CAPÍTULO 6 - Depois do Caos

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Beatriz

Depois de pedir para ele ficar, senti algo estranho: alívio... e medo ao mesmo tempo.
Eu mal o conhecia, mas, ainda assim, me sentia segura.

Ele tinha salvado minha vida.

Entrei no banheiro. Minhas pernas estavam machucadas, cheias de arranhões. Quando a água bateu, ardeu muito. Tomei um banho rápido.

Saí, fui até o quarto e vesti uma calcinha e um short folgado para não encostar nos ferimentos. Coloquei uma camiseta larga, um chinelo e tentei ajeitar o cabelo — mas o rosto ainda era o de quem tinha acabado de chorar.

Ouvi Dante falando ao telefone:

— Tudo bem, Ana... já estou levando ela ao hospital... tá... eu sei, eu sei... — ele suspirou. — Tchau, pentelha.

Acabei rindo baixo.

Ele se virou para mim e sorriu.

— A Ana está louca atrás de você. Fez mil perguntas sobre como nos conhecemos e disse que ia ligar para a Débora também.

— Meu Deus... ela vai avisar a cidade inteira — respondi, rindo.

Peguei minha bolsa e saímos.

Na porta do apartamento ele deixou um segurança e deu ordens claras:
— Ninguém entra.

— Dante, não precisa disso tudo...

— Claro que precisa! — respondeu, alterando o tom. Logo em seguida respirou fundo, passou a mão no rosto e me abraçou. — Desculpa.

Sorri. Talvez tivesse ganhado um amigo.

Entramos no carro. Ele olhou o celular.

— O Otávio disse que o cara está na delegacia. Já puxaram a ficha... ele era procurado por estupro e estava foragido.

Meu estômago revirou.

— A Ana me fez prometer que te levaria ao hospital — completou.

— Eu não quero ir... estou bem...

Ele ligou o carro.
Percebi que discutir seria inútil.
Ficamos em silêncio até chegar ao hospital. O carro da Ana e da Débora já estava lá.

— Lá vou eu... — murmurei.

— Não. Você vai entrar pelos fundos. Um médico amigo meu vai te atender.

Horas depois eu estava deitada numa maca, tomando soro. O tornozelo doía muito. O raio-X não apontou nada grave: apenas uma luxação.

Ouvi vozes agitadas do lado de fora.
A porta se abriu.
Dois furacões entraram no quarto.
Ana e Débora correram até mim. Meu pai vinha logo atrás. Abracei as duas enquanto elas falavam ao mesmo tempo.

Dante interveio:
— Deixem ela falar com o pai primeiro.

Contei tudo para meu pai e para o delegado. Dante permaneceu ao lado, em silêncio.

O médico entrou.

— Senhorita Beatriz, não houve fratura, mas o tornozelo precisa ficar imobilizado por cerca de quarenta dias.

— Não... eu não posso! Tenho faculdade, trabalho...

— Se não imobilizar, pode piorar — respondeu firme.

Ana segurou minha mão.

— Você fica lá em casa comigo.

— Ou comigo — disse Débora. — Você não vai ficar sozinha.

Meu pai concordou:
— Já mandei trocar a porta do seu apartamento e reforçar as fechaduras.

Eu só pensava: E minha vida?

Todos começaram a falar ao mesmo tempo até o médico mandar silêncio e pedir que todos saíssem para eu descansar.

Dante

Ver Beatriz contando o que aconteceu me deu um aperto no peito.
Eu não sabia explicar, mas sentia uma necessidade absurda de protegê-la.

Quando Ana ofereceu a casa, achei melhor. Ficaria dentro do nosso condomínio — mais segura.
O pai dela me agradeceu antes de sair.
— Não precisa — respondi.

Fiquei sozinho com ela.
— Obrigada por tudo — disse, sorrindo fraco.

Parecia que nos conhecíamos havia anos. Pouco depois ela adormeceu.

Meu celular tocou.

— Fala.

— O homem deve pegar pena boa, mas pode tentar reduzir — disse Otávio.
Fechei a expressão.

— Faça o necessário para mantê-lo longe dela.

Desliguei quando vi Beatriz se mexer.
Aproximei-me.
— Está tudo bem?

— Só dói um pouco... que horas são?

— Seis da manhã.

— Você devia ir descansar...

Coloquei o dedo nos lábios dela.

— Não vou a lugar nenhum.

O médico entrou logo depois e liberou a alta. A enfermeira colocou a bota ortopédica e ensinou a usar a muleta.

Saímos do hospital.

Ajudei-a a entrar no carro.

— Pode me chamar de Bea — disse ela.

Sorri.

— Vai ter que aguentar a bota.

Ela riu pela primeira vez desde a noite anterior.

Contei sobre a prisão do vizinho. Quando chegamos ao prédio dela, Ana e Débora já estavam lá.

Rodrigo se aproximou para ajudá-la a sair do carro.

Fechei a porta.

No instante em que a vi se apoiar nele e retribuir o abraço, desviei o olhar, entrei no carro e arranquei sem dizer nada.

Beatriz

Observei o carro de Dante desaparecer na rua.
— Ele é assim mesmo — disse Ana. — Explosivo.

Débora me entregou as novas chaves.

Subimos para pegar minhas coisas e seguimos para a casa da Ana.

No caminho perguntei:
— É sempre assim? Segurança, escolta...
Ela riu.

— Bem-vinda à família Montenegro.

Quando chegamos ao condomínio, fiquei impressionada. Casas enormes, seguranças, portões altos.

— O Dante mora aqui também — disse ela, apontando.

Entramos. O pai dela me recebeu com um abraço.

— Como está, Bea furacão?

Ri ao ouvir meu apelido de infância.

Ana me levou ao quarto.
Era enorme.

— Suas coisas estão ali — apontou para o closet.

Abracei-a forte.

— Obrigada.

Ela sorriu.

— Eu sempre vou estar com você.

Cláusulas do DestinoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora