Beatriz
Assim que entrei, me deparei com Dante socando o rosto de Rodrigo. Meu Deus — o sangue começou a escorrer na mesma hora.
Corri até Rodrigo para ajudá-lo, ignorando completamente o chamado de Dante.
Eu não iria com ele. Ele estava agressivo... totalmente diferente do homem de hoje mais cedo.
— Dante, me solta! — gritei.
Ele apertou meu braço com mais força e, de repente, a cena com Marcelo voltou à minha cabeça.
A sensação ruim ainda não tinha passado.
— Você está me machucando, me solta! — gritei outra vez.
Inútil.
— Dante... meu tornozelo está doendo... por favor, para... — falei, prendendo o choro.
Ele me olhou com fúria nos olhos.
Sem dizer nada, simplesmente me pegou no colo, me jogando sobre o ombro como se eu fosse um saco de batatas, e começou a subir as escadas.
— Dante, me larga! — bati nas costas dele.
Acho que só estava fazendo uma massagem.
Entramos em um quarto.
Ele me colocou no chão, fechou a porta e a trancou.
Sentei na cama e olhei para meu pé — já inchando. Tentei segurar o choro, mas algumas lágrimas escaparam.
— Me deixa ir, Dante...
— Você tem noção da merda que fez, porra?! — gritou. — Me responde!
Levantei para encará-lo.
— Eu?! Eu não fiz nada! Você que é esquentadinho e bateu no Rodrigo, que — até onde eu sei — é seu primo e melhor amigo! — enfatizei. — Você é um babaca. Acha que pode controlar todo mundo! Igual quando me chamou até sua casa hoje. Achou mesmo que eu iria me render? Que seria mais uma das suas? Nunca, Dante! Quando eu te vi com aquela tal de Fernanda, não fui atrás de você fazer escândalo!
Sentei novamente. A dor no tornozelo latejava.
Ele virou de costas e foi até a varanda, respirando fundo antes de me encarar.
— Ah, então você ficar se esfregando no Rodrigo depois do que aconteceu não foi nada? — disse, nervoso. — Você estava me provocando. Com um cara que claramente quer você. Mais uma investida e você caía na minha...
Ele riu, sem humor.
— Você está querendo chamar atenção na festa do meu tio. Só escolheu a pessoa errada.
Passou as mãos no cabelo, quase arrancando os fios.
— Maldita hora que te encontrei naquela rua... maldita hora que te ajudei. Eu devia ter deixado aquele Marcelo fazer o que quisesse...
Senti como se algo tivesse rasgado dentro de mim.
Abaixei a cabeça e comecei a chorar.
Reuni o pouco de força que tinha, levantei e fui até a porta.
— Eu vou embora...
— Vai mesmo. É o melhor que você faz! — ele esbravejou.
Encostei na porta, tentando abrir, mas minhas mãos tremiam demais.
Dante
Uma coisa estranha crescia dentro de mim. Uma raiva que eu nunca tinha sentido.
Então eu vi Beatriz — apavorada — tentando abrir a porta.
— Merda... — murmurei.
Voltei a mim e fui até ela.
Ela já estava sentada no chão, abraçando os joelhos.
— Da... Dante... sai... — chorou entre soluços.
Tentei fazê-la levantar.
Ela resistiu, se debateu... mas eu a abracei.
Com força. Não para prender.
Para impedir que ela desmoronasse... ou talvez para impedir a mim mesmo.
— Desculpa, Beatriz... — sussurrei no ouvido dela.
Ela finalmente cedeu e apoiou a cabeça no meu peito.
Senti suas lágrimas molharem minha camisa.
— Desculpa, Bea... foi a raiva. Eu não me arrependo do soco... mas me arrependo de ter te assustado. Fiquei fora de mim vendo o Rodrigo te tocar... — murmurei. — Eu não consigo ver outro homem encostando em você.
Ela me olhou ainda chorando.
— Por... por quê você fez isso...?
Limpei suas lágrimas.
