro, é arrogante, controlador... e perigosamente atraente. Apaixonar-se nunca fez parte do con...
