Beatriz
Arrumamos todas as nossas coisas. Tudo o que poderíamos precisar... e também o que provavelmente não precisaríamos.
Eu estava ansiosa e, ao mesmo tempo, com medo. Nunca havia viajado de avião — muito menos saído do Brasil.
Levávamos três malas grandes, duas malas de mão e nossas bolsas com documentos e itens pessoais.
Quando olhamos o relógio, já passavam das três da manhã. Tio Carlos disse que às seis viria nos chamar, pois nosso voo seria um dos primeiros.
Ana colocou um pijama e decidiu dormir no meu quarto mesmo.
Assim que nos deitamos, senti falta daquele peso sobre mim... dos braços apertando minha cintura... dos beijos de boa-noite... da respiração de Dante na minha nuca.
Deus... não podia doer mais.
Peguei meu celular e comecei a olhar conversas antigas. Mensagens dele dizendo que estava com saudade, perguntando se eu tinha comido, se já tinha tomado café, o que eu estava fazendo...
Era tanta preocupação.
Uma das mensagens tinha um trecho de música:
"Eu não estava olhando para onde ia... e caí nos teus olhos.
Bom dia."
Aquilo me atingiu como uma facada.
Abri o contato dele para apagar.
— Não faz isso — Ana disse.
Eu dei um pulo. Não percebi que ela estava acordada, me observando.
— Você quase me mata do coração! — falei rindo nervosa.
— Não apaga, Bia... eu sei que dói. Mas guarda. Guarda o Dante que você conheceu... não o que ele se tornou.
— Mas amiga...
— Guarda... vai que, né? — disse, dando um sorriso debochado.
— Nós não vamos voltar.
Coloquei o celular de lado e fiquei olhando o teto no escuro.
Silêncio.
— Tô sem sono.
— Se fosse só você...
Começamos a conversar sobre Cancún, sobre o Coco Bongo, praias, passeios... cada detalhe da viagem.
Rimos tanto que nem percebemos a porta abrir.
— Pelo jeito já acordaram — disse tio Carlos, acendendo a luz e bocejando. — Nem precisei chamar.
— Já tá na hora? — Ana perguntou.
— Claro. São 6h30.
— Meu Deus, nem dormimos! — falei, pulando da cama.
Ana começou a entrar em pânico:
— Que roupa a gente usa? Tá frio? Tá calor?
Tio Carlos caiu na gargalhada.
— Espero vocês lá embaixo. Saímos às oito.
A maratona rumo a Cancún começava.
Tomei banho rápido. Quando a água quente caiu no meu corpo, senti o cansaço finalmente aparecer — mas não era hora de descansar.
Quando saí, Ana já estava no quarto com alguns cabides.
— O que eu escolho?
— Lá vai estar muito mais quente. Vamos frescas — respondi. — Vou de jeans rasgado, sapatilha e camisa leve.
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Cláusulas do Destino
RomansaEle vive por regras. Ela nasceu para quebrá-las. Quando Beatriz Alcântara começa a estagiar no Escritório Montenegro, descobre que seu chefe, Dante Montenegro, é arrogante, controlador... e perigosamente atraente. Apaixonar-se nunca fez parte do con...