Respirei fundo.
— Porque eu sou um idiota... — falei baixo. — Porque eu não suportei ver você com outro homem além de mim.
Beatriz
Quando ele confessou o ciúme, tentei me controlar. Mas a verdade?
Tudo o que eu queria era beijá-lo. Provar que, entre todos os homens do mundo... era ele.
Ele percebeu e me beijou.
O beijo não foi lento, foi urgente.
Nossas bocas se encontraram como se já se conhecessem há muito tempo. Minhas mãos subiram pelo pescoço dele, puxando-o para mais perto, enquanto os braços de Dante me envolviam, firmes, quentes... seguros.
Meu coração batia tão forte que eu tinha certeza de que ele conseguia ouvir.
Recuamos apenas o suficiente para respirar.
— O que você está fazendo comigo, Beatriz? — ele murmurou, a testa encostada na minha.
Sorri sem conseguir responder.
Ele tirou a camisa, e eu prendi a respiração. Não era apenas desejo... era a forma como ele me olhava. Como se eu fosse a única coisa existente ali.
Quando suas mãos tocaram minha cintura, estremeci inteira.
Fomos recuando até sentir a cama atrás de mim.
Ele me deitou devagar, como se tivesse medo de me quebrar, e eu o puxei trazendo-o de volta para mim.
— Acho que... estamos indo rápido demais — sussurrei.
Ele parou imediatamente.
— Então a gente para.
E foi isso que me fez puxá-lo de volta.
— Eu não disse que queria parar...
O olhar dele mudou.
Mais suave.
Mais intenso.
Ele voltou a me beijar, agora com cuidado, como se estivesse pedindo permissão a cada toque. Seus lábios percorreram meu pescoço e eu fechei os olhos, incapaz de impedir o arrepio.
Meu corpo reagia sozinho.
— Dante... — meu próprio tom me denunciou.
Ele apoiou a testa na minha.
— Eu vou cuidar de você... — disse baixo.
E, pela primeira vez desde tudo o que tinha acontecido comigo... eu acreditei.
Não foi apenas desejo.
Foi entrega.
Eu o abracei, deixando que ele me guiasse, sem pressa, sem força — apenas proximidade, calor e confiança.
Quando finalmente nos tornamos um só, escondi o rosto no ombro dele.
Ele parou.
— Eu te machuquei?
Balancei a cabeça.
— Não... fica.
Ele me abraçou mais forte, e seus lábios tocaram minha testa.
Naquele momento, eu não estava com medo.
Eu estava segura.
Dante
Quando ela adormeceu sobre meu peito, percebi.
Não era só atração.
Nunca tinha sido.
Passei a mão em seus cabelos, observando seu rosto tranquilo, e algo dentro de mim simplesmente... cedeu.
— Dorme bem, pequena — murmurei.
Pela primeira vez em muito tempo, eu não queria fugir.
Eu queria ficar.
Mais tarde..
Batidas na porta nos despertaram.
— Bea? Você tá aí? — Ana chamou do outro lado.
Ela se mexeu, ainda sonolenta, abraçando minha cintura.
Sorri.
— Tá, Ana. Ela tá aqui.
Esperei alguns minutos antes de acordá-la.
— Ei... o jantar vai começar.
Ela abriu os olhos e levou alguns segundos para entender.
Então arregalou.
— Meu Deus...
— A gente queria — falei, calmo.
Ela me olhou.
Não havia arrependimento ali.
Só nervosismo.
Descemos juntos, mas quando chegamos perto das escadas, ela soltou minha mão.
— Vão estranhar...
— Todo mundo já sabia da gente... menos a gente.
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Cláusulas do Destino
RomanceEle vive por regras. Ela nasceu para quebrá-las. Quando Beatriz Alcântara começa a estagiar no Escritório Montenegro, descobre que seu chefe, Dante Montenegro, é arrogante, controlador... e perigosamente atraente. Apaixonar-se nunca fez parte do con...
