CAPÍTULO 4 - Onde ele me encontrou

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Beatriz Alcântara

Finalmente cheguei ao endereço que a moça havia me passado. Já eram quase onze horas e ela ainda não tinha chegado. O nervosismo começava a tomar conta de mim.

Observei o prédio: simples, mas muito bonito.

Vi um carro estacionar bem em frente. Cruzei os braços, esperando. Quando uma moça sorridente desceu do veículo, meu coração acelerou.

— Beatriz... é você?

Ela me olhava como se me conhecesse há anos.

— EU NÃO ACREDITO QUE É VOCÊ!

Correu na minha direção.

Quando se aproximou, fiquei em choque.

Era Ana.

Minha amiga de infância.

Havíamos perdido contato depois que nossos pais brigaram. O pai dela era advogado e o meu, policial. Houve um julgamento, uma discussão feia... e nossa amizade acabou junto.

Corri para os braços dela.

Abracei com saudade, carinho... com tudo.

— Eu não acredito... — murmurei, segurando o choro.
Ela também chorava.

Nossa separação tinha sido dolorosa demais. Nunca passávamos um fim de semana separadas... até simplesmente nunca mais nos vermos.

— Eu sabia que conhecia aquela voz... — disse emocionada.

Limpamos as lágrimas.

— Então é você que quer alugar meu apartamento? — perguntou, rindo. — Me conta tudo!

Subimos.

A vista era linda. Eu já me imaginava abrindo a janela pela manhã e vendo o parque.

Sentamos na sala e conversamos por horas. Contei sobre minha madrasta e o quanto não suportava mais ficar em casa.

— Sempre achei ela com cara de megera — disse Ana.

— O amor é cego, surdo e burro — respondi, rindo.

Então ela falou:
— Pode ficar aqui. Não quero dinheiro.

Balancei a cabeça imediatamente.

— De jeito nenhum! Não vou morar de favor.

Ela revirou os olhos.

— Então paga metade. É isso ou nada.

Eu sabia que discutir com Ana era inútil.

— Fechado.

Nos abraçamos.

— Quando vai se mudar?

— Semana que vem, talvez.

Ela sorriu.

— Ótimo. E sábado você vai à festa de aniversário do meu pai.

Cláusulas do DestinoOnde histórias criam vida. Descubra agora